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domingo, 27 de setembro de 2015

Depois da Vida





No ciclo da mãe em tom dourado
A folha separa-se do corpo amado
E vai serenamente pousar na seiva
Outono, que a acolhe como noiva
E na alma da cor que se solta
Vai o colorido da paz envolta
Pousando no céu feito nuvem
Espera metamorfose que vem
Depois das chuvas, luz vera
E um sopro de novo se esmera
E a folha une-se graciosa
Num novo ciclo, verde e airosa...

Assim é o amor da vida que nos enlaça
Na mudança que surge no velho Tempo
Por nós nasce, por nós vive, por nós passa...

Um dia depois da vida, outra vida
Pneuma terá de novo, outra guarida!...

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Lágrimas





Lágrimas nas minhas simples rimas
Como gosto quando tu as animas
São diamantes feitos de estrelas
Quando pela noitinha tu vens vê-las
Teus dizeres em perfumados afagos
Cachos de uvas, beijos em bagos
Lágrimas que adoças em meu colo
Em fina cambraia as enrolo
São como pérolas de orvalho
Terno pardal, pipilando em seu galho
Ai as lágrimas, só tu as sabes beber
Quando nos meus olhos as vês a nascer

E as sabes, e as sentes, e as vens enternecer
Porque tu nasceste num tempo de água
E elas são feitas de sal, de azul e de mágoa
Mas sempre rio de sol, de madrugada a nascer!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Plumas brancas




Plumas brancas em doce caminho
Lado a lado casam com a margem
E nadam suave brisa de mansinho
E como é doce paz sua mensagem

Venham tragam em pergaminho
Palavras alvas, soando coragem
Escritas com pena do vosso ninho
Venham...não façam paragem...

Como se as águas fossem de carinho
Nesse navegar entre verde folhagem
E o sol se deitasse com um passarinho

E já noite dentro muito devagarinho
Na hera, entre o fresco da aragem
Céu estrelado, cheirasse a rosmaninho

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Sonho estelar


Pauta da estrela polar
Deixando a madrugada alar
Num céu de lindo espaço
Pé ante pé, passo a passo
Depois de um utópico sonho
Que no limiar do limbo ponho...

Deixo que algum vazio seja astro
Que no breu deixe luminoso rastro
Música em compasso estrelado
Em dança melódica de anjo alado
Luminoso como sol em seu espaço
Na realidade da luz do meu regaço...

Na aurora que acorda e não chora...

E trova na quimera musical
Entre a pauta do sol a bailar
Jogral d`um sonho...da estrela polar!

domingo, 14 de junho de 2015

Manhã



A manhã despertou aguarela
Pintura da cor céu em negro esbatida
Com lágrima orvalhada no rosto dela
Mas com amarelo luz a vencer na vida...
A brisa voou pela cidade, com vaidade
Chuleando as ruelas algo desfiadas
Bordou a roupa esvoaçante da janela
Ouviu-se pipilar, almas de gentes esquecidas
E levantou-se na frescura do arvoredo
Beijo de alegria do ser livre, sem medo

Bom dia, cotovia, pomba branca, aloé!

Guarneçam de renda pura o coração
Manhã de primavera, que tem cheirinho de verão...
Danço no teu cheiro de jasmim, no teu chão...

Molhado ao de leve, eu danço e pouso o meu pé!...