domingo, 22 de março de 2009

Riba e além do rio


Sou filha de um touro da lezíria verde
E de frágil papoila, da seara que dança.

Navego dentro da canoa de um rio...

O sangue é o trigo maduro que se ergue
E corre entre os ribeiros de água mansa.

Mas é na cidade que o sonho é quente e frio...

Sinto dentro de mim a força do animal
Em mim florescem flores que dão sinal.

Paz todos os dias, às marés eu suplico...

E neste desafio, as palavras eu edifico!


quarta-feira, 18 de março de 2009

Verdes


...no meio da serenidade das águas
dançam penas alvas de claridade
na paz que minh`alma, chora em saudade...

...aguarelas de verdes, escondem as mágoas!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Pedra Violeta


Tenho uma linda boneca de pedra

Deitada sobre suave almofada

Seu corpo envolto em lençol de seda

Seu sono leva voando, sonhos de fada.


Não lhe toco, não a olho, não lhe falo

Nem a quero acordar do seu leito

É de cor violeta feito um embalo

Embeleza o meu canto, ao seu jeito.


A ladainha, que escuta quando estou cansada

Talvez ela tenha para mim guardada

Quando sussurro baixinho, em meu querer.


Num dizer, em que me sinto desfalecer

Talvez ela seja uma primavera a crescer

Bonequinha, feita pedra que se faz amada!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Vida*


...um silêncio, um soluço, um suspiro, um ai...
lá em baixo no rio, uma onda a baloiçar
salpicou meus olhos, ao te pegar...
era então já de noite...
e também fazia luar...
Tu, o meu pequenino menino
fizeste do nosso estar, um eterno hino!

Mãe...aprendeste depois a me chamar!


* Para ti meu gatinho, sempre o doce do meu colinho

segunda-feira, 9 de março de 2009

Conjugação



Tu não vês que eu, amor não posso
Conjugar sentimentos dessa maneira
Eu queria utilizar a palavra no plural
Na primeira voz, não na terceira.

E sabendo tão pouco de gramática
Com receio até de cometer engano
Pela alegria do pouco, amizade fica
Pela dor de muito, o secreto dano.

Que importa agora afinal a conjugação
Se são eles que têm os verbos na mão
E nós, a vida que corre e nos não entende?

Chamar-te sem nome, é já consolação
Sentir-te sem tempo, doce recordação
Importa sim: amor que se não vende!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Fonte adormecida




Cá dentro brotam as palavras
de uma fonte adormecida
em que silêncio as fez guardadas...

palavras que na seca em procura
se beijaram com ternura
e me deixaram esquecida
numa Primavera, tão escondida!

As palavras...amadas
na poesia de almas aladas...

um silêncio, que as guardou
na aurora do azul a sonhar...

...um dia, alguém as levou!

E nasceram, asas, estrelas e luar!



sábado, 28 de fevereiro de 2009

Nudez



brindei com a lágrima, sentimento de nudez
e na brisa soprou um segredo feito bruma
responde-me! sublime eterno dos porquês...

um anjo do limbo, me enviou uma pluma...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Minhas letrinhas



As três letrinhas com que me chamam
São apenas duas vogais com consoante
Chamadas com carinho, pelos que amam
Pelos pais, leva mais uma linha adiante.

Filhos como é sabido, usam outras três
Com que bradam e me enfeitam todo o dia

Tem minhas amigas, por sua vez
Acham que têm de acrescentar a Maria.


Tem uma quatro patas que é cadelinha

Ladrando em pauta de sol maior

Com ãoão me chama, suave e meiguinha


No meio de um solfejo de música em coro

Tenho muitas outras a que respondo

Todas...sinfonia das vozes, que são tesouro!


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Amor


Queria pintar-te feito tela...em céu, em mar, numa flor
mas na tua ausência fugiu a minha inspiração!

Que faço agora? Tão difícil é, desenhar Amor!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Sem idade

Frágil como vermelha papoila ao vento
Dançando na seara de trigo maduro

Serpenteia num perpétuo e suave lamento

Chorando, quando do claro se faz escuro.

Numa dança suave, como sonho de menina
Com um pingo de verde sangue adolescente
Sonha e vive, entre o céu e a terra, sua sina

Um dia, vir a ser igual ao de outra tanta gente.

Ah, mendigo velhinho, vestido de saudade
Queres esconder ao certo a tua idade

E enfeitas tuas vestes, sem rumo no universo...


E depois com o sol, douras teus cabelos brancos
Perfumas as rugas com flores de eternos encantos

Com certezas cantas Amor, em balada de um só verso!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Tudo e nada


...o perfume do meu amor pelo teu

é como ouro, num tapete azul de veludo

um menino que se sente rei, sendo plebeu

a louca existência…de um nada ser tudo!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Baile nocturno

A noite estava escura, sem ouvidos

Noite vestida de suave lua cheia

E assim como quem passeia

Fui na procura, dos meus sentidos…


Entrei na água salgada e nadei

E na curva do mar com um golfinho conversei

Senti a magia em que Neptuno era rei

Ao som das ondas com os peixes dancei…

Quando já estava cansada cresceram-me asas e voei!


Só então percebi…estava a dormir e acordei!


Os sentidos? – Não sei, a lua cheia o baile encantou

E todos os meus segredos, num sorriso ela guardou!