sexta-feira, 31 de julho de 2009

Dança no areal


Olha...olha meu bem, para o dia
O céu está de um azul claro vestido
Com rendas de luz na maresia
Na serenidade do sossego apetecido!

Tem o mar no estendal do seu areal
A música de um solfejo desconhecido
Toda a melodia é um hino natural
A ternura que domina meu sentido!

Embalo-me no som das vagas a cantar
Gaivotas rodopiam e enfeitam meu sorriso
Vêm junto a mim, chamam para eu dançar...

Asas, num abraço de sal de doce paraíso
Um beijo de brisa purifica meu deleitar
Minha loucura, numa dança de improviso!

sábado, 25 de julho de 2009

Sede


Tanta água, que nasce no horizonte...
tanta gente, iluminada pela sede
com cântaros vazios junto à fonte!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Cansaço


Enrolo o corpo no ventre da magia...
Quero voltar a nascer diferente cria!

O espaço no germinar é de um puro leito...
Quem dera crescesse, em flor no meu peito!

domingo, 12 de julho de 2009

Paixão


Tanta ansiedade a nossa, meu amor
Beijava as horas, em que o sol aquecia
Iluminava os dias em nosso louvor
E nos trazia a lua, que nos despedia.

Pensei um dia, em nos fazer adormecer
De te fazer esquecer, esse sabor de mim
Tarde então percebi, que ao teu esquecer
Mais eu me lembraria de ti, assim.

Hoje estás longe, talvez ditoso...
Já sem a loucura da nossa ansiedade
Eu balanço na vida, deste chão sequioso!

Mas a que doce sabe, esta saudade...
Que se alimenta em recordar tão ansioso
Sabor que guardei na frescura da vontade!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Adeus


Deixei um adeus tão dorido, na partida!
Mas vi nos olhos teus...um dia se te encontrar
é como se nunca tivesse havido despedida!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Coração romã


Enrolei meu coração num trapinho de lã
Perfumei-o com aroma de verde hortelã
Atei-o com vime, trançado pela manhã!

Esperei a Lua, no céu se deitar
Vi o Sol a sorrir, no seu acordar
E na onda da maré, o atirei ao Mar!

Não sei se ele sabia para onde ir
Não perguntei se queria assim fugir
O desejo era proteger, o seu sentir...

Sentada na pedra salgada, vi-o partir
Queixume no ar, de quem parte a sonhar
Navegava em trapinho, corpo de romã...

Um dia, quem sabe...volta para mim
Cheio de saudade, num abraço sem fim!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Origens


Perdoa-se ao corpo a vertigem
Quando no alto o sentido se perde
Entra-se no pensamento virgem
E uma antiga ciência se ergue.

Não sei se mais cansa a subida
Pelos caminhos de pé trilhados
Se mais em ausência de vida
Os sonhos que acordam salgados.

Não sei, mesmo o porquê, não entendo
Ao corpo, que na caminhada se perde
À mente, o que a balança e domina?!...

Não sei, a pergunta envelhece crescendo
Que em interior despertou em tom verde
Morrendo, igual a um nascer de menina!...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Paz


No alto, gritei o nome da Deusa
E Ela no meu coração respondeu
Com suavidade e toda a Sua beleza!

Um sopro de serenidade se estendeu
E acarinhou a lágrima, com firmeza!

A brisa penteou os cabelos da serra
E o mar calçou os sapatos do infinito...

Eu?...eu, abracei a Paz na oração do grito!

sábado, 13 de junho de 2009

Enganos


Fui a correr junto de ti, no amanhecer
Queria ser a primeira a ver teu sorriso
Mas nas cordas da guitarra a gemer
O fado, na minha lágrima foi dorido

Não eras tu que me esperavas no saber
Não eras tu quem eu beijava no chorar
Alguém, que confundia o meu querer
Me seduzia pela troca de um olhar

Fui então para o meu jardim violeta
E lá fiquei muda e quieta à espreita
Que meu amor me viesse encontrar

Erro meu, erro teu...sentido, na procura
Cicatriz que coração sarou com amargura
Como encontrar, aquilo que se perdeu?

domingo, 7 de junho de 2009

Maresia de prata


Enfeito os cabelos com a tua cor
Visto tuas brumas e passeio a dor...

A lágrima salgada sabe-me a mel
Deito-me nos braços do teu batel...

E no silêncio oico o cântico de louvor
Melodia doce, em flauta de bisel...

Dádiva...em anel de prata, meu amor!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Verdade...ou talvez não


Entre a imensidão e o limite
Entre a luz e a escuridão...
fica a lágrima pendurada
num sinal de direcção!

Abraçada vida de condição...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Onde foi...


Para onde foi o meu poema
Aquele pequenino pedaço de sentir meu
Onde foi que guardaste a minha gema
E aquele fio de cabelo, no sorriso teu
Onde foi que escondeste a minha voz
Que segredou, no teu escutar de paixão
Onde deitaste aquele coração de nós
Que nascia entre o nascer de um condão
Foi num campo amarelo de espiga de pão?
Onde foi que nos guardaste, tão sós?!

Onde foi, meu amor, diz-me depressa
Que a solidão é um afago que tropeça
Eu já te procurei, na saudade dos campos
Onde bailavam nossos corpos pirilampos

Já o vermelho, de vida simples agitei
E no procurar tanto, nada encontrei

Será meu amor, que tudo perdi...pelo que te dei?!

sábado, 23 de maio de 2009

Adormeci


Alvas horas, num dia, num esboço
Se bebe um silêncio de mão vencida
Meu corpo está dentro de um poço
E não consegue encontrar a saída

Encostei-me à calçada da vida
Tanto sono que tenho em alvoroço
Mal me encontrando de tão dorida
Continuo acordada em esforço

Já pintei, já escrevi, mas não te vi
Já tudo fiz para sair deste feitiço
Cada hora que passa aumenta enguiço...

Que terá sido que me corpo não venceu
Este tão grande adormecimento que é seu
O saber desfalecer e dizer que está aqui...

(sonhou!...decerto acordada adormeci, meu dia noite ganhou...e só a Lua lhe sorri!)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Lágrima de luz

Cruzei as pernas e sentei-me no olhar
vi a Luz partir, tão devagar...
e o meu sorriso levezinho tomou banho no mar!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Ternura


...é um concentrado
silencioso
de som ou palavra...
Um olhar partilhado
na mesma direcção...
É uma força secreta
que vem do coração...
Momento suave e calmo
gesto, carícia ou afago!...

Sem tempo
na verdade de o ser...
Dar sem esperar receber
Partilhar, sem repartir
Força intensa de sentir!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Saudade


Um espinho cravado no peito
Como se fora alva lembrança
De uma pena que abraçamos

Que flor esta, que vem tão sem respeito
Na brancura leve, igual beijo de criança
Que vida serve, quando a enlaçamos

Que dor, que dor...embelezada...
Como nome bordado em toalha de linho
Como ave enfeitando forro de seu ninho
Que dor, que dor...tão balançada...

Não sei se a cante baixinho, ou a chore devagarinho...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Suspiros


Beijo-te em cada silêncio, que por nós passa
...e cada suspiro usará perfume, que por ti se enlaça...
passado, presente, futuro...tudo deixou de ser ameaça.

Todo o minuto vivido de acordo com o que por mim se solta
umas vezes em riso, outras em choro
...no Tempo é o tesouro
que me trás envolta...

Por perceberes que esquecimento
está fora da nossa jornada
te digo: bebe só o momento
que passa da noite, à madrugada...

um dia quem sabe, nos daremos
numa outra estrada
em abraços de outro pensamento
em murmúrio de vagas em alento...

Agora, apenas suspiramos no sussurro do vento...

domingo, 3 de maio de 2009

Amor


...uma entrega, uma carícia, um sem tempo
um ter e ser que nos deixa adormecer
sem conceito, de qualquer verbo perceber...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Bailado no rio


Danço com as lágrimas do meu rio
Pelas brumas, às gaivotas eu sorrio
Nua, sinto a pele como suave sereia
Ensaio a Valsa, desafio a lua cheia.

Num ensaio de passos, muito meu
O Tango rodopia em delírio de apogeu
Toco o céu, com Vivaldi, em Adágio
E o meu corpo namora com o rio.

Vem toda a música encantada, pelo ar
Abraçar feitiço, do meu leve momento
E os peixes se enfeitam de algas, a cantar

É a terra toda a festejar o evento
Até flores na margem vejo dançar
E por fim, subo ao infinito com o vento!


Imagem das minhas mãos com composição de amigo

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Vida **


Era a mais bela tarde, que me pôde acontecer
de todas as tardes quentes que a Vida possa ter

Tu vieste, no princípio do tempo me oferecer!

Era já tarde, mas tão cedo me trouxeste
a vontade parida em botão, de flor nascer

E no meu seio te deitaram, choraste
para o teu choro eu beber
e jamais connosco, ouve entardecer!

Tardes...as guardes, no Cântico do teu Viver!

**Para ti minha princesinha o condão da minha varinha