segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Lua


Ó lua nova que partiste, do cantinho teu
Não vás embora, sem te despedires no céu
Não vês que estou aqui sozinha, esperando
Notícias de um luar, que me vai tardando...
Vou deitar-me agora, lua feiticeira
Tenho junto a mim, janela à cabeceira
Um silêncio, que crescente vai chorando
Na saudade, que fica no céu esperando...

Ansiando o brilho da vela, de casa cheia!

Lua tão bela, no mar cantinho de sereia
Lua feiticeira das marés, que poetizas
Vem dizer porque tardam tuas brisas
Pedacinho de queijo, alvo doce em pão
Metade de sabor, que se come ao serão
Quando te venero, quando te espero
Falsas noites que entrançam o desespero
Vem lua cheia, vem depressa que te quero...

Sei que tu, no céu em castelo, espreitas por ameia!

Vem lua cheia, é preciso que guies com carinho
Aquela menina, que se perde no seu caminho!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Beijo da manhã


Com raminho de salsa e hortelã
Atado com um pedacinho de lã
Perfumei o teu beijo de Outono
Que me chegou pela manhã!
Tinha um suave toque de veludo
A doce brisa de um vento mudo
Deixei-o atado, sem abandono...
Era um beijo, cheio de tudo!

Dentro do laço que o apertou
Sentiu-se preso e chorou
Oh meu beijo de perdição
Tanto padeces por quem te amou!
Não, assim não, não te prendo
Não te compro, nem te vendo
Vou levar-te ao vale do coração
Solto, terás portas abertas, querendo...

Se te soltares em mim, no aconchego
Com suave toque, ao pé de ti me chego
Beijo, que me coroaste em suave manhã!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sonho meu


Se tu soubesses, meu amado
Se tu soubesses sonhar...
Os dois fugiríamos a cavalo, pelo prado
Na procura do mistério, a germinar

Se tu soubesse, meu amado
Se tu soubesses voar...
As asas brancas seriam nosso voo alado
Na procura do infinito, sem findar

Se tu soubesses enfim, amado meu
O que eu sou para ti, e tu para mim
E o que existe, para além do imaginado...

Se tu soubesses, como sonho no céu
Que beleza seria o mundo! - enfim:
Um mundo azul, de sonho encantado!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Melancolia


Sereno encanto, do meu rio
Pelo nevoeiro abençoado...

Navegando na minha melancolia, a água
Lágrima que beija a foz, que suave desagua
Vem afagar as brumas do meu passeio
Que se cruzam, com barcos de recreio!

Vem bailando meu rio, mesmo cheio de frio...

Vem! Em segredo na proa erguida de navio
Acertar um balançar, que te torna meu amado!

domingo, 27 de setembro de 2009

Coração Outonal


No seio de braços doridos, pernas adormecidas
Em recordações de esperanças afogadas por soluços
Mente cansada que sofre, de insónias perdidas
O coração que na solidão, segura força pelos pulsos.

Se erguem tons amarelecidos, seguindo exemplo
Vertem-se labaredas de cinzas, como chuvas
E o corpo lavado pelas brumas, no templo
Canta odes, faz amadurecer esperadas uvas.

E o tempo no enleio, fermentando o doce da fruta
Desencadeia sentido feitiço, do fogo em gestação
E por dentro nasce um medo, que semeia a luta...

Quisera ter conhecimento outrora, ternura em sagrado serão
Naquela velha primavera que era vida, sem permuta...
Hoje, em alvo entardecer, moraria tranquilo meu coração!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Esperas


...e coloco os pés em descanso!
Na espera, do ribeiro manso
...e pisando ainda a pedra fria
em sonho,
na magia do tempo, o alcanço!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ansiedade


No seio da mãe ansiedade
qual lágrima de fonte
No rosto bate uma verdade
de incerteza, no horizonte...
Olho-me no tempo a correr
olhos de água, a nascer
na fonte que não dá de beber...
Quem sabe se tudo não passa
de sonho mau acontecer??!!
Quem sabe??!!...
Um dia depois do outro
como a brisa no ar esvoaça
o tempo virá ao encontro
me salpicará com graça
e na fonte da ansiedade
dançará a tranquila paz...
Flor, não morrerá com sede!
Quem sabe??!!...
Só no tempo, a escrita jaz!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Um dia


Sobre a serra em maré viva, sinto a brisa do teu cheiro
Na tua entrega, corpo e alma, te sinto por inteiro
Apetece-me dizer-te em silêncio: um dia...
Um dia, quero ser magia a voar na natureza
Beijar flor de canteiro, que é fadada de incerteza!

sábado, 29 de agosto de 2009

Meu Anjo


Quis ver-te entre o colorido céu da vida
Quis que fosses meu azul, essa cor sentida
Mas voavas tão alto, meu anjo imaginário
E eu com o pé na terra, ainda em calvário.

Sonhava-te de dia e noite, com desejo
Em doce melodia, ensaiava em solfejo
Anjo azul, cada vez mais em cenário
Só esperança, acalmava o meu rosário.

Tentei chamar-te outras cores, anjo azul
Tentei iludir teu condão, colorindo a dor
Tentei, estavas protegido por véu de tule...

Enfeitei então navegar, usando o meu amor
Procurei-te na noite, na Estrela do Sul
E de dia encontrei-te, pintado em verde cor!

(Anjo azul, ou verde (?!)
Tanto que a minha prece,
sedenta de sede,
em ti, na procura se perde!)

sábado, 22 de agosto de 2009

Defeito ou feitio


Porque me enganas tu, meu bem?!
Não vês que dentro de mim tu estás
E no engano, tu te magoas também?!

Tanto machucar vai no engano
Dano que me põe a chorar
Que cai em dor, suja teu pano!

Como será um dia, meu bem...se não existires em ninguém?!

domingo, 16 de agosto de 2009

Amizade*


Quando nasce Amizade em mim
Oiço ao longe sinais de alerta de clarim...

- Meu coração se veste todo de cetim!

*Oiço...no Agosto em sonho de Verão
Vozes quentes que afagam um serão

sábado, 8 de agosto de 2009

Ausências


Vestida de sol, mas sangrando de dor
Assim ela espelhava seu doce amor
Chorava pétalas de sofrida ausência
Com um sorriso que doava essência.

Alma tão solitária, o dia lhe sentia
Mas seu rosto era de pura simpatia
Na manhã clara se vestia para a luz
De noite a lua era um sinal da cruz.

Vestia assim, véu que mais a protegia
E para que ninguém percebesse a cor
Enfeitava o seu rosto de rubra magia!

Não sei se chorava, quando em flor
Tão disfarçadamente, quando sorria
Mas seu coração: - Sofria por amor!

* Imagem oferecida por amizade sentida!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Dança no areal


Olha...olha meu bem, para o dia
O céu está de um azul claro vestido
Com rendas de luz na maresia
Na serenidade do sossego apetecido!

Tem o mar no estendal do seu areal
A música de um solfejo desconhecido
Toda a melodia é um hino natural
A ternura que domina meu sentido!

Embalo-me no som das vagas a cantar
Gaivotas rodopiam e enfeitam meu sorriso
Vêm junto a mim, chamam para eu dançar...

Asas, num abraço de sal de doce paraíso
Um beijo de brisa purifica meu deleitar
Minha loucura, numa dança de improviso!

sábado, 25 de julho de 2009

Sede


Tanta água, que nasce no horizonte...
tanta gente, iluminada pela sede
com cântaros vazios junto à fonte!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Cansaço


Enrolo o corpo no ventre da magia...
Quero voltar a nascer diferente cria!

O espaço no germinar é de um puro leito...
Quem dera crescesse, em flor no meu peito!

domingo, 12 de julho de 2009

Paixão


Tanta ansiedade a nossa, meu amor
Beijava as horas, em que o sol aquecia
Iluminava os dias em nosso louvor
E nos trazia a lua, que nos despedia.

Pensei um dia, em nos fazer adormecer
De te fazer esquecer, esse sabor de mim
Tarde então percebi, que ao teu esquecer
Mais eu me lembraria de ti, assim.

Hoje estás longe, talvez ditoso...
Já sem a loucura da nossa ansiedade
Eu balanço na vida, deste chão sequioso!

Mas a que doce sabe, esta saudade...
Que se alimenta em recordar tão ansioso
Sabor que guardei na frescura da vontade!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Adeus


Deixei um adeus tão dorido, na partida!
Mas vi nos olhos teus...um dia se te encontrar
é como se nunca tivesse havido despedida!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Coração romã


Enrolei meu coração num trapinho de lã
Perfumei-o com aroma de verde hortelã
Atei-o com vime, trançado pela manhã!

Esperei a Lua, no céu se deitar
Vi o Sol a sorrir, no seu acordar
E na onda da maré, o atirei ao Mar!

Não sei se ele sabia para onde ir
Não perguntei se queria assim fugir
O desejo era proteger, o seu sentir...

Sentada na pedra salgada, vi-o partir
Queixume no ar, de quem parte a sonhar
Navegava em trapinho, corpo de romã...

Um dia, quem sabe...volta para mim
Cheio de saudade, num abraço sem fim!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Origens


Perdoa-se ao corpo a vertigem
Quando no alto o sentido se perde
Entra-se no pensamento virgem
E uma antiga ciência se ergue.

Não sei se mais cansa a subida
Pelos caminhos de pé trilhados
Se mais em ausência de vida
Os sonhos que acordam salgados.

Não sei, mesmo o porquê, não entendo
Ao corpo, que na caminhada se perde
À mente, o que a balança e domina?!...

Não sei, a pergunta envelhece crescendo
Que em interior despertou em tom verde
Morrendo, igual a um nascer de menina!...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Paz


No alto, gritei o nome da Deusa
E Ela no meu coração respondeu
Com suavidade e toda a Sua beleza!

Um sopro de serenidade se estendeu
E acarinhou a lágrima, com firmeza!

A brisa penteou os cabelos da serra
E o mar calçou os sapatos do infinito...

Eu?...eu, abracei a Paz na oração do grito!