explosão de cor no meu sentido interior como o sol a desenhar arco-irís de amor vindo da noite, que sonhava sem luz docemente em arco que se seduz cresceu quente e ganhou verde amor abriu as fronteiras de alma em flor e desfazendo algum mal da vida limpou a dor, como se fosse ferida...
não sei como depois ficou meu ser porque da explosão, nasceu adormecer nas asas da luz que transbordou a faísca do sentir em brasa acalmou e o frio que era tanto e tão espinhoso como magia, feito clarão gracioso aqueceu meus pés, aqueceu meu coração e fiquei a dormir, como se fosse alucinação...
e tão quieta fiquei na senda de Morfeu que até seu pai Hipnos, se enterneceu me deixou dormir, no meio de ébano em flor e eu cresci dentro do sonho, segredando amor!
Os aniversários (dizem) são quando se faz anos disto ou aquilo. Hoje, e para ser diferente e porque haverá por aí muita gente que provavelmente se interrogará: - será que ela escreve uma palavrita a direito, sem lá a enfeitar com a rima? - vim de forma corrida...ah, mas não prometo deixar de rimar…quando se começa, é difícil terminar! :)
E…troco pela minha rima, um sorriso aqui e ali, numa alma cansada, uma dor mal amanhada, um desafio à vida, numa lágrima perdida…enfim, quando criei este espaço, trazia na ideia o desejo de partilhar os versos, com que tanto me identifico, que escrevo quando medito, que escrevo no tempo, que já nem sei se tem tempo que não sabia escrever…sei que a maior parte dos meus visitantes compreende o que falo…digo que sei, porque muitos aprendi a respeitar pela sua maneira de ser e de se expressar…sim, porque aqui só usamos a palavra e pouco mais…e porque já diria alguém: - “em cada palavrinha escrita, deixamos um pedacito da nossa pele” - e por isso hoje decidi então deixar por aqui ao abandono da ideia, sem ter de pensar em rima para ela, a minha pura dedicação e o meu muito obrigada a todos que ao longo deste ano, foram uma companhia querida. Uns permaneceram, outros chegaram e partiram, outros resolveram apenas passar em silêncio…afinal a todos tenho de agradecer! Pouquitos mas muito bons, tenho a dizer! :)
OBRIGADA PELO CARINHO QUE ME TÊM DADO!
Ah, essa aí de cima sou eu, junto do Mar claro, podia lá ser de outra forma?!:)…o Sal tempera e como lágrimas eu deito tantas, na minha pura “lamechice”, onde melhor “enterrá-las” do que no sítio mais temperado que banha a terra num sussurro tão “poetizado”?!…e vou, que se faz tarde…e vou tentar não desapontar…afinal tudo tem um propósito...trocar poesia, pela vossa alegria e simpatia…e dar a esse espaço de troca, a Paz que temos na mão e deixamos fugir sem dar conta, aí pelos atalhos…pois que seja e fique, com muito doce no coração!
E fica meu beijo, a todos que cruzaram as portas do “baile” como uma dança de salão!...umas vezes valsa, outras tango, outras milonga…e porque não moderna, folclore, quizomba…mas sempre dançando com uma flor que deixa no ar o perfume do carinho, salpicado por amor!...seja hoje, amanhã ou quando for…seja!…um dia se terminar espero ser com uma chave de ouro, em que guardarei tudo dentro de minha arca como se se tratasse de um tesouro!!!!
Qual gotinha de cristal, se debruçavam de duas varandas que enfeitavam... - não, não tinham janelas, nem cinderelas! tinham apenas um olhar, somente delas.
Também não eram de chuva, nem fonte nem do mar sabiam o seu horizonte... eram apenas gotinhas e nada mais preciosas só na origem de seus ais.
E foi assim, que caíram devagarinho das varandas que enfeitavam em beirais um toque suave, um gemido, nada mais...
Na sua queda qual balada de mansinho como o soar de piar de belos pardais enfeitaram coração, ao som de seus ideias!
Hoje tenho frio, tanto frio desenhado que trago num robe branco enfeitado com a pura lã, feita algodão uma poção de calor entranhado num interior que me aquece o coração... Trago no meio do frio, uma vela acesa para iluminar com mestria a Natureza e afagar com carinho algum senão que ilumina o caminho da mão... E vai iluminar o meu grande desejo de levar, qual calor de puro beijo a quem está a crescer na ansiedade que vive a solidão, da qual cidade... Do mundo, tão perto e tão longe de mim que tem dias em que o frio é tanto assim que poção vem, em forma de poesia e faz nascer sentimento, na alquimia entregando ao seu destino, uma flor que passeia no frio, dentro do meu calor...
Lá no fim do nunca, no meio do faz de conta Para onde outrora, a memória reside e aponta Assistem lembranças, do carinho das crianças E na roda da ciranda bela, giram temperanças.
Não, não sei se por magia, tempo ou saudade Vêm à memória as brincadeiras da doce idade Patinam escondidas, pelos muros desta cidade Na falta da suavidade, de uma doce liberdade.
Solta-se o nosso grito, tão surdo, oculto e mudo Que trepa num aparato, feito de nada e de tudo Servindo o nosso tempo ilusão, caminhos ledos E a gente cresce, enfrentando segredos e medos.
E carregando as mágoas do amarrotado coração Vêm-se os sonhos almejados, varridos pelo chão Procurando no desespero, suavidade em doce mão E na lágrima que cai, a procura de algum perdão.
E condimentando, canto onde se esconde a magia Em regato, saltita o sangue em terra húmida e fria E esquece-se a dor, embrulhando mel, a cada dia...
Lá no fim do nunca, no meio do faz de conta Para onde um sorriso, ainda se afoita e apronta Lá, onde o nunca é quase tudo e o nada se remonta...
Luar que chegas escondido, minha luz encantada Que iluminas um nosso final, uma nossa chegada Lua Cheia, ilumina nossa numérica passagem!
Dos que vêm, dos que estão, desta nossa viagem Luar de fim de Dezembro, cântico de Janeiro primeiro Faz com que durma suave no céu, nosso mundo inteiro!
Quando eu tinha um sorriso assim e sonhava que morava em mim...
quando as estrelas cantavam e os olhos brilhavam quando era a melhor prenda, carinho que me davam era mundo lindo na quimera nascida, feito de marfim todas as gentes se uniam, em doce sorriso carmim...
quando eu tinha um sorriso assim... sorriso que encontrei na aurora do fim!
Um beijo de outrora, que guardei...e vos entrego agora!
Quando as culpas necessitam de um corpo E as vestes da alma habitam em desencanto Quando tudo que me invade está só e morto E margens de segredo são lágrimas de canto.
Quando o pensamento em desalento chora E os dias passam despidos de vida, vivida Quando o coração por momentos não mora E os sentidos adormecem na crosta da ferida.
Meu amor, meu amor o teu ombro anseio Na culpa que veste a alma de encanto Passeio a ilusão e partilho teu espanto...
Meu amor, meu amor deita-me no teu seio Deixa que lave a ansiedade no enleio Prometo, um só segundo serei teu manto!
Aqueles olhinhos humildes me olhavam Na sua tez pálida e triste, alma escrava Vestidos como a noite escura brilhavam Só a luz da lua, no seu segredo igualava.
Estendi os dedos um pouco a medo de magoar Pois não sabia, como acariciar seu coração Tão triste e só, me falava aquele seu tenro olhar Senti-me indefesa, na procura de algum perdão.
Queria tanto um só instante, ser a luz que iluminasse Queria enfim, pedir ajuda a toda a gente que passasse A ternura e sustento, daqueles olhos que hipnotizavam
Sem brilho na dor da ilusão, meus olhos acompanhavam Pobreza, a que jamais esquecerei porque me desafiavam Cálido pedido: - que o mundo efémero, todo se emendasse!
Agora que o sol já saiu a passear E a noite veio na voz, em seu lugar Agora que a luz da candeia acende E o silêncio da vida se surpreende Agora meu bem...é só escutar... Ouvir baixinho a voz do velho mar Como se a vida toda fosse breve estar... Não, não oiças os meus soluços São apenas ternuras de impulsos Que ao mar, meus olhos gostam de dar... Ouve os seixos, meus sorrisos a marulhar E deixa-te embalar....as vagas das marés Que suavizam o corpo, beijando os teus pés No meu mar tão azul, branco véu, céu de tule... Ouves meu bem?... é só escutar... A voz...na noite em que não havia luar Com meu sorriso chegava, para te embalar!
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS (Terei de fazer intervalo que o pc está doente e ainda não sei como tratá-lo) - Deixo meu beijo enfeitado pela flor -
Nas patas uns cascos puros de ouro anilado Seu trotar era cantar de estrelas aladas Focinho tinha beijo, de sonho desenhado.
Era o branco, mais branco, feito de luar Um relinchar tão belo, como se ária fosse A lágrima de prata, num sagrado altar A ternura de um sentir, do mel mais doce.
Não sei se a alguém, aparecia ao amanhecer Porque tanta era a vez, que o via ao anoitecer Um vulto que me cegava, ledo me encantava...
Ah, fosse eu supernova de azul, em abrigo Faria que ele trotasse, sempre comigo Menina que fui, ainda hoje o acompanhava!
Sabes?...fazes-me falta, sabes? Naqueles dias, que furtivos sabias... Agora...agora já não...já não me vias! Eram olhares, eram fadigas repartidas E os nossos braços afastados E depois, tão escondidos...abraçados! Sabes?...sei que sabes... É no silêncio que me cantas suaves odes Sei, sabes...sabes, mas não podes! Não faz mal...fazes-me falta! E isso que importa? Se meu coração salta Quando penso nos teus braços à minha volta... Importa? Não...claro que não Também sei, o quanto o teu coração Chorou tanta vez, à minha porta! Então...fazes-me falta, sabes? Tenho saudade de te ouvir Quando me chamavas miúda E minhas lágrimas limpavas Da minha tez branca e sisuda... E tu?...quem te contava os segredos Que tinhas escondidos nos teus medos? Fazemos-nos falta...e então?! Sabes...um dia, sonhei que também sonhavas... E que abraçávamos a falta, no meio de rubras lavas Lá no horizonte, num dia de Agosto Onde as lágrimas sabiam a doce mosto E a tua mão procurava a minha Lá, no fim...sabes?...castelo de rei e rainha... Sei...fui eu que me afastei...sabes, menino crescido? Um de nós, escolheu o sonho...um sonho enternecido! O outro? O outro vive, quem sabe... por aí adormecido!
Ó lua nova que partiste, do cantinho teu Não vás embora, sem te despedires no céu Não vês que estou aqui sozinha, esperando Notícias de um luar, que me vai tardando... Vou deitar-me agora, lua feiticeira Tenho junto a mim, janela à cabeceira Um silêncio, que crescente vai chorando Na saudade, que fica no céu esperando...
Ansiando o brilho da vela, de casa cheia!
Lua tão bela, no mar cantinho de sereia Lua feiticeira das marés, que poetizas Vem dizer porque tardam tuas brisas Pedacinho de queijo, alvo doce em pão Metade de sabor, que se come ao serão Quando te venero, quando te espero Falsas noites que entrançam o desespero Vem lua cheia, vem depressa que te quero...
Sei que tu, no céu em castelo, espreitas por ameia!
Vem lua cheia, é preciso que guies com carinho Aquela menina, que se perde no seu caminho!
Com raminho de salsa e hortelã Atado com um pedacinho de lã Perfumei o teu beijo de Outono Que me chegou pela manhã! Tinha um suave toque de veludo A doce brisa de um vento mudo Deixei-o atado, sem abandono... Era um beijo, cheio de tudo!
Dentro do laço que o apertou Sentiu-se preso e chorou Oh meu beijo de perdição Tanto padeces por quem te amou! Não, assim não, não te prendo Não te compro, nem te vendo Vou levar-te ao vale do coração Solto, terás portas abertas, querendo...
Se te soltares em mim, no aconchego Com suave toque, ao pé de ti me chego Beijo, que me coroaste em suave manhã!
Sereno encanto, do meu rio Pelo nevoeiro abençoado...
Navegando na minha melancolia, a água Lágrima que beija a foz, que suave desagua Vem afagar as brumas do meu passeio Que se cruzam, com barcos de recreio!
Vem bailando meu rio, mesmo cheio de frio...
Vem! Em segredo na proa erguida de navio Acertar um balançar, que te torna meu amado!
"Não tenhas medo, ouve: É um poema Um misto de oração e de feitiço... Sem qualquer compromisso, Ouve-o atentamente, De coração lavado. Poderás decorá-lo E rezá-lo Ao deitar, Ao levantar, Ou nas restantes horas de tristeza Na segura certeza De que mal não te faz. E pode acontecer que te dê paz..."