Olha a pérola miudinha que corre por carreirinho como aquela fonte prata... Vem meu amor acolher o corpo do meu dizer debaixo da luz que se aparta... Sabes, hoje vai ser lua cheia o sol primaveril vai a fugir cantando sua amada tocata... A noite é um corpo de negro que nos envolve em segredo e a lua canta uma serenata...
Dois apaixonados...tão afastados Fulgor...e a maré em som de catarata!
E o anjo alou e ao céu voltou e a sua ternura ele me deixou!
E eu que assim, ando bailarina Musa de ondas violetas Com alquimias secretas... Um anjo de branca batina Com asas jeito brisa de marfim Veio sentar-se juntinho de mim... Pousou em meus sonhos de menina Toda a graça em quimera bondade Beijou-me, com néctar sem ter idade...
E eu sorri... carinho intenso como perfume de jasmim!
Assim quase um nada Como a lágrima Que rola em solidão Mas só dentro do coração Que olha através da janela A chuva, a brisa, feita sentinela Num quadro de plena apatia Em que não falta utopia Dos silêncios medrosos Que vêm bem buliçosos... Hoje acordei sem anjo por perto Para afagar o meu deserto E tive saudades de ti... Tantas, tantas...que quase morri!
Não fujas maré de água viva, em chama Que em fogo lento, tua brisa vai no vento Fica pertinho de mim, me toca, me ama Deixa-me beber em teu corpo de sustento.
Não fujas luar de Janeiro em corpo inteiro Nesse azul de rosa, que vai no firmamento Deixa junto a mim, sabor maior feiticeiro Fica pertinho de mim, sê o meu convento.
Quero-te tanto e mais, em tal envolvimento Que não sei cantar as trovas do pensamento Só sinto o Verbo a nascer, por dentro a doer...
Fica pertinho de mim, quero de ti beber... Farei para que no estar, possas entardecer E só Afrodite suspire no nosso casamento!
Na página aberta de ecrã de branca luz a letra bordada de romance ponto de cruz no cimo do livro que leu "era uma vez" lhe veio lembrança da vida que se fez evocando aurora, navegando no passado cresceu, ficou sem nome e cantou seu fado!
Era azul, era poema, era dor, era solidão giesta, amor-perfeito, dente-de-leão era cor de paisagem a suar maresia que no topo da serra, uma árvore floria era barro de lama, num corpo com frio que no tempo do fogo se aninhou e sorriu!
Era tudo era nada, no cimo de alta alvorada contando seu tempo, na sebenta amarelada jardinando na estrada de estreito caminho... um dia, página aberta de um livro sem lombada abraçou pétalas e pedras do amor sozinho e cantou destino, como deleitoso mosto de vinho!
Uma flor bordada a seda branca no espaço Tinha dias e dias de cansaço debruçada Sonhava entre a cor da paz do seu regaço Abraçar o quente e a luz na sua estrada.
Não que o sol lhe faltasse todos os dias Porque de vez em quando ele lhe sorria Mas por vezes eram tantas as fantasias Que zangado de seus devaneios, ele fugia.
Ah, sol não te vás embora agora, prometo Entre estes meus sonhos de flor bordada Aquietar-me com meus segredos, abrigada...
E no azul do céu, com a tua cor tão dourada Flor só será, em branca cor no teu puro leito Sempre atenta, ao amor carente do meu peito!
Perfil de vermelho armado na luz de dor em cinza Um rio que convida, num esperar de curta viagem Um cinzento brumoso, as nuas árvores agoniza Conversando igual, com vozes doutra margem.
Pára a vida, numa chuvinha que alumia Uma tarde que parece um texto de sono Rodando, o barulho do piso é sinfonia Que se ouve, em lamento de abandono.
E passam fios, passam ventos, passam cinzentos Passam frios bem entrelaçados dentro do peito E a tarde se deita, com vontade da noite em jeito...
E corre na velocidade aquele brilho tão perfeito De uma lágrima que enfeita a chuva em lamentos E o Tempo diz: - cinza tem também seus momentos!
Guardo as pedrinhas todas do meu crescer Faço com elas a pulseira de um cântico novo Como se um dia, me pudessem valer... No afagar que me levará com elas no Tempo Fazendo uma ode a quem faz parte do povo Uma brisa, um vento, um lamento...
e um dia...enfeitarei a terra, a quem darei o meu ser!
explosão de cor no meu sentido interior como o sol a desenhar arco-irís de amor vindo da noite, que sonhava sem luz docemente em arco que se seduz cresceu quente e ganhou verde amor abriu as fronteiras de alma em flor e desfazendo algum mal da vida limpou a dor, como se fosse ferida...
não sei como depois ficou meu ser porque da explosão, nasceu adormecer nas asas da luz que transbordou a faísca do sentir em brasa acalmou e o frio que era tanto e tão espinhoso como magia, feito clarão gracioso aqueceu meus pés, aqueceu meu coração e fiquei a dormir, como se fosse alucinação...
e tão quieta fiquei na senda de Morfeu que até seu pai Hipnos, se enterneceu me deixou dormir, no meio de ébano em flor e eu cresci dentro do sonho, segredando amor!
Os aniversários (dizem) são quando se faz anos disto ou aquilo. Hoje, e para ser diferente e porque haverá por aí muita gente que provavelmente se interrogará: - será que ela escreve uma palavrita a direito, sem lá a enfeitar com a rima? - vim de forma corrida...ah, mas não prometo deixar de rimar…quando se começa, é difícil terminar! :)
E…troco pela minha rima, um sorriso aqui e ali, numa alma cansada, uma dor mal amanhada, um desafio à vida, numa lágrima perdida…enfim, quando criei este espaço, trazia na ideia o desejo de partilhar os versos, com que tanto me identifico, que escrevo quando medito, que escrevo no tempo, que já nem sei se tem tempo que não sabia escrever…sei que a maior parte dos meus visitantes compreende o que falo…digo que sei, porque muitos aprendi a respeitar pela sua maneira de ser e de se expressar…sim, porque aqui só usamos a palavra e pouco mais…e porque já diria alguém: - “em cada palavrinha escrita, deixamos um pedacito da nossa pele” - e por isso hoje decidi então deixar por aqui ao abandono da ideia, sem ter de pensar em rima para ela, a minha pura dedicação e o meu muito obrigada a todos que ao longo deste ano, foram uma companhia querida. Uns permaneceram, outros chegaram e partiram, outros resolveram apenas passar em silêncio…afinal a todos tenho de agradecer! Pouquitos mas muito bons, tenho a dizer! :)
OBRIGADA PELO CARINHO QUE ME TÊM DADO!
Ah, essa aí de cima sou eu, junto do Mar claro, podia lá ser de outra forma?!:)…o Sal tempera e como lágrimas eu deito tantas, na minha pura “lamechice”, onde melhor “enterrá-las” do que no sítio mais temperado que banha a terra num sussurro tão “poetizado”?!…e vou, que se faz tarde…e vou tentar não desapontar…afinal tudo tem um propósito...trocar poesia, pela vossa alegria e simpatia…e dar a esse espaço de troca, a Paz que temos na mão e deixamos fugir sem dar conta, aí pelos atalhos…pois que seja e fique, com muito doce no coração!
E fica meu beijo, a todos que cruzaram as portas do “baile” como uma dança de salão!...umas vezes valsa, outras tango, outras milonga…e porque não moderna, folclore, quizomba…mas sempre dançando com uma flor que deixa no ar o perfume do carinho, salpicado por amor!...seja hoje, amanhã ou quando for…seja!…um dia se terminar espero ser com uma chave de ouro, em que guardarei tudo dentro de minha arca como se se tratasse de um tesouro!!!!
Qual gotinha de cristal, se debruçavam de duas varandas que enfeitavam... - não, não tinham janelas, nem cinderelas! tinham apenas um olhar, somente delas.
Também não eram de chuva, nem fonte nem do mar sabiam o seu horizonte... eram apenas gotinhas e nada mais preciosas só na origem de seus ais.
E foi assim, que caíram devagarinho das varandas que enfeitavam em beirais um toque suave, um gemido, nada mais...
Na sua queda qual balada de mansinho como o soar de piar de belos pardais enfeitaram coração, ao som de seus ideias!
Hoje tenho frio, tanto frio desenhado que trago num robe branco enfeitado com a pura lã, feita algodão uma poção de calor entranhado num interior que me aquece o coração... Trago no meio do frio, uma vela acesa para iluminar com mestria a Natureza e afagar com carinho algum senão que ilumina o caminho da mão... E vai iluminar o meu grande desejo de levar, qual calor de puro beijo a quem está a crescer na ansiedade que vive a solidão, da qual cidade... Do mundo, tão perto e tão longe de mim que tem dias em que o frio é tanto assim que poção vem, em forma de poesia e faz nascer sentimento, na alquimia entregando ao seu destino, uma flor que passeia no frio, dentro do meu calor...
Lá no fim do nunca, no meio do faz de conta Para onde outrora, a memória reside e aponta Assistem lembranças, do carinho das crianças E na roda da ciranda bela, giram temperanças.
Não, não sei se por magia, tempo ou saudade Vêm à memória as brincadeiras da doce idade Patinam escondidas, pelos muros desta cidade Na falta da suavidade, de uma doce liberdade.
Solta-se o nosso grito, tão surdo, oculto e mudo Que trepa num aparato, feito de nada e de tudo Servindo o nosso tempo ilusão, caminhos ledos E a gente cresce, enfrentando segredos e medos.
E carregando as mágoas do amarrotado coração Vêm-se os sonhos almejados, varridos pelo chão Procurando no desespero, suavidade em doce mão E na lágrima que cai, a procura de algum perdão.
E condimentando, canto onde se esconde a magia Em regato, saltita o sangue em terra húmida e fria E esquece-se a dor, embrulhando mel, a cada dia...
Lá no fim do nunca, no meio do faz de conta Para onde um sorriso, ainda se afoita e apronta Lá, onde o nunca é quase tudo e o nada se remonta...
Luar que chegas escondido, minha luz encantada Que iluminas um nosso final, uma nossa chegada Lua Cheia, ilumina nossa numérica passagem!
Dos que vêm, dos que estão, desta nossa viagem Luar de fim de Dezembro, cântico de Janeiro primeiro Faz com que durma suave no céu, nosso mundo inteiro!
Quando eu tinha um sorriso assim e sonhava que morava em mim...
quando as estrelas cantavam e os olhos brilhavam quando era a melhor prenda, carinho que me davam era mundo lindo na quimera nascida, feito de marfim todas as gentes se uniam, em doce sorriso carmim...
quando eu tinha um sorriso assim... sorriso que encontrei na aurora do fim!
Um beijo de outrora, que guardei...e vos entrego agora!
Quando as culpas necessitam de um corpo E as vestes da alma habitam em desencanto Quando tudo que me invade está só e morto E margens de segredo são lágrimas de canto.
Quando o pensamento em desalento chora E os dias passam despidos de vida, vivida Quando o coração por momentos não mora E os sentidos adormecem na crosta da ferida.
Meu amor, meu amor o teu ombro anseio Na culpa que veste a alma de encanto Passeio a ilusão e partilho teu espanto...
Meu amor, meu amor deita-me no teu seio Deixa que lave a ansiedade no enleio Prometo, um só segundo serei teu manto!
Aqueles olhinhos humildes me olhavam Na sua tez pálida e triste, alma escrava Vestidos como a noite escura brilhavam Só a luz da lua, no seu segredo igualava.
Estendi os dedos um pouco a medo de magoar Pois não sabia, como acariciar seu coração Tão triste e só, me falava aquele seu tenro olhar Senti-me indefesa, na procura de algum perdão.
Queria tanto um só instante, ser a luz que iluminasse Queria enfim, pedir ajuda a toda a gente que passasse A ternura e sustento, daqueles olhos que hipnotizavam
Sem brilho na dor da ilusão, meus olhos acompanhavam Pobreza, a que jamais esquecerei porque me desafiavam Cálido pedido: - que o mundo efémero, todo se emendasse!
"Não tenhas medo, ouve: É um poema Um misto de oração e de feitiço... Sem qualquer compromisso, Ouve-o atentamente, De coração lavado. Poderás decorá-lo E rezá-lo Ao deitar, Ao levantar, Ou nas restantes horas de tristeza Na segura certeza De que mal não te faz. E pode acontecer que te dê paz..."