Na escuridão já se vestia de alva luz Compunha seus cabelos de cor de prata Deitava os olhos ao que na vida a seduz Dormia acordada com seu doar, grata.
Soltei-lhe um beijo, de mãe e de filha Na cor do sono que por mim passeava Sonhei um descanso como serena ilha Sabendo a pureza que me enlaçava.
Faço uma pausa, olhando a vidraça Caiu-me uma pétala de luz negaça Que me atraiu e com ela me fez dançar...
Já não sei se a dormir, se a acordar Na sua protecção me senti rodopiar E bebi do mar, da sua gentil graça!
Às vezes corro pelo meu mundo aceso Numa dor que afasta todo o medo E cinge a tua ausência num gesto preso Sem despertar do nosso segredo... E falo, falo sem termo nem medida Para a solidão interior da longa avenida Que é o recanto da alma, minha guarida... Às vezes palmilho léguas dentro de mim Tantas vezes presa a um frenesim Que teço e transformo em sedoso cetim... E conto as longas esperas, nas esferas Labirintos em que me embrulho na saudade E paira por dentro, naquele gesto da verdade Que traduz a monotonia das minhas esperas... Às vezes já não sei, se era eu que te lembrava Se és tu, que já me esqueces e nada te recordava... Às vezes penso, que só às vezes tenho a sensação Que ao olhar o rosto de um estranho vazio Encontro quase cem anos de vida, presa por um fio... Às vezes...sabes?! Em Lisboa vejo o Tejo Vejo as pessoas todas em sério e sombrio cortejo Subo as calçadas das ruelas antigas Desço jardins com janelas floridas... E penso: (só às vezes!) onde guardaste aquele coração Que nunca mais eu vi em nenhum corpo, desde então?!
Com minha mão a tremelicar os passaritos a desenhar...
Pardalitos a trinar, por entre as árvores Num som bem caprichado e tão repetido Como se a Primavera lhes doasse ares No seu andar tão apaixonado e cerzido
Ouvir sua sinfonia, como é certeza Que lhes envia a apaixonada Natureza Um passo de mansinho pelo tempo Se ouve em balada de pedido alento
Vem pardalito, vem pousar à minha beira Quero beber de ti esse teu rodopiar E bordar minha vida com teu estar...
Vem que eu quero aprender a voar Ter na asa, cantiga assim feiticeira E namorar como tu, no trigo de uma eira!
Imagem autorizada e " roubada" ao extinto Folhas da Gaveta
Por vezes não sei se o sangue é vermelho se é da cor de espelho que suaviza o mar... Por vezes não sei se o sangue é azul cheiro em rosa de tule que habita no ar... Por vezes não sei se o sangue é branco como a neve de pranto que a terra vem afagar... Por vezes não sei se o sangue é amarelo roda de estrela em elo que o verde faz vibrar... Ah, mas uma coisa eu sei! Só o sinto seiva a correr vermelho em línquen de águas num sal branco sem mágoas subindo céu azul em alquimia entoando sol, verde sinfonia em arco-íris de paz a navegar...
fragilidade a bailar, no seu amimar e na noite, escorrendo o silêncio com a luz da lua, no seu bocejar!
Mergulhei na cova funda do sentido uni com a amarra da alma a vontade senti que estava presa na verdade de um mundo que não tinha nascido e todo o corpo se contorceu na ansiedade... enrolando o meu corpo de febre a arder abracei-me com os meus próprios braços para fazer desaparecer aquele entristecer que era um nada, na cabana do viver de todos os meus derradeiros passos...
querendo apagar do rosto todos os cansaços...
morri, feito luz vermelha de feno a arder com a cidade inteirinha por cenário desejando acordar, num outro amanhecer...
e vi...dentro de mim, a emoção era campanário que me abrigava de medos, que a vida fez nascer!
Olha a pérola miudinha que corre por carreirinho como aquela fonte prata... Vem meu amor acolher o corpo do meu dizer debaixo da luz que se aparta... Sabes, hoje vai ser lua cheia o sol primaveril vai a fugir cantando sua amada tocata... A noite é um corpo de negro que nos envolve em segredo e a lua canta uma serenata...
Dois apaixonados...tão afastados Fulgor...e a maré em som de catarata!
E o anjo alou e ao céu voltou e a sua ternura ele me deixou!
E eu que assim, ando bailarina Musa de ondas violetas Com alquimias secretas... Um anjo de branca batina Com asas jeito brisa de marfim Veio sentar-se juntinho de mim... Pousou em meus sonhos de menina Toda a graça em quimera bondade Beijou-me, com néctar sem ter idade...
E eu sorri... carinho intenso como perfume de jasmim!
Assim quase um nada Como a lágrima Que rola em solidão Mas só dentro do coração Que olha através da janela A chuva, a brisa, feita sentinela Num quadro de plena apatia Em que não falta utopia Dos silêncios medrosos Que vêm bem buliçosos... Hoje acordei sem anjo por perto Para afagar o meu deserto E tive saudades de ti... Tantas, tantas...que quase morri!
Não fujas maré de água viva, em chama Que em fogo lento, tua brisa vai no vento Fica pertinho de mim, me toca, me ama Deixa-me beber em teu corpo de sustento.
Não fujas luar de Janeiro em corpo inteiro Nesse azul de rosa, que vai no firmamento Deixa junto a mim, sabor maior feiticeiro Fica pertinho de mim, sê o meu convento.
Quero-te tanto e mais, em tal envolvimento Que não sei cantar as trovas do pensamento Só sinto o Verbo a nascer, por dentro a doer...
Fica pertinho de mim, quero de ti beber... Farei para que no estar, possas entardecer E só Afrodite suspire no nosso casamento!
Na página aberta de ecrã de branca luz a letra bordada de romance ponto de cruz no cimo do livro que leu "era uma vez" lhe veio lembrança da vida que se fez evocando aurora, navegando no passado cresceu, ficou sem nome e cantou seu fado!
Era azul, era poema, era dor, era solidão giesta, amor-perfeito, dente-de-leão era cor de paisagem a suar maresia que no topo da serra, uma árvore floria era barro de lama, num corpo com frio que no tempo do fogo se aninhou e sorriu!
Era tudo era nada, no cimo de alta alvorada contando seu tempo, na sebenta amarelada jardinando na estrada de estreito caminho... um dia, página aberta de um livro sem lombada abraçou pétalas e pedras do amor sozinho e cantou destino, como deleitoso mosto de vinho!
Uma flor bordada a seda branca no espaço Tinha dias e dias de cansaço debruçada Sonhava entre a cor da paz do seu regaço Abraçar o quente e a luz na sua estrada.
Não que o sol lhe faltasse todos os dias Porque de vez em quando ele lhe sorria Mas por vezes eram tantas as fantasias Que zangado de seus devaneios, ele fugia.
Ah, sol não te vás embora agora, prometo Entre estes meus sonhos de flor bordada Aquietar-me com meus segredos, abrigada...
E no azul do céu, com a tua cor tão dourada Flor só será, em branca cor no teu puro leito Sempre atenta, ao amor carente do meu peito!
Perfil de vermelho armado na luz de dor em cinza Um rio que convida, num esperar de curta viagem Um cinzento brumoso, as nuas árvores agoniza Conversando igual, com vozes doutra margem.
Pára a vida, numa chuvinha que alumia Uma tarde que parece um texto de sono Rodando, o barulho do piso é sinfonia Que se ouve, em lamento de abandono.
E passam fios, passam ventos, passam cinzentos Passam frios bem entrelaçados dentro do peito E a tarde se deita, com vontade da noite em jeito...
E corre na velocidade aquele brilho tão perfeito De uma lágrima que enfeita a chuva em lamentos E o Tempo diz: - cinza tem também seus momentos!
Guardo as pedrinhas todas do meu crescer Faço com elas a pulseira de um cântico novo Como se um dia, me pudessem valer... No afagar que me levará com elas no Tempo Fazendo uma ode a quem faz parte do povo Uma brisa, um vento, um lamento...
e um dia...enfeitarei a terra, a quem darei o meu ser!
explosão de cor no meu sentido interior como o sol a desenhar arco-irís de amor vindo da noite, que sonhava sem luz docemente em arco que se seduz cresceu quente e ganhou verde amor abriu as fronteiras de alma em flor e desfazendo algum mal da vida limpou a dor, como se fosse ferida...
não sei como depois ficou meu ser porque da explosão, nasceu adormecer nas asas da luz que transbordou a faísca do sentir em brasa acalmou e o frio que era tanto e tão espinhoso como magia, feito clarão gracioso aqueceu meus pés, aqueceu meu coração e fiquei a dormir, como se fosse alucinação...
e tão quieta fiquei na senda de Morfeu que até seu pai Hipnos, se enterneceu me deixou dormir, no meio de ébano em flor e eu cresci dentro do sonho, segredando amor!
Os aniversários (dizem) são quando se faz anos disto ou aquilo. Hoje, e para ser diferente e porque haverá por aí muita gente que provavelmente se interrogará: - será que ela escreve uma palavrita a direito, sem lá a enfeitar com a rima? - vim de forma corrida...ah, mas não prometo deixar de rimar…quando se começa, é difícil terminar! :)
E…troco pela minha rima, um sorriso aqui e ali, numa alma cansada, uma dor mal amanhada, um desafio à vida, numa lágrima perdida…enfim, quando criei este espaço, trazia na ideia o desejo de partilhar os versos, com que tanto me identifico, que escrevo quando medito, que escrevo no tempo, que já nem sei se tem tempo que não sabia escrever…sei que a maior parte dos meus visitantes compreende o que falo…digo que sei, porque muitos aprendi a respeitar pela sua maneira de ser e de se expressar…sim, porque aqui só usamos a palavra e pouco mais…e porque já diria alguém: - “em cada palavrinha escrita, deixamos um pedacito da nossa pele” - e por isso hoje decidi então deixar por aqui ao abandono da ideia, sem ter de pensar em rima para ela, a minha pura dedicação e o meu muito obrigada a todos que ao longo deste ano, foram uma companhia querida. Uns permaneceram, outros chegaram e partiram, outros resolveram apenas passar em silêncio…afinal a todos tenho de agradecer! Pouquitos mas muito bons, tenho a dizer! :)
OBRIGADA PELO CARINHO QUE ME TÊM DADO!
Ah, essa aí de cima sou eu, junto do Mar claro, podia lá ser de outra forma?!:)…o Sal tempera e como lágrimas eu deito tantas, na minha pura “lamechice”, onde melhor “enterrá-las” do que no sítio mais temperado que banha a terra num sussurro tão “poetizado”?!…e vou, que se faz tarde…e vou tentar não desapontar…afinal tudo tem um propósito...trocar poesia, pela vossa alegria e simpatia…e dar a esse espaço de troca, a Paz que temos na mão e deixamos fugir sem dar conta, aí pelos atalhos…pois que seja e fique, com muito doce no coração!
E fica meu beijo, a todos que cruzaram as portas do “baile” como uma dança de salão!...umas vezes valsa, outras tango, outras milonga…e porque não moderna, folclore, quizomba…mas sempre dançando com uma flor que deixa no ar o perfume do carinho, salpicado por amor!...seja hoje, amanhã ou quando for…seja!…um dia se terminar espero ser com uma chave de ouro, em que guardarei tudo dentro de minha arca como se se tratasse de um tesouro!!!!
"Não tenhas medo, ouve: É um poema Um misto de oração e de feitiço... Sem qualquer compromisso, Ouve-o atentamente, De coração lavado. Poderás decorá-lo E rezá-lo Ao deitar, Ao levantar, Ou nas restantes horas de tristeza Na segura certeza De que mal não te faz. E pode acontecer que te dê paz..."