sábado, 26 de março de 2011

Tempo...


No verde do tapete do tempo
fica um azul desenhado com verdade
pináculo humano do contratempo
desenhando caminhos de saudade...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Voo de asas ao luar...


Vieste pela noite no teu andar
algo caprichoso, algo misterioso
em grandes vagas de carinho
pousar no meu mar, devagarinho...
Como se a luz da lua
tivesse um segredo escondido
assim tinhas tu teu olhar
meu menino querido!
Sê sempre tu, meu anjo amigo
e em cada fase do teu luar
as asas estarão sempre contigo!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Que sentimento...


Ao som de música, meu amor
vejo a tarde passar estendida
com um sol de luz estarrecida
e uma saudade não sei do quê
que me deixa em interrogação
me deixa presa ao pensamento
nas vozes de algum lamento...

que sentimento é este meu amor
que trás na melancolia
uma sentida apatia
mistura de cansaço
que não se importa com que faço
mas que brisa aconchega em seu regaço?!...

que sentimento é este meu amor
que me trás na melodia
dentro de uma sinfonia
de acordes de suave solidão
misturada de indefesa ilusão
pautas esquecidas do que a vida é, ou não?!...

e a tarde se vai escondendo
e a música se vai misturando
com a certeza da leveza
contrariando noite de escuridão
iludindo com carente sofreguidão
dando luz a meu suado chão...

que sentimento é este, diz-me coração
tantos dias me vestes de compaixão
e no interior te tornas meu senhor...
- Que sentimento é este, meu amor?

(escrito a 06/02/11)

domingo, 30 de janeiro de 2011

Embalo


Na canção de embalar
Oiço liras harpas e violinos
Sinos de campanários
Anunciando suaves hinos
Oiço lírica de luz celeste
Entregue por mão campestre
Que faz sorrir um rio
E de carinho mata o frio...

E o chão de verde se veste
Seguindo suaves águas no seu leito
E o coração, soa baixinho ao seu jeito...

Será que a vida sossegou num tudo e nada
E tão sã e travessa, me embalou feito fada!?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Mãos


Mãos estendidas, mãos cansadas, mãos carentes
São assim as mãos em clamores ardentes
Não fossem elas mãos do meio de tanta gente
Poesia de um sentir pedinte de coração quente

Possam lavar-se em mares de gratidão
Possam pisar as ternuras de terno chão
Voando com asas de ave, feito falcão
Sonhando que entrelaçadas sempre se dão

E em seus segredos de cansaços e incertezas
Possam ainda enfeitar o carinho de muitas mesas
Com a alma que vão tendo em suas certezas...

Não, não te pedem o mundo, nem o universo
Somente que haja paz em cada verso
E as suas rugas somem, todo o amor que está imerso!

(escrito a 02/01/2011)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ao futuro...


Vermelho sangue nas veias correndo
Com baguinhas de cor nas entranhas
Nasce assim um novo tempo crescendo
Sem saberes como na vida te amanhas

Vais secretamente bonança desejando
Com sede de beber de pura condição
Apenas com ansiedade sussurrando
Às veredas, das paredes do coração

Ah, como é incerto o tempo, o caminho
Como avistas ao longe turva ilusão
Mas a tratas mesmo assim com carinho...

Quantos tempos, quanto do teu chão
Retratas nas feituras do teu ninho
E quanto Amor entregas na tua devoção!...

sábado, 18 de dezembro de 2010

Sonho



Naquele dia fazia tanto frio
Mas nem ele nem ela o sentiu
Caminhavam de mão dada

Dizem que pela estrada
A caminho da terra de além

Que diziam chamar-se Belém...
Não, não era Maria, nem era José

Nem importa se tinham nome até
Eram um menino e uma menina

Que sonhavam com história que ilumina

Que os fazia cegamente acreditar

A serenidade que queriam no seu lar

E no doce aconchego da memória
Ter estrelinhas luzentes em sua glória

Quando o Natal se anunciasse

Um Menino com sorriso abençoasse...
É que eles vinham do tempo sem passado
E se esse presente lhes fosse ofertado
Tinham a certeza que o Milagre se daria
E fosse João, José, Madalena ou Maria

Nunca mais no seu lar a fome entraria...

E então sim...o Bom Natal jamais faltaria!
Será que encontraram a estrelinha de Belém?

Aquela, dos Reis que o Presépio sempre tem...

Não sei...penso que não...ficava lá tããooo longe
Nem com ajuda de bastão de velhinho monge...


Por certo tanto caminharam...no caminho adormeceram
Os Anjos então farão Milagre que lhes encomendaram

Para pelo menos nascer sempre Amor no seu coração
E aqui começa ou termina, a história do meu serão!...

Serão futuros homens, os meninos em peregrinação...

Gostaram? Sim...não? Então vá, digam lá:
- Como gostariam que fosse se não houvesse gente má?
Sorrisos
meus amigos, são precisos
Para aliviar da vida nossos tramados sisos! :))

Que não seja só um sonho que na mão vos ponho
Que no vosso cantinho do quentinho lar

Haja
milagre hoje e sempre, que venha afagar!!
BOM NATAL e um desejado e risonho PRESENTE

Que venha alegrar o FUTURO e o ponha mais CONTENTE
PARA NO MUNDO ALBERGAR TODA A GENTE!!!!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Tempo...


O ouro a bailar sobre tapete azul
vestiu-se de ausência
e pediu paciência...
A luz volta sempre ao seu lugar
é só saber esperar...
Quanta pode ser a demora
mas coração não chora
porque,
na sua sapiência
aguarda sempre bela aurora!...

Desculpem-me a ausência nos vossos cantinhos
Voltarei logo que consiga afagar os meus caminhos
Até lá tudo de bom para todos vós
E ficam beijinhos com lacinhos sem nós :)))

Foto tirada no céu de Novembro...tão lindo, por aqui me lembro...

sábado, 27 de novembro de 2010

Palavra...



No virar da esquina do céu
na bainha da maré com azul por véu
enfeitada por flor em serra erguida
junto ao ventre de gente querida
espreita como está o mundo
lá longe num infinito sem fundo
e num livro de sonhos escondida
dentro de uma frase esquecida
sem ter um ponto final
apenas numa vírgula pontual
numa página de livro, a passar
que leva seu tempo a virar
arejando as velas em desalento
que passeiam na brisa do vento
com alminha de velho alento
mimando-se feito palavra
só em sonho sua vida se lavra...

Aguarda com desfolhar, de sal de água
com o corpo cheio de mágoa...

Antiga varina no cais da ribeira apregoa
Ai Lisboa, Lisboa, Lisboa...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Tum...tum...tum...


Ouves o murmúrio do silêncio enquanto pensa?
Não? Experimenta fechar os olhos na sua presença...
Agora respira fundo o cheiro de uma flor
E expira um sopro, bailando o pavio da vela
E respira de novo...um incenso de cor amarela...
Vá escuta agora o silêncio...a música em suave tambor
Cadenciada como se fora um tum...tum...tum...
Que se sente rubro calor e não faz barulho nenhum...
E experimenta usar o violeta, o azul celeste...
E todas as cores que o Universo veste...
Vês?! Não custa nada...e quanta paz de que és capaz...
Não, não te distraias...continua a cheirar a flor
Soprando algures, com a brisa a vela do teu interior
Descobre como no silêncio, a música é tão bela
E como podes rodopiar, dançando com ela...

Ah! Quem dera que pudesses ouvir todo mundo desta maneira
E com o sopro do teu silêncio, apagasses a dor da vida inteira...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Rio de quimeras



Que dia este que nasceu tão sombrio
Em que as águas calmas de um rio
Lançam ao pensar um desafio:
- Vem ver o meu curso de água
Vê por onde passa a minha mágoa
Vê como precisam de mim, alvas penas
Entre os remoinhos lembrando açucenas...
As lágrimas que me deixas quando abalas
No meu caudal são casas, sem salas
Num campo aberto de limão capim
Erva cidreira, num regato de jardim
Matam sede, matam fome
E plantinha também dorme
Deixando cheirinho bom a alecrim...
- Ah, rio em quimera na tua corrente
Falas para mim, como se foras gente
Vou dizer ao sol p`ra te vir beijar
Quero nas tuas águas contigo bailar...
E o dia tão sombrio?!
Fez-se luz connosco a brincar!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Luz no olhar


Os olhos embaciados pela manhã
tendo na luz um efeito de cor sã
num despertar meio ansioso
pelo respirar de dia caprichoso
correndo vida em ar de lenda
como se bailasse em fenda
de um vulcão em plena erupção
onde arde em lava o coração
que procura no seu caminho
a leveza do tic-tac de carinho
percorrendo na imensa multidão
o desejado calor de outra mão...

Tantos que encontras no destino
espetados pela dor de qual espinho
e por vezes esmorecem devagarinho
gelados no meio da lava, sem tino...

Ah, olhos de coração...inventas tua condição
recordas que o dia ainda agora começou
e até à noite, a luz bafejará a tua absolvição!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Azul coração


Quando os azuis falam em mim
nos folhos da minha camisola
quando olham para mim
e sentem a tristeza que me assola...
Não tenhas pena coração!
- Sente apenas que entendes
que quando na vida te prendes
se amarra o amor, enfim...
- Os violetas todos, azuis são
e são na saudade, cor carmim
vestidos de suave cetim
e com doçura te envolvem
em perfume de jasmim...
- Pssiuu...não digas nada...
guarda-te arco-íris para mim!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Insónias


No quarto crescente de parede negra
Uma luz brilhante passeava pela cidade
Era hora de Hipnos que alma se entrega
E meus olhos abertos na sua claridade

Não sei se por motivo se por força de sentido
O meu coração dos deuses não queria abrigo
Eu me quedava muda, ouvindo o terno gemido
Do silêncio, da luz da lua que brincava comigo

Não tinha sono, não tinha medo, não tinha nada
A barra do lençol, tocava suave a minha face
Florinhas azuis enfeitavam a minh`almofada...

Talvez o relógio dos dias, o ponteiro acertasse
Com o compasso do coração, na noite calada
E o tempo para a vida, em mim se inventasse!...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Outono em mim


Com o coração rendilhado de pérolas de chuva
Ouvindo burburinho do piso molhado da cidade
Pensando em cheirinho de vindima de fresca uva
Sinto de mansinho, o sol de outono, em claridade

E oiço o regato a correr inquieto em vertente
Vejo ondas do meu mar, em seu iodo ondulante
Toco as margens do ar, afago que sinto carente
Das meigas carícias, de um chamado de amante

E com os sentidos bailando no meu peito aberto
Mesmo que na cortina do meu quarto, fechados
Sinto-te meu outono, com pés na terra molhados...

E correndo ligeirinho, no meu corpo de verbos cansados
Dou por mim a sorrir às chuvas, ternuras a descoberto
E sei em mim, teu sentir é meu sonho de ciclo coberto!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Simplesmente...

Pintei tanta ternura na conjugação do verbo ser...
será que desenhei afago certo, no verbo entender?

Flor em néctar, doce e perfumado...
e com tanta naturalidade e certeza
se transformando seu todo na Natureza...

Simplesmente...
sem atropelar presente, futuro ou passado
nas asas de um Ser, em labor desenhado!...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sonho meu


Adormeço pedindo a Morfeu
que me deixe beijo teu
em cima de almofada
com uma flor desenhada
e depois ainda a preceito
espreito a Lua a meu jeito
e vejo nela a claridade
que me dança na saudade
e canto aquela melodia
que foi tua prenda um dia
e depois, bem aconchegada
em lençóis de linho deitada
ainda em luz de efeito prata
como fitinha que se desata
na dobra da minha janela
como se fosse a cinderela
vejo-te em teu cavalo alado
solto na lua, em verde prado
e encanto a minha alquimia
num pote da branda sinfonia
que transforme em puro mel
o som do trote do teu corcel
numa plantação colorida
de flor lilás, pura em magia
e espero por ti...
oh...amado meu...
isto tudo dei eu a Morfeu
e ele se deixou afagar
e só o sonho me devolveu!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Choro do céu



Nos telhados das nossas vidas
Caem gotas de orvalho sentidas
O céu, que canta Outono em guaridas...

(Quantos cantam sorrisos, em lágrimas
que se resguardam nas suas cismas

e se escondem debaixo de suaves rimas?!...)


Céu que lavas as mágoas, da terra das gentes
Num choro tão teu, diferente do meu, diz-me:
- Porquê telhados tão tristes, outros tão contentes?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Coração na brisa

Acrílico em tela
Em cada lado de uma saudade
O vai-vem de um sopro em claridade
Que finaliza o fim do Verão
Que fala por mim, assim:
- Teu afago se guarda no coração!
Bordado com a sede de sã ansiedade
Ainda que no ar somente de visita
Ande em mim, alma de pomba bendita...
Que pensa por mim, assim:
- Porque não pode o sol e a lua
Serem a medalha da face minha e tua
E andarem de mão dada na intimidade
Que é doce modelo, da suave metade?!...

- Por nada, não!...responde o eco da ilusão...
- Guarda-me no coração, carinho meu
Que na outra face do ser, já eu tenho o teu...

E ambos assim por dentro, movimento de luz
Afagaremos o caminho da vida que nos conduz...

E que mal tem?...na brisa teu doce cheiro, sempre vem...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Plantinha


Crescendo sem medo, com alimento de terra pura
num verde esperança que é Mãe Natura
o coração bate em tom violeta sem qualquer meta...

E assim tão fresquinha, tão visosa, mimosa
ela se sente das plantinhas viva a mais completa
porque o toque de veludo, é o seu todo!

Que lhe importa se o mundo é cego, surdo ou mudo?