quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Segredo


Eu vou contar-vos um segredo
Que me vai na alma tão ledo
E trás minhas veias sangrando
Como se fora o mar chorando

Tem noites e tem dias
Que me trás ventanias
Tem céus, luas e marés
Alecrins, rosas e aloés
Tem rios de prata a navegar
Sorrisos de menina a brincar
Tem uma crença bordada
Em linha de azul, dourada
Um cheirinho a erva-doce
A jasmim, ou outra que fosse
Ouve-se em murmúrio de adágio
Sem ser fruto de qualquer plágio
Tem um toque de pura magia
Sem sofrer de nenhuma alquimia
Pode ver-se, mas é invisível
Só sonhando, é visão possível

Eu ia contar-vos um segredo
Mas...eu acho que ainda é cedo...
Fica guardado, sem medo
Entre paredes de rochedo!

sábado, 13 de julho de 2013

Gitano


Gitano
Feiticeiro, andarilho, poeta
De mão dada com a Mãe Natureza
Gitano, alegre e profeta
Cabes na mão da alma princesa...
Arrojado, de pátria incerta
Moreno e dançante poeta
Bailas ao som do bandolim...
Vermelho gitano,
Canta uma trova só para mim
Bailando como rosa, feita de cetim!

domingo, 5 de maio de 2013

Quanta saudade...


Quanta saudade do meu poema...
Quanta saudade da palavra acesa
sabor a morango framboesa
feito cor brasa
que com o coração se casa...
Quanta saudade de bordar branca cambraia
com linha azul de macia areia da praia...
Quanta saudade do perfume de doce açucena
polvilhada de papoila ou pó de verbena...
Oh, quanta saudade do meu poema
aquela minha doce e pura gema...

domingo, 3 de março de 2013

Esperando...

 
 
Em silêncio esperando a doce luz
De um tempo que a seiva germina
Trazendo o andor da vida em cruz
Espreitando sentada na esquina

E segura a linha da vida como sina
Na branda paz que a vela seduz
Mãe terra que docemente domina
Cor da esperança a vereda conduz

Não tem pressa, não tem medo
Apenas em si sofre desassossego
Se esconde em recolhido rochedo...

Vem, que relógio da vida não é cego
Vem, não tardes mais, já não é cedo
Vem voltar a amar, doce aconchego!

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Monsaraz em Janeiro...


 
Na visita que te fiz para ouvir falar de ti
Tarde fria de Janeiro, poetizando teu brio
Mais uma vez na tua paz entrei e te senti
Por dentro luz de outrora em corrupio.
E o meu ser entrou em saudade
E te beijou na serena tarde
E baixou os braços e sorriu...
És a mesma que em tempos descobri!
Nas tuas veias ainda correm pedrinhas
Escadas, torres, muralhas, portas, janelas
Ruas estreitinhas, ruelas
Batentes de ferro nas casinhas...
Alvas, tão alvas, branquinhas!
E o teu chão é feito de segredos
Onde tu escondes, os amantes com medos
E o teu ar altivo de donzela medieval
Cheira a rosmaninho, coentros, aroma matinal
De sabor a hortelã, vestidinha de pura lã
Que passeia os seus véus pela manhã
Lá no alto, senhora vestida de azul
Que guarda as terras lindas do sul!
Hoje e sempre na memória, da história
Guardas os sonhos em manuscritos
Que apenas nos teus céus estão escritos...
E quando piso o teu chão sagrado
Por dentro, em mim, se canta saudoso fado!
E esse abraço que dá a tua doce e simples gente
De sabor tão quente...tornou meu Janeiro ardente!

domingo, 6 de janeiro de 2013

Evento e convite

Para primeira postagem do ano, deixo um convite a todos os amigos...gostaria de vos ver presentes pois estarei por estas bandas neste dia, a dizer dois poemitas que dediquei a esta Vila que sempre guardei, como emblema de uma terra de gente quente. Alentejo que me viu tanta vez passar o Tejo para junto da família querida, que me deu guarida, numa infância e adolescência, que fizeram guardar em mim, brocados de seda de carinho, com amizades que me enfeitaram o caminho...hoje, tecidas com muito gosto, lavradas em palavras quentes de quem ama e amou a sua descendência deixo nas veias do meu sangue alentejano, o amor terno que sinto por dentro, ao meu avôzinho materno! Obrigada a quem participa neste evento e obrigada ao amigo António Caeiro, (amigo que já conheço desde 2005, no seu bolgue ) que foi no facebook o grande obreiro deste acontecimento!



Agendem, para o dia 26 de Janeiro de 2013, e verão que não se arrependerão da terra linda que irão conhecer e no entretanto desejo a todos que tenham um Novo Ano, com muita saúde, pão na mesa e afoguem mum mar de alegria qualquer tristeza!!...e claro está Amor e Paz, que só o interior da nossa vontade será capaz!
Isabel Vieira

sábado, 24 de novembro de 2012

Não me chames amor


Não me chames amor
Que me dói quando falas
Pois se tens amor na tua boca
Para todos, até quando te calas...
Amor é divindade interior
É um querer que não se diz
É tão funda a sua raiz
Que só a terra dá em flor...
Chama-me o meu nome
Saberei se o dizes com sabor a mel
Não me chames amor
Que amor é escultura feita sem cinzel...
Amor, é silêncio na cova funda
Que só o espelho da alma inunda
Não me chames amor
Que não sou palavra tão fecunda...

E se ainda assim não te lembrares
Dá ao teu querer outros ares...
Do silêncio da verdade de quem ama
O Amor arde no corpo interior, do que chama!

sábado, 20 de outubro de 2012

Voando nos ventos


No silêncio em colina dorida
Ouve-se o murmúrio sentido
De tanta alma ferida...
Na estrada dos sentimentos
Sente-se uma brisa de coração partido
Em forte partitura de sons de lamentos...
Corre o rio para a foz
E um sol poente dentro de nós...
Navegando chora baixinho, 
Esmagado pela mó do caminho...
Quem pode entoar um canto
Que suavize ou termine tal pranto?
Quem?
Dói a pergunta, voando nos ventos...

sábado, 22 de setembro de 2012

Teia de sentidos


Quimera das colinas dos sentidos
Utopia dos vales das recordações
Saudade dos trilhos perdidos
Na vereda das mudas ilusões

Como se já nascessem orações
Sobre milagres já tão esquecidos
Nos tempos de loucas solidões
A dois, se quebrassem sofridos

Ah...o porquê não entendes!
Também eu na essência da vida
Pergunto porque me tem cativa...

Não sei ao longe o que pretendes
Teia dos meus sentidos, tão ávida
Mas manténs a minha fé, bem viva!...

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Vestindo azul


Na serenidade e no descanso,
o balanço...
Depois da faina no azul a dançar,
quimera a esvoaçar...
Abraça o rio, abraça o céu,
interior meu...
E no enlevo com que me visto
às marés do sonho assisto!...
 

domingo, 15 de julho de 2012

Mistério esotérico


Do ventre da terra
Que mistério encerra
Sonhei-te verde
Envolto em harmonia
Com sede, no nascer da alquimia...

E como nada se perde...
Vesti a sede com tua oculta magia
E nos seus braços, na sua luz
Seduzida, a minha loucura sorria!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Silêncio...


Alvo com perfume de pétalas de orvalho
Suavizando as noites do meu sonho
Tendo os olhos como negro soalho
Guardas em mim frutos de medronho
E poisas suavemente em lua cheia como flor
Adormecendo neste cansaço que me deu cor...

Pairas sobre mim, como água em movimento
Alimentado pelo bafo quente do meu interior
És suave, és profundo, és como sereno vento
Que embala pensamentos de um sonhador
Mas me deixas só e em comunhão de alvor
Me deixas a beleza, que é testemunha de amor...

Porque me tratas assim, acolhedor caminho
Porque tens tu, tão doce teu encosto
E depois de me dares o teu carinho
Foges para a solidão, que me dá desgosto?!
Pairando, adormeces encostado ao meu andor
E na procissão de sonhos, encontro eu desamor!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Hoje sou pequenina


E fui desafiada pelo coração
Para que lhe cantasse uma canção
Mas que fosse numa melodia
Que mais ninguém conhecia!
E li livros e cadernos, inventos modernos
Bibliotecas inteiras, contos eternos
E no que estava escrito 
Era tanto, tanto o que me foi dito
Ousasse eu descobrir
O que escondia o seu sentir
Pois só via o dicionário a repetir:
- É músculo que o sangue bombeia
Que corre na tua e na minha veia...
E outras explicações que tais
Comuns a muitos animais!
Ai, mas se eu o sinto quando encanta
Se ele comigo conversa e canta
E por vezes tem briga feita
Quando algum compasso rejeita
E não consegue soltar a ponta
E a coisa fica feia, é afronta...
Como vou então inventar um acorde que seja
Cantar assim melodia servida em doce bandeja
De ouro ou prata, em Sol ou Lá sustenido
Como vou inventar melodia que lhe faça sentido?

Coração meu, coração dorido e cansado 
Coração que bem me falas quando enamorado
Ou até na angústia de um estado magoado
Eu por ti vou ao fim do mundo
Pois segredaste melodia bem no fundo
E eu te sinto em mim, no amor mais profundo!

(É que coração fez beicinho: só ele sabe dar carinho
E chora e faz birra, quando na vida caminha sozinho
Estaremos todos errados? - e se coração for um menino
Que só canta junto a outro, se amor for o seu destino?

Vamos lá então ensaiar:
Coração, coração, faces vermelhinhas
Bate as palminhas
E dá-me a tua mão
Coração, coração
Não me vais deixar, pois não?)

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Vem...



Vem pedacinho da manhã
Vem raiando tua luz
Vem borboleta de véu em cruz
Vem meu corpete despido de lã
Ninho, aconchego de passarinho
Enfeitado de rosmaninho...
Vem florinha de cor singela
Verde prado de toalha amarela
Papoila, aloendro, alecrim
Vem sentar-te ao pé de mim
Que água que banha o rio
Chega no tempo sem frio
E lava as mágoas, lava o pranto
E deixa a vida ser encanto...
Vem sem tempo, sem espera
Bordado em verdinha hera
Alento de sonho de menina
Vem, que está mesmo sentado na esquina
Um sol, na beira do monte, sentado numa quimera
Vem...vem bailar com a Primavera!

(escrito em Março, mas só agora publiquei porque de embaraço me enfeitei...
tem tempos que tempo e cansaço, são rei!)

Meus amigos...


No meio de hera fresca e verdinha
A vossa Páscoa bem docinha
Se afague com violetas de paixão
E cante de saúde e paz vosso coração!

Meu beijinho num virtual chocolate
Com a cor de uma afeição escarlate!

sábado, 17 de março de 2012

Momentos...


Ontem eras presente, que deixava meu ser ardente
Ontem chamavas por mim, no meio de toda a gente
Tanto que te quero ainda, mas afasto no não querer
Tanto que ontem passou para hoje, e me faz doer
Presente do passado, que não ouve e não consente
Presente que te quer ainda, e é um amor doente...

Meu amor, meu amor, és uma quimera com o cheiro de flor...

E nas folhas de uma rosa perfumada, recordo tua pele amada
Cada pétala os teus lábios, a reflectir à tardinha a madrugada
Seu toque rega a esperança, teu corpo moreno como lembrança
E jaz na minha mão com pudor, lembrando sonhos de criança

Diz-me que beleza é esta, que o perfume do passado empresta?...

Um dia vou pedir ao presente, que me traga um só dia do passado
E viverei com ele na senda do futuro, momento doce e enamorado!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Porque choras pela manhã


Porque choras pela manhã
não deixando teu afago de lã
porque choras, diz-me baixinho
que te embalarei com carinho...
porque choras sem ninguém ver
para não dar tua dor a perceber?!...
eu quero-te todo o dia, na alegria
porque choras tu, pela manhã?
anseios do dia que surge ansioso
tua alma o sente caprichoso
diz-me?! porque choras pela manhã?
talvez a noite em brisa bravia
te deixasse nua e fria
e a lágrima da manhã
te cobre o corpo de sal perfumado
que te deixará o dia em paz enamorado
num corpo por ti idealizado...

diz-me minh`alma de porquês entranhada
diz-me porque choras pela manhã
e carregas tão salgado talismã?

ai, porque não ris tu, pela manhã
o rendilhado do sol beijaria tua face
deixando-a da cor da romã!!!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Feitiço de lua cheia


Linda e bela princesa à janela
Na escura noite, alva no breu
Tendo o céu, por conta de seu
Princesa dos contos só dela

Espreitando sua face cheia
Pensas que talvez a enfeitices
Encontrando suaves meiguices
No teu corpo de gato que enleia

Ah, meu rapaz, meu louco menino
Quem dera ela enfeite teu caminho
E nunca te percas por aí sozinho...

É que sabes...lá no alto a princesa
Dorme a noite toda, com certeza
E tu, acordado no feitiço meiguinho!

(para ver mais desta beleza de princesa
é só seguir por AQUI o olho do meu menino
que se vidrou neste quadro divino):)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Alma inquieta


Em branco casario, efeito de fogo
Na linha de um horizonte ansioso
Fugindo num entardecer quase logo
Respeita terra seca, em ar fogoso

Adormece junto a nuvens de frio
Rezando sobre ar seco e bravio
Pede que se levante brisa do céu
E nuvem chore, todo o pecado seu!

Mas nem o céu ouve seu desencanto
E na terra seca, se aguarda incerta
Que seja um lençol de água seu manto...

Ah no velhinho casario, alma inquieta
Quando o tecto do fogo for pranto...
Melodias de coro, num voo de poeta!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Chuvinha...


E porque hoje é domingo
da nuvem caiu um pingo
uiva na floresta um dingo
e permanece rosado o flamingo...

e eu não sei se fico, se vou indo
se neste silêncio bailando me vingo...
tudo, porque hoje é domingo
e na terra seca caiu um pingo!