segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Simplesmente...

Pintei tanta ternura na conjugação do verbo ser...
será que desenhei afago certo, no verbo entender?

Flor em néctar, doce e perfumado...
e com tanta naturalidade e certeza
se transformando seu todo na Natureza...

Simplesmente...
sem atropelar presente, futuro ou passado
nas asas de um Ser, em labor desenhado!...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sonho meu


Adormeço pedindo a Morfeu
que me deixe beijo teu
em cima de almofada
com uma flor desenhada
e depois ainda a preceito
espreito a Lua a meu jeito
e vejo nela a claridade
que me dança na saudade
e canto aquela melodia
que foi tua prenda um dia
e depois, bem aconchegada
em lençóis de linho deitada
ainda em luz de efeito prata
como fitinha que se desata
na dobra da minha janela
como se fosse a cinderela
vejo-te em teu cavalo alado
solto na lua, em verde prado
e encanto a minha alquimia
num pote da branda sinfonia
que transforme em puro mel
o som do trote do teu corcel
numa plantação colorida
de flor lilás, pura em magia
e espero por ti...
oh...amado meu...
isto tudo dei eu a Morfeu
e ele se deixou afagar
e só o sonho me devolveu!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Choro do céu



Nos telhados das nossas vidas
Caem gotas de orvalho sentidas
O céu, que canta Outono em guaridas...

(Quantos cantam sorrisos, em lágrimas
que se resguardam nas suas cismas

e se escondem debaixo de suaves rimas?!...)


Céu que lavas as mágoas, da terra das gentes
Num choro tão teu, diferente do meu, diz-me:
- Porquê telhados tão tristes, outros tão contentes?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Coração na brisa

Acrílico em tela
Em cada lado de uma saudade
O vai-vem de um sopro em claridade
Que finaliza o fim do Verão
Que fala por mim, assim:
- Teu afago se guarda no coração!
Bordado com a sede de sã ansiedade
Ainda que no ar somente de visita
Ande em mim, alma de pomba bendita...
Que pensa por mim, assim:
- Porque não pode o sol e a lua
Serem a medalha da face minha e tua
E andarem de mão dada na intimidade
Que é doce modelo, da suave metade?!...

- Por nada, não!...responde o eco da ilusão...
- Guarda-me no coração, carinho meu
Que na outra face do ser, já eu tenho o teu...

E ambos assim por dentro, movimento de luz
Afagaremos o caminho da vida que nos conduz...

E que mal tem?...na brisa teu doce cheiro, sempre vem...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Plantinha


Crescendo sem medo, com alimento de terra pura
num verde esperança que é Mãe Natura
o coração bate em tom violeta sem qualquer meta...

E assim tão fresquinha, tão visosa, mimosa
ela se sente das plantinhas viva a mais completa
porque o toque de veludo, é o seu todo!

Que lhe importa se o mundo é cego, surdo ou mudo?

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Caminhante



Quanta beleza na verdade do caminhante
Seu passo de leveza da natureza constante
Descansa pegadas no cimo do monte errante
E reza aos céus, ser palco de música andante.

Lá no alto avista as torres, os sons, os infinitos
Borda com a voz em eco, sons de belos gritos
Suave cama verde, são seus lençóis benditos
E os sonhos repousam nos vales, sem conflitos.

Vai dolente, tão quente, tão suado, tão amante
Devorando os velhos caminhos do passado
No presente, procura a riqueza do seu achado...

Ah, caminhante de pé de bota enfeitado
Saudades levas de mim no teu coração andante
E eu te aguardo, com o meu olhar algo brilhante!

(...que a caminhada seja bela enquanto dure
eu aqui te espero, no tempo que ela perdure...)

Fotos da minha filhota, lá longe...em caminhada devota :)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Metades


Dentro do ser da vida vivida
Existem momentos e tempos
Uns são de uma tristeza sofrida
Outros de sorrisos sem lamentos...
Mas qual das metades de mim
Será a parte que ganha e olvida
Qual será a parte, enfim
Que perde por ser esquecida?!
Quantas metades temos nós
Que se dividem e completam
Enlaçadas dentro de nós
Quantas são as que vegetam?!
Talvez nem haja resposta
Talvez porque é triste e certa
Mas faz parte de mim, ser assim...
Tantas as vezes, incompleta!
Metades serão então?
Caio em contradição...
Pois as metades terão de ser iguais
Ou não? Fico então pensativa
E o meu conhecer se esquiva...

E o porquê, não procuro mais...
Porque cá dentro da minha rima
Metade existe que sempre anima!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Simples condão





com a luz toda por sentido
numa sombra de verde entontecido
soavam-me os chilreios ao ouvido

...a branda paz, tanto de que é capaz!

Num violeta bem vermelhinho
de verde e branco salpicadinho
saltando o pólen em sabor
me beijava uma flor...

...era dádiva de sentimento em amor!

No caminho de nervura de esperança
com o corpo em botão de candura
esperava o tempo em movimento
e libertava versos de ternura...

...o nascimento do amor, como criança!

E com os pincéis da Natureza
que a tela compôs sobre o chão
recortou-se tão pura a beleza...

...que uma pétala enfeitou o meu coração!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Marés de segredo




Onde vais aportar ao cais?
Onde vais tu meu bem, meu amor?
Tu não vês nas mudanças das marés
o segredo que te lava os pés?
Olho tão longe, onde ficam vendavais
olho tão perto, mas não vejo sinais
de que anda por azul teu sabor
junto dos golfinhos e algas de cor...
Mas quando vais tu ancorar
na barra da minha saia, feita de lapa de luz
que deseja ser berço de teu ninar?!
Que desassossego anda no teu apego
que nas ondas soa como fado em cruz
e se vai assim, todo o meu aconchego?!

Vem meu querido...apaga a dor desse segredo
e vamos nadar juntos nas tuas ondas sem medo!!
(25/07/2010)

(e com este calorzito, como apetece no mar um mergulhito...mas tenham cuidado que os segredos deste Amor, podem aprisionar para sempre e quem não tiver cuidado, ficará preso eternamente...)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Diz-me


Junto a brisas de brumas salgadas
Tantas das minhas lágrimas choradas
Se misturavam com o iodo
Numa mistura de elixir de um todo
Que sarava os meus porquês
Nas palavras que tu me lês...
Diz-me porque tem de ser assim
Apartada eu de ti e tu de mim...
Diz-me que teremos a mesma varanda
Cá deste lado ou lá na outra banda
Com solfejos de maresia nas marés
Que suavizem o caminho de nossos pés...
Diz-me com carinho, com verdade
E com o teu amor mata esta saudade
Diz-me porque ando triste e sozinha
Nesta multidão que se faz tão asinha...

Diz-me...olhando no meu olhar triste
As loucuras que tu nunca mais viste
Afagando-as com a inquieta imaginação
Que povoa a varanda do teu coração...

...um dia, navegando no deambular do tempo
que eu te abraçarei sem nenhum contratempo!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Só para ti



Branco e salgado, verde e temperado
Corrias bravio, pela cor do céu alado
Com música de violinos, feita de areias
Entoavas valsas no cimo de ameias
Soltavas taças de claras em castelo
Entontecias os meus sonhos em novelo
E vinhas ter comigo beijar meus pés
Numa barquinha dentro de seu convés...

Ai, que perfume que soltava na maresia
Teu corpo bronzeado pela doce fantasia...

E qual som, qual tom, qual toque em condição
De me teres só para ti, num verso sempre à mão!

...e senti a comoção bater dentro de teu coração...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Na vida...



Da terra cheirando a feno e a erva, odores em perfumes
Cheiram-se ao longe da vista, silêncios em queixumes
O sol se derrama nas planícies das suas alvas e íris cores
E eu planto na profundidade do meu estar, todos os amores.

Clara visão no céu, de um sossego em paz no firmamento
Como se visse no eco do nada, uma troca de um lamento
Visto a seara mansa do tempo com a serenidade do lago
E sinto em mim a doce temperança de um delicioso afago.

E toco a brisa da amena calma, como um santo unguento
Ao paladar chega o sabor do pão, que saboreio no vento
Que me alimenta na vida, que recebo em sol feito de lume...

Paz interior, apaixonado som na pauta do vigor sentimento
Tão branda, tão suave, maré calma ela em mim se assume
A mãe de todo o meu dizer, que ao Amor na vida se resume!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Coração cansado


Contraído, baralhado e cansado
vejo o meu coração num balão
que estando de paz alimentado
se presta a ser um pacato folião...
não sei se por destino, se por condição
o balão paira e balança no ar
talvez no bailarico da esquina
anime simplesmente uma menina
ou então, com o vento quer dançar
para se enfeitar, saindo pela ruela
qual manjerico a versejar à janela
as quadras da sua colorida prestação...
mas eu que o sinto a desfalecer
a querer brincar na paz do seu viver
tão tonto na festa que canta no seu rodopio
que trás a quietude presa por um fio
sonhar, se torna para ele um desafio...

Balãozinho de papel, segura-te bem...
acompanha as marchas do teu santo padroeiro
não rebentes, não estoires, mantém-te inteiro
como o devaneio que o coração em ti detém
dá-lhe o teu corpo cheio e ele volta a ser alguém!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Meu rio



Junto ao fundo do teu leito sem preconceito
Passeando com os braços feito barbatanas
Deslizando pelo meio das canas da margem
Afagando os peixes que fazem canoagem
Jogando à bola com os seixos
Circulando na volta de onda de eixos
Escorregando por balancés de lodos
Falando a linguagem dos remoinhos todos
Albergando as dores a montante
Afogando as mágoas a jusante
Rio da minha corrente sempre elegante
Eu te navego de dia e de noite, na vertente
Naufragando na preia-mar do teu estar
Com voz de suspiros de sussuros no ar
Uma flor na foz, eu te reclamo a sorrir
Rio da minha vida, que te sei sem mentir...

Meu rio amado eu te venero, nas veias do meu fado!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Noites de fantasia


Eram muralhas de luz, que se acendiam
Nas bermas da noite escura que surgia
Eram brios que tão cedo se escondiam
Não fosse a treva matar, o que se sentia.

Eram perguntas e tantas, sem respostas
Eram entradas e saídas, por altas portas
Era um amor a escorrer dentro do peito
Era o sonho de um ser, quase perfeito.

Mas tudo tem um fim no firmamento
Tudo se vai com o escalar da fantasia
E o que era noite passou e fez-se dia...

E a luz que na muralha teve alquimia
Em branda suavidade um só momento
Clareou com festa de rei, em novo dia!


- E a luz amarela no céu se envaideceu
no crepúsculo, sonhou ser sol e enterneceu! -

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Descanso na luz


Na escuridão já se vestia de alva luz
Compunha seus cabelos de cor de prata
Deitava os olhos ao que na vida a seduz
Dormia acordada com seu doar, grata.

Soltei-lhe um beijo, de mãe e de filha
Na cor do sono que por mim passeava
Sonhei um descanso como serena ilha
Sabendo a pureza que me enlaçava.

Faço uma pausa, olhando a vidraça
Caiu-me uma pétala de luz negaça
Que me atraiu e com ela me fez dançar...

Já não sei se a dormir, se a acordar
Na sua protecção me senti rodopiar
E bebi do mar, da sua gentil graça!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Às vezes



Às vezes corro pelo meu mundo aceso
Numa dor que afasta todo o medo
E cinge a tua ausência num gesto preso
Sem despertar do nosso segredo...
E falo, falo sem termo nem medida
Para a solidão interior da longa avenida
Que é o recanto da alma, minha guarida...
Às vezes palmilho léguas dentro de mim
Tantas vezes presa a um frenesim
Que teço e transformo em sedoso cetim...
E conto as longas esperas, nas esferas
Labirintos em que me embrulho na saudade
E paira por dentro, naquele gesto da verdade
Que traduz a monotonia das minhas esperas...
Às vezes já não sei, se era eu que te lembrava
Se és tu, que já me esqueces e nada te recordava...
Às vezes penso, que só às vezes tenho a sensação
Que ao olhar o rosto de um estranho vazio
Encontro quase cem anos de vida, presa por um fio...
Às vezes...sabes?! Em Lisboa vejo o Tejo
Vejo as pessoas todas em sério e sombrio cortejo
Subo as calçadas das ruelas antigas
Desço jardins com janelas floridas...
E penso: (só às vezes!) onde guardaste aquele coração
Que nunca mais eu vi em nenhum corpo, desde então?!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Chuva


Cada gotinha tua é um verso de cristal
Lavas e perfumas a terra do teu quintal
E prometes deixar tudo com ar cerimonial!

És quem abençoa a vida pelo caminho
Vou deitar-me em ti, qual lençol de linho...

Mas não demores muito a limpeza
Que o sol também quer vir na sua certeza
E eu quero sentar-me com ele à sua mesa!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Asas

Com minha mão a tremelicar os passaritos a desenhar...

Pardalitos a trinar, por entre as árvores
Num som bem caprichado e tão repetido
Como se a Primavera lhes doasse ares
No seu andar tão apaixonado e cerzido

Ouvir sua sinfonia, como é certeza
Que lhes envia a apaixonada Natureza
Um passo de mansinho pelo tempo
Se ouve em balada de pedido alento

Vem pardalito, vem pousar à minha beira
Quero beber de ti esse teu rodopiar
E bordar minha vida com teu estar...

Vem que eu quero aprender a voar
Ter na asa, cantiga assim feiticeira
E namorar como tu, no trigo de uma eira!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Cores de mim

Imagem autorizada e " roubada" ao extinto Folhas da Gaveta

Por vezes não sei
se o sangue é vermelho
se é da cor de espelho
que suaviza o mar...
Por vezes não sei
se o sangue é azul
cheiro em rosa de tule
que habita no ar...
Por vezes não sei
se o sangue é branco
como a neve de pranto
que a terra vem afagar...
Por vezes não sei
se o sangue é amarelo
roda de estrela em elo
que o verde faz vibrar...
Ah, mas uma coisa eu sei!
Só o sinto seiva a correr
vermelho em línquen de águas
num sal branco sem mágoas
subindo céu azul em alquimia
entoando sol, verde sinfonia
em arco-íris de paz a navegar...

fragilidade a bailar, no seu amimar
e na noite, escorrendo o silêncio
com a luz da lua, no seu bocejar!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Vida em fogo


Mergulhei na cova funda do sentido
uni com a amarra da alma a vontade
senti que estava presa na verdade
de um mundo que não tinha nascido
e todo o corpo se contorceu na ansiedade...
enrolando o meu corpo de febre a arder
abracei-me com os meus próprios braços
para fazer desaparecer aquele entristecer
que era um nada, na cabana do viver
de todos os meus derradeiros passos...

querendo apagar do rosto todos os cansaços...

morri, feito luz vermelha de feno a arder
com a cidade inteirinha por cenário
desejando acordar, num outro amanhecer...

e vi...dentro de mim, a emoção era campanário
que me abrigava de medos, que a vida fez nascer!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Quimera de sal


A pele sabe, a voz soa, a mente voa
No teu corpo de molhado ensejo
Navego pelas ondas sem que me doa
O mundo das dores que não desejo.

E corre em balada, som de Neptuno
Sinto-o escorrer em meu corpo a arder
Como se esse sal se fundisse uno
Ás vestes de um delfim a adormecer.

É uma harmonia de sensualidades a delirar
Quando meu corpo pelo teu, se sente tocar
Navegando entre as utopias do rochedo...

Vejo-te longe, vejo-te perto, vejo-te a medo
Não quero ir embora, quero contar-te segredo
A doce quimera a baloiçar em ti, meu desnudar!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Colo


Desejo tanto e tão intensamente
de tão intensamente que desejo
que o meu intenso o consente
consentindo-o como puro beijo.

Neste andar assim insistente
insistentemente descontente
não vejo porquê este ensejo
se faz desejo, chama ardente.

Que procura em desejo imenso
no insistente descontentamento
neste andar assim como no vento...

talvez um tudo e nada que acalento
um desejo puro sal de mar, sedento
ou simplesmente...o teu colo intenso!

terça-feira, 30 de março de 2010

Fonte de Luz



Olha a pérola miudinha
que corre por carreirinho
como aquela fonte prata...
Vem meu amor acolher
o corpo do meu dizer
debaixo da luz que se aparta...
Sabes, hoje vai ser lua cheia
o sol primaveril vai a fugir
cantando sua amada tocata...
A noite é um corpo de negro
que nos envolve em segredo
e a lua canta uma serenata...

Dois apaixonados...tão afastados
Fulgor...e a maré em som de catarata!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Sonho de Jardim


E o anjo alou e ao céu voltou
e a sua ternura ele me deixou!


E eu que assim, ando bailarina
Musa de ondas violetas
Com alquimias secretas...
Um anjo de branca batina
Com asas jeito brisa de marfim
Veio sentar-se juntinho de mim...
Pousou em meus sonhos de menina
Toda a graça em quimera bondade
Beijou-me, com néctar sem ter idade...

E eu sorri...
carinho intenso como perfume de jasmim!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Saudade de anjo


Hoje eu estou parada
Assim quase um nada
Como a lágrima
Que rola em solidão
Mas só dentro do coração
Que olha através da janela
A chuva, a brisa, feita sentinela
Num quadro de plena apatia
Em que não falta utopia
Dos silêncios medrosos
Que vêm bem buliçosos...
Hoje acordei sem anjo por perto
Para afagar o meu deserto
E tive saudades de ti...
Tantas, tantas...que quase morri!

domingo, 14 de março de 2010

Amor (fica pertinho)


Não fujas maré de água viva, em chama
Que em fogo lento, tua brisa vai no vento
Fica pertinho de mim, me toca, me ama
Deixa-me beber em teu corpo de sustento.

Não fujas luar de Janeiro em corpo inteiro
Nesse azul de rosa, que vai no firmamento
Deixa junto a mim, sabor maior feiticeiro
Fica pertinho de mim, sê o meu convento.

Quero-te tanto e mais, em tal envolvimento
Que não sei cantar as trovas do pensamento
Só sinto o Verbo a nascer, por dentro a doer...

Fica pertinho de mim, quero de ti beber...
Farei para que no estar, possas entardecer
E só Afrodite suspire no nosso casamento!

domingo, 7 de março de 2010

Página de vida


Na página aberta de ecrã de branca luz
a letra bordada de romance ponto de cruz
no cimo do livro que leu "era uma vez"
lhe veio lembrança da vida que se fez
evocando aurora, navegando no passado
cresceu, ficou sem nome e cantou seu fado!

Era azul, era poema, era dor, era solidão
giesta, amor-perfeito, dente-de-leão
era cor de paisagem a suar maresia
que no topo da serra, uma árvore floria
era barro de lama, num corpo com frio
que no tempo do fogo se aninhou e sorriu!

Era tudo era nada, no cimo de alta alvorada
contando seu tempo, na sebenta amarelada
jardinando na estrada de estreito caminho...
um dia, página aberta de um livro sem lombada
abraçou pétalas e pedras do amor sozinho
e cantou destino, como deleitoso mosto de vinho!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Devaneios


Uma flor bordada a seda branca no espaço
Tinha dias e dias de cansaço debruçada
Sonhava entre a cor da paz do seu regaço
Abraçar o quente e a luz na sua estrada.

Não que o sol lhe faltasse todos os dias
Porque de vez em quando ele lhe sorria
Mas por vezes eram tantas as fantasias
Que zangado de seus devaneios, ele fugia.

Ah, sol não te vás embora agora, prometo
Entre estes meus sonhos de flor bordada
Aquietar-me com meus segredos, abrigada...

E no azul do céu, com a tua cor tão dourada
Flor só será, em branca cor no teu puro leito
Sempre atenta, ao amor carente do meu peito!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Cinzento


Perfil de vermelho armado na luz de dor em cinza
Um rio que convida, num esperar de curta viagem
Um cinzento brumoso, as nuas árvores agoniza
Conversando igual, com vozes doutra margem.

Pára a vida, numa chuvinha que alumia
Uma tarde que parece um texto de sono
Rodando, o barulho do piso é sinfonia
Que se ouve, em lamento de abandono.

E passam fios, passam ventos, passam cinzentos
Passam frios bem entrelaçados dentro do peito
E a tarde se deita, com vontade da noite em jeito...

E corre na velocidade aquele brilho tão perfeito
De uma lágrima que enfeita a chuva em lamentos
E o Tempo diz: - cinza tem também seus momentos!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Tempo


Guardo as pedrinhas todas do meu crescer
Faço com elas a pulseira de um cântico novo
Como se um dia, me pudessem valer...
No afagar que me levará com elas no Tempo
Fazendo uma ode a quem faz parte do povo
Uma brisa, um vento, um lamento...

e um dia...enfeitarei a terra, a quem darei o meu ser!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Explosão

Acrílico em tela

explosão de cor no meu sentido interior
como o sol a desenhar arco-irís de amor
vindo da noite, que sonhava sem luz
docemente em arco que se seduz
cresceu quente e ganhou verde amor
abriu as fronteiras de alma em flor
e desfazendo algum mal da vida
limpou a dor, como se fosse ferida...

não sei como depois ficou meu ser
porque da explosão, nasceu adormecer
nas asas da luz que transbordou
a faísca do sentir em brasa acalmou
e o frio que era tanto e tão espinhoso
como magia, feito clarão gracioso
aqueceu meus pés, aqueceu meu coração
e fiquei a dormir, como se fosse alucinação...

e tão quieta fiquei na senda de Morfeu
que até seu pai Hipnos, se enterneceu
me deixou dormir, no meio de ébano em flor
e eu cresci dentro do sonho, segredando amor!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

E o "baile" faz um anito!...


Os aniversários (dizem) são quando se faz anos disto ou aquilo. Hoje, e para ser diferente e porque haverá por aí muita gente que provavelmente se interrogará: - será que ela escreve uma palavrita a direito, sem lá a enfeitar com a rima? - vim de forma corrida...ah, mas não prometo deixar de rimar…quando se começa, é difícil terminar! :)

E…troco pela minha rima, um sorriso aqui e ali, numa alma cansada, uma dor mal amanhada, um desafio à vida, numa lágrima perdida…enfim, quando criei este espaço, trazia na ideia o desejo de partilhar os versos, com que tanto me identifico, que escrevo quando medito, que escrevo no tempo, que já nem sei se tem tempo que não sabia escrever…sei que a maior parte dos meus visitantes compreende o que falo…digo que sei, porque muitos aprendi a respeitar pela sua maneira de ser e de se expressar…sim, porque aqui só usamos a palavra e pouco mais…e porque já diria alguém: - “em cada palavrinha escrita, deixamos um pedacito da nossa pele” - e por isso hoje decidi então deixar por aqui ao abandono da ideia, sem ter de pensar em rima para ela, a minha pura dedicação e o meu muito obrigada a todos que ao longo deste ano, foram uma companhia querida. Uns permaneceram, outros chegaram e partiram, outros resolveram apenas passar em silêncio…afinal a todos tenho de agradecer! Pouquitos mas muito bons, tenho a dizer! :)

OBRIGADA PELO CARINHO QUE ME TÊM DADO!


Ah, essa aí de cima sou eu, junto do Mar claro, podia lá ser de outra forma?!:)…o Sal tempera e como lágrimas eu deito tantas, na minha pura “lamechice”, onde melhor “enterrá-las” do que no sítio mais temperado que banha a terra num sussurro tão “poetizado”?!…e vou, que se faz tarde…e vou tentar não desapontar…afinal tudo tem um propósito...trocar poesia, pela vossa alegria e simpatia…e dar a esse espaço de troca, a Paz que temos na mão e deixamos fugir sem dar conta, aí pelos atalhos…pois que seja e fique, com muito doce no coração!

E fica meu beijo, a todos que cruzaram as portas do “baile” como uma dança de salão!...umas vezes valsa, outras tango, outras milonga…e porque não moderna, folclore, quizomba…mas sempre dançando com uma flor que deixa no ar o perfume do carinho, salpicado por amor!...seja hoje, amanhã ou quando for…seja!…um dia se terminar espero ser com uma chave de ouro, em que guardarei tudo dentro de minha arca como se se tratasse de um tesouro!!!!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Raminho


Raminho cinza, raminho nascendo
Vou esperar aqui sentada, teu sentir
Um verde se vê já em ti crescendo
E eu quero ver teu corpo a sorrir.

Ainda se houve o vento a segredar
Ainda formiga o frio que se faz bramir
Mas já tu sentes na seiva a germinar
Como a mãe da terra te vai vestir.

E eu quero estar por perto raminho cinza
Quero ver teus olhinhos verdes a delirar
Depois os olhos de meu saber, comparar...

Não sei raminho cinza, raminho que encinza
Se troco a tua cor, pelos meus a sonhar
Se espero, tua frescura me venha logo enfeitar!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Mensagem


No tecto do céu espreito tanta vez
Na procura de meus eternos porquês
Hoje quando espreitei e tão linda te vi
Julguei que cantavas e de alegria sorri.

Imaginei lá no fim de outras bandas
Outro alguém que também te olha assim
Fiz as contas, como tu no céu andas
E achei que meu amor pensava em mim.

Porque será que teu feitiço é grande, não sei
Mas certo é, que o céu me trás o teu recado
E fico eu tão serena, pensamento enamorado...

Lua feiticeira, leva esta mensagem a meu amado
Não o acordes! - diz-lhe que com amor o beijei
E saudade que vai contigo, em estrelinha eu deixei!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Gotinhas de cristal


Qual gotinha de cristal, se debruçavam
de duas varandas que enfeitavam...
- não, não tinham janelas, nem cinderelas!
tinham apenas um olhar, somente delas.

Também não eram de chuva, nem fonte
nem do mar sabiam o seu horizonte...
eram apenas gotinhas e nada mais
preciosas só na origem de seus ais.

E foi assim, que caíram devagarinho
das varandas que enfeitavam em beirais
um toque suave, um gemido, nada mais...

Na sua queda qual balada de mansinho
como o soar de piar de belos pardais
enfeitaram coração, ao som de seus ideias!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Não, hoje não


Na janela entreaberta já o sol aparecia
nos braços dos cortinados desenhados
ele se pendurava e parecia que sorria...

Tanto cansaço adornava a minha apatia
um querer do ser, os sentimentos parados
dia que sorria, era minha noite que sentia...

Aconcheguei-me ao sorriso do sol envergonhado
deixei que a lágrima limpasse a fadiga
e fosse sem eira, nem beira, a dor p`ra outro lado...

Ah, como tem dias que nos julgamos tão fúteis!

Míseros, sem préstimo, os seres mais desolados
e sem o sol...os sentidos vão ficando apagados...

E nossos amores tão desapegados e inúteis!

Roda aquela velhinha vadia, deprimente angústia
viaja na carruagem do caminho, sem serventia...

Não, hoje não...não te quero companhia na minha estrada
Quero-te longe...desce já! Na paragem escolhe outra morada...

Lá bem longe!...sem raminho, sem menino, sem água da fonte
Lá para trás...do mais longínquo horizonte!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Frio cheio em calor


Hoje tenho frio, tanto frio desenhado
que trago num robe branco enfeitado
com a pura lã, feita algodão
uma poção de calor entranhado
num interior que me aquece o coração...
Trago no meio do frio, uma vela acesa
para iluminar com mestria a Natureza
e afagar com carinho algum senão
que ilumina o caminho da mão...
E vai iluminar o meu grande desejo
de levar, qual calor de puro beijo
a quem está a crescer na ansiedade
que vive a solidão, da qual cidade...
Do mundo, tão perto e tão longe de mim
que tem dias em que o frio é tanto assim
que poção vem, em forma de poesia
e faz nascer sentimento, na alquimia
entregando ao seu destino, uma flor
que passeia no frio, dentro do meu calor...

e na doce melodia...canta uma ode o pastor!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Lá...faz de conta


Lá no fim do nunca, no meio do faz de conta
Para onde outrora, a memória reside e aponta
Assistem lembranças, do carinho das crianças
E na roda da ciranda bela, giram temperanças.

Não, não sei se por magia, tempo ou saudade
Vêm à memória as brincadeiras da doce idade
Patinam escondidas, pelos muros desta cidade
Na falta da suavidade, de uma doce liberdade.

Solta-se o nosso grito, tão surdo, oculto e mudo
Que trepa num aparato, feito de nada e de tudo
Servindo o nosso tempo ilusão, caminhos ledos
E a gente cresce, enfrentando segredos e medos.

E carregando as mágoas do amarrotado coração
Vêm-se os sonhos almejados, varridos pelo chão
Procurando no desespero, suavidade em doce mão
E na lágrima que cai, a procura de algum perdão.

E condimentando, canto onde se esconde a magia
Em regato, saltita o sangue em terra húmida e fria
E esquece-se a dor, embrulhando mel, a cada dia...

Lá no fim do nunca, no meio do faz de conta
Para onde um sorriso, ainda se afoita e apronta
Lá, onde o nunca é quase tudo e o nada se remonta...

Lá...o faz de conta num coração de poesia!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Luar escondido

acrílico sobre cartão

Bom Ano 2010 para todos

Luar que chegas escondido, minha luz encantada
Que iluminas um nosso final, uma nossa chegada
Lua Cheia, ilumina nossa numérica passagem!

Dos que vêm, dos que estão, desta nossa viagem
Luar de fim de Dezembro, cântico de Janeiro primeiro
Faz com que durma suave no céu, nosso mundo inteiro!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Um sorriso para ti, para ti e para ti...


Feliz Natal

Quando eu tinha um sorriso assim
e sonhava que morava em mim...

quando as estrelas cantavam e os olhos brilhavam
quando era a melhor prenda, carinho que me davam
era mundo lindo na quimera nascida, feito de marfim
todas as gentes se uniam, em doce sorriso carmim...

quando eu tinha um sorriso assim...
sorriso que encontrei na aurora do fim!

Um beijo de outrora, que guardei...e vos entrego agora!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Promessa


Quando as culpas necessitam de um corpo
E as vestes da alma habitam em desencanto
Quando tudo que me invade está só e morto
E margens de segredo são lágrimas de canto.

Quando o pensamento em desalento chora
E os dias passam despidos de vida, vivida
Quando o coração por momentos não mora
E os sentidos adormecem na crosta da ferida.

Meu amor, meu amor o teu ombro anseio
Na culpa que veste a alma de encanto
Passeio a ilusão e partilho teu espanto...

Meu amor, meu amor deita-me no teu seio
Deixa que lave a ansiedade no enleio
Prometo, um só segundo serei teu manto!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Cálido olhar


Aqueles olhinhos humildes me olhavam
Na sua tez pálida e triste, alma escrava
Vestidos como a noite escura brilhavam
Só a luz da lua, no seu segredo igualava.

Estendi os dedos um pouco a medo de magoar
Pois não sabia, como acariciar seu coração
Tão triste e só, me falava aquele seu tenro olhar
Senti-me indefesa, na procura de algum perdão.

Queria tanto um só instante, ser a luz que iluminasse
Queria enfim, pedir ajuda a toda a gente que passasse
A ternura e sustento, daqueles olhos que hipnotizavam

Sem brilho na dor da ilusão, meus olhos acompanhavam
Pobreza, a que jamais esquecerei porque me desafiavam
Cálido pedido: - que o mundo efémero, todo se emendasse!