Os olhos embaciados pela manhã tendo na luz um efeito de cor sã num despertar meio ansioso pelo respirar de dia caprichoso correndo vida em ar de lenda como se bailasse em fenda de um vulcão em plena erupção onde arde em lava o coração que procura no seu caminho a leveza do tic-tac de carinho percorrendo na imensa multidão o desejado calor de outra mão...
Tantos que encontras no destino espetados pela dor de qual espinho e por vezes esmorecem devagarinho gelados no meio da lava, sem tino...
Ah, olhos de coração...inventas tua condição recordas que o dia ainda agora começou e até à noite, a luz bafejará a tua absolvição!
Quando os azuis falam em mim nos folhos da minha camisola quando olham para mim e sentem a tristeza que me assola... Não tenhas pena coração! - Sente apenas que entendes que quando na vida te prendes se amarra o amor, enfim... - Os violetas todos, azuis são e são na saudade, cor carmim vestidos de suave cetim e com doçura te envolvem em perfume de jasmim... - Pssiuu...não digas nada... guarda-te arco-íris para mim!
No quarto crescente de parede negra Uma luz brilhante passeava pela cidade Era hora de Hipnos que alma se entrega E meus olhos abertos na sua claridade
Não sei se por motivo se por força de sentido O meu coração dos deuses não queria abrigo Eu me quedava muda, ouvindo o terno gemido Do silêncio, da luz da lua que brincava comigo
Não tinha sono, não tinha medo, não tinha nada A barra do lençol, tocava suave a minha face Florinhas azuis enfeitavam a minh`almofada...
Talvez o relógio dos dias, o ponteiro acertasse Com o compasso do coração, na noite calada E o tempo para a vida, em mim se inventasse!...
Com o coração rendilhado de pérolas de chuva Ouvindo burburinho do piso molhado da cidade Pensando em cheirinho de vindima de fresca uva Sinto de mansinho, o sol de outono, em claridade
E oiço o regato a correr inquieto em vertente Vejo ondas do meu mar, em seu iodo ondulante Toco as margens do ar, afago que sinto carente Das meigas carícias, de um chamado de amante
E com os sentidos bailando no meu peito aberto Mesmo que na cortina do meu quarto, fechados Sinto-te meu outono, com pés na terra molhados...
E correndo ligeirinho, no meu corpo de verbos cansados Dou por mim a sorrir às chuvas, ternuras a descoberto E sei em mim, teu sentir é meu sonho de ciclo coberto!
Adormeço pedindo a Morfeu que me deixe beijo teu em cima de almofada com uma flor desenhada e depois ainda a preceito espreito a Lua a meu jeito e vejo nela a claridade que me dança na saudade e canto aquela melodia que foi tua prenda um dia e depois, bem aconchegada em lençóis de linho deitada ainda em luz de efeito prata como fitinha que se desata na dobra da minha janela como se fosse a cinderela vejo-te em teu cavalo alado solto na lua, em verde prado e encanto a minha alquimia num pote da branda sinfonia que transforme em puro mel o som do trote do teu corcel numa plantação colorida de flor lilás, pura em magia e espero por ti... oh...amado meu... isto tudo dei eu a Morfeu e ele se deixou afagar e só o sonho me devolveu!
Em cada lado de uma saudade O vai-vem de um sopro em claridade Que finaliza o fim do Verão Que fala por mim, assim: - Teu afago se guarda no coração! Bordado com a sede de sã ansiedade Ainda que no ar somente de visita Ande em mim, alma de pomba bendita... Que pensa por mim, assim: - Porque não pode o sol e a lua Serem a medalha da face minha e tua E andarem de mão dada na intimidade Que é doce modelo, da suave metade?!...
- Por nada, não!...responde o eco da ilusão... - Guarda-me no coração, carinho meu Que na outra face do ser, já eu tenho o teu...
E ambos assim por dentro, movimento de luz Afagaremos o caminho da vida que nos conduz...
E que mal tem?...na brisa teu doce cheiro, sempre vem...
Quanta beleza na verdade do caminhante Seu passo de leveza da natureza constante Descansa pegadas no cimo do monte errante E reza aos céus, ser palco de música andante.
Lá no alto avista as torres, os sons, os infinitos Borda com a voz em eco, sons de belos gritos Suave cama verde, são seus lençóis benditos E os sonhos repousam nos vales, sem conflitos.
Vai dolente, tão quente, tão suado, tão amante Devorando os velhos caminhos do passado No presente, procura a riqueza do seu achado...
Ah, caminhante de pé de bota enfeitado Saudades levas de mim no teu coração andante E eu te aguardo, com o meu olhar algo brilhante!
(...que a caminhada seja bela enquanto dure eu aqui te espero, no tempo que ela perdure...)
Fotos da minha filhota, lá longe...em caminhada devota :)
Dentro do ser da vida vivida Existem momentos e tempos Uns são de uma tristeza sofrida Outros de sorrisos sem lamentos... Mas qual das metades de mim Será a parte que ganha e olvida Qual será a parte, enfim Que perde por ser esquecida?! Quantas metades temos nós Que se dividem e completam Enlaçadas dentro de nós Quantas são as que vegetam?! Talvez nem haja resposta Talvez porque é triste e certa Mas faz parte de mim, ser assim... Tantas as vezes, incompleta! Metades serão então? Caio em contradição... Pois as metades terão de ser iguais Ou não? Fico então pensativa E o meu conhecer se esquiva...
E o porquê, não procuro mais... Porque cá dentro da minha rima Metade existe que sempre anima!
Onde vais aportar ao cais? Onde vais tu meu bem, meu amor? Tu não vês nas mudanças das marés o segredo que te lava os pés? Olho tão longe, onde ficam vendavais olho tão perto, mas não vejo sinais de que anda por azul teu sabor junto dos golfinhos e algas de cor... Mas quando vais tu ancorar na barra da minha saia, feita de lapa de luz que deseja ser berço de teu ninar?! Que desassossego anda no teu apego que nas ondas soa como fado em cruz e se vai assim, todo o meu aconchego?!
Vem meu querido...apaga a dor desse segredo e vamos nadar juntos nas tuas ondas sem medo!!
(25/07/2010)
(e com este calorzito, como apetece no mar um mergulhito...mas tenham cuidado que os segredos deste Amor, podem aprisionar para sempre e quem não tiver cuidado, ficará preso eternamente...)
Junto a brisas de brumas salgadas Tantas das minhas lágrimas choradas Se misturavam com o iodo Numa mistura de elixir de um todo Que sarava os meus porquês Nas palavras que tu me lês... Diz-me porque tem de ser assim Apartada eu de ti e tu de mim... Diz-me que teremos a mesma varanda Cá deste lado ou lá na outra banda Com solfejos de maresia nas marés Que suavizem o caminho de nossos pés... Diz-me com carinho, com verdade E com o teu amor mata esta saudade Diz-me porque ando triste e sozinha Nesta multidão que se faz tão asinha...
Diz-me...olhando no meu olhar triste As loucuras que tu nunca mais viste Afagando-as com a inquieta imaginação Que povoa a varanda do teu coração...
...um dia, navegando no deambular do tempo que eu te abraçarei sem nenhum contratempo!
Branco e salgado, verde e temperado Corrias bravio, pela cor do céu alado Com música de violinos, feita de areias Entoavas valsas no cimo de ameias Soltavas taças de claras em castelo Entontecias os meus sonhos em novelo E vinhas ter comigo beijar meus pés Numa barquinha dentro de seu convés...
Ai, que perfume que soltava na maresia Teu corpo bronzeado pela doce fantasia...
E qual som, qual tom, qual toque em condição De me teres só para ti, num verso sempre à mão!
...e senti a comoção bater dentro de teu coração...
Da terra cheirando a feno e a erva, odores em perfumes Cheiram-se ao longe da vista, silêncios em queixumes O sol se derrama nas planícies das suas alvas e íris cores E eu planto na profundidade do meu estar, todos os amores.
Clara visão no céu, de um sossego em paz no firmamento Como se visse no eco do nada, uma troca de um lamento Visto a seara mansa do tempo com a serenidade do lago E sinto em mim a doce temperança de um delicioso afago.
E toco a brisa da amena calma, como um santo unguento Ao paladar chega o sabor do pão, que saboreio no vento Que me alimenta na vida, que recebo em sol feito de lume...
Paz interior, apaixonado som na pauta do vigor sentimento Tão branda, tão suave, maré calma ela em mim se assume A mãe de todo o meu dizer, que ao Amor na vida se resume!
Contraído, baralhado e cansado vejo o meu coração num balão que estando de paz alimentado se presta a ser um pacato folião... não sei se por destino, se por condição o balão paira e balança no ar talvez no bailarico da esquina anime simplesmente uma menina ou então, com o vento quer dançar para se enfeitar, saindo pela ruela qual manjerico a versejar à janela as quadras da sua colorida prestação... mas eu que o sinto a desfalecer a querer brincar na paz do seu viver tão tonto na festa que canta no seu rodopio que trás a quietude presa por um fio sonhar, se torna para ele um desafio...
Balãozinho de papel, segura-te bem... acompanha as marchas do teu santo padroeiro não rebentes, não estoires, mantém-te inteiro como o devaneio que o coração em ti detém dá-lhe o teu corpo cheio e ele volta a ser alguém!
Junto ao fundo do teu leito sem preconceito Passeando com os braços feito barbatanas Deslizando pelo meio das canas da margem Afagando os peixes que fazem canoagem Jogando à bola com os seixos Circulando na volta de onda de eixos Escorregando por balancés de lodos Falando a linguagem dos remoinhos todos Albergando as dores a montante Afogando as mágoas a jusante Rio da minha corrente sempre elegante Eu te navego de dia e de noite, na vertente Naufragando na preia-mar do teu estar Com voz de suspiros de sussuros no ar Uma flor na foz, eu te reclamo a sorrir Rio da minha vida, que te sei sem mentir...
Meu rio amado eu te venero, nas veias do meu fado!
Eram muralhas de luz, que se acendiam Nas bermas da noite escura que surgia Eram brios que tão cedo se escondiam Não fosse a treva matar, o que se sentia.
Eram perguntas e tantas, sem respostas Eram entradas e saídas, por altas portas Era um amor a escorrer dentro do peito Era o sonho de um ser, quase perfeito.
Mas tudo tem um fim no firmamento Tudo se vai com o escalar da fantasia E o que era noite passou e fez-se dia...
E a luz que na muralha teve alquimia Em branda suavidade um só momento Clareou com festa de rei, em novo dia!
- E a luz amarela no céu se envaideceu no crepúsculo, sonhou ser sol e enterneceu! -
Na escuridão já se vestia de alva luz Compunha seus cabelos de cor de prata Deitava os olhos ao que na vida a seduz Dormia acordada com seu doar, grata.
Soltei-lhe um beijo, de mãe e de filha Na cor do sono que por mim passeava Sonhei um descanso como serena ilha Sabendo a pureza que me enlaçava.
Faço uma pausa, olhando a vidraça Caiu-me uma pétala de luz negaça Que me atraiu e com ela me fez dançar...
Já não sei se a dormir, se a acordar Na sua protecção me senti rodopiar E bebi do mar, da sua gentil graça!
Às vezes corro pelo meu mundo aceso Numa dor que afasta todo o medo E cinge a tua ausência num gesto preso Sem despertar do nosso segredo... E falo, falo sem termo nem medida Para a solidão interior da longa avenida Que é o recanto da alma, minha guarida... Às vezes palmilho léguas dentro de mim Tantas vezes presa a um frenesim Que teço e transformo em sedoso cetim... E conto as longas esperas, nas esferas Labirintos em que me embrulho na saudade E paira por dentro, naquele gesto da verdade Que traduz a monotonia das minhas esperas... Às vezes já não sei, se era eu que te lembrava Se és tu, que já me esqueces e nada te recordava... Às vezes penso, que só às vezes tenho a sensação Que ao olhar o rosto de um estranho vazio Encontro quase cem anos de vida, presa por um fio... Às vezes...sabes?! Em Lisboa vejo o Tejo Vejo as pessoas todas em sério e sombrio cortejo Subo as calçadas das ruelas antigas Desço jardins com janelas floridas... E penso: (só às vezes!) onde guardaste aquele coração Que nunca mais eu vi em nenhum corpo, desde então?!
Com minha mão a tremelicar os passaritos a desenhar...
Pardalitos a trinar, por entre as árvores Num som bem caprichado e tão repetido Como se a Primavera lhes doasse ares No seu andar tão apaixonado e cerzido
Ouvir sua sinfonia, como é certeza Que lhes envia a apaixonada Natureza Um passo de mansinho pelo tempo Se ouve em balada de pedido alento
Vem pardalito, vem pousar à minha beira Quero beber de ti esse teu rodopiar E bordar minha vida com teu estar...
Vem que eu quero aprender a voar Ter na asa, cantiga assim feiticeira E namorar como tu, no trigo de uma eira!
Imagem autorizada e " roubada" ao extinto Folhas da Gaveta
Por vezes não sei se o sangue é vermelho se é da cor de espelho que suaviza o mar... Por vezes não sei se o sangue é azul cheiro em rosa de tule que habita no ar... Por vezes não sei se o sangue é branco como a neve de pranto que a terra vem afagar... Por vezes não sei se o sangue é amarelo roda de estrela em elo que o verde faz vibrar... Ah, mas uma coisa eu sei! Só o sinto seiva a correr vermelho em línquen de águas num sal branco sem mágoas subindo céu azul em alquimia entoando sol, verde sinfonia em arco-íris de paz a navegar...
fragilidade a bailar, no seu amimar e na noite, escorrendo o silêncio com a luz da lua, no seu bocejar!
Mergulhei na cova funda do sentido uni com a amarra da alma a vontade senti que estava presa na verdade de um mundo que não tinha nascido e todo o corpo se contorceu na ansiedade... enrolando o meu corpo de febre a arder abracei-me com os meus próprios braços para fazer desaparecer aquele entristecer que era um nada, na cabana do viver de todos os meus derradeiros passos...
querendo apagar do rosto todos os cansaços...
morri, feito luz vermelha de feno a arder com a cidade inteirinha por cenário desejando acordar, num outro amanhecer...
e vi...dentro de mim, a emoção era campanário que me abrigava de medos, que a vida fez nascer!
Olha a pérola miudinha que corre por carreirinho como aquela fonte prata... Vem meu amor acolher o corpo do meu dizer debaixo da luz que se aparta... Sabes, hoje vai ser lua cheia o sol primaveril vai a fugir cantando sua amada tocata... A noite é um corpo de negro que nos envolve em segredo e a lua canta uma serenata...
Dois apaixonados...tão afastados Fulgor...e a maré em som de catarata!
E o anjo alou e ao céu voltou e a sua ternura ele me deixou!
E eu que assim, ando bailarina Musa de ondas violetas Com alquimias secretas... Um anjo de branca batina Com asas jeito brisa de marfim Veio sentar-se juntinho de mim... Pousou em meus sonhos de menina Toda a graça em quimera bondade Beijou-me, com néctar sem ter idade...
E eu sorri... carinho intenso como perfume de jasmim!
Assim quase um nada Como a lágrima Que rola em solidão Mas só dentro do coração Que olha através da janela A chuva, a brisa, feita sentinela Num quadro de plena apatia Em que não falta utopia Dos silêncios medrosos Que vêm bem buliçosos... Hoje acordei sem anjo por perto Para afagar o meu deserto E tive saudades de ti... Tantas, tantas...que quase morri!
Não fujas maré de água viva, em chama Que em fogo lento, tua brisa vai no vento Fica pertinho de mim, me toca, me ama Deixa-me beber em teu corpo de sustento.
Não fujas luar de Janeiro em corpo inteiro Nesse azul de rosa, que vai no firmamento Deixa junto a mim, sabor maior feiticeiro Fica pertinho de mim, sê o meu convento.
Quero-te tanto e mais, em tal envolvimento Que não sei cantar as trovas do pensamento Só sinto o Verbo a nascer, por dentro a doer...
Fica pertinho de mim, quero de ti beber... Farei para que no estar, possas entardecer E só Afrodite suspire no nosso casamento!
Na página aberta de ecrã de branca luz a letra bordada de romance ponto de cruz no cimo do livro que leu "era uma vez" lhe veio lembrança da vida que se fez evocando aurora, navegando no passado cresceu, ficou sem nome e cantou seu fado!
Era azul, era poema, era dor, era solidão giesta, amor-perfeito, dente-de-leão era cor de paisagem a suar maresia que no topo da serra, uma árvore floria era barro de lama, num corpo com frio que no tempo do fogo se aninhou e sorriu!
Era tudo era nada, no cimo de alta alvorada contando seu tempo, na sebenta amarelada jardinando na estrada de estreito caminho... um dia, página aberta de um livro sem lombada abraçou pétalas e pedras do amor sozinho e cantou destino, como deleitoso mosto de vinho!
Uma flor bordada a seda branca no espaço Tinha dias e dias de cansaço debruçada Sonhava entre a cor da paz do seu regaço Abraçar o quente e a luz na sua estrada.
Não que o sol lhe faltasse todos os dias Porque de vez em quando ele lhe sorria Mas por vezes eram tantas as fantasias Que zangado de seus devaneios, ele fugia.
Ah, sol não te vás embora agora, prometo Entre estes meus sonhos de flor bordada Aquietar-me com meus segredos, abrigada...
E no azul do céu, com a tua cor tão dourada Flor só será, em branca cor no teu puro leito Sempre atenta, ao amor carente do meu peito!
Perfil de vermelho armado na luz de dor em cinza Um rio que convida, num esperar de curta viagem Um cinzento brumoso, as nuas árvores agoniza Conversando igual, com vozes doutra margem.
Pára a vida, numa chuvinha que alumia Uma tarde que parece um texto de sono Rodando, o barulho do piso é sinfonia Que se ouve, em lamento de abandono.
E passam fios, passam ventos, passam cinzentos Passam frios bem entrelaçados dentro do peito E a tarde se deita, com vontade da noite em jeito...
E corre na velocidade aquele brilho tão perfeito De uma lágrima que enfeita a chuva em lamentos E o Tempo diz: - cinza tem também seus momentos!
Guardo as pedrinhas todas do meu crescer Faço com elas a pulseira de um cântico novo Como se um dia, me pudessem valer... No afagar que me levará com elas no Tempo Fazendo uma ode a quem faz parte do povo Uma brisa, um vento, um lamento...
e um dia...enfeitarei a terra, a quem darei o meu ser!
explosão de cor no meu sentido interior como o sol a desenhar arco-irís de amor vindo da noite, que sonhava sem luz docemente em arco que se seduz cresceu quente e ganhou verde amor abriu as fronteiras de alma em flor e desfazendo algum mal da vida limpou a dor, como se fosse ferida...
não sei como depois ficou meu ser porque da explosão, nasceu adormecer nas asas da luz que transbordou a faísca do sentir em brasa acalmou e o frio que era tanto e tão espinhoso como magia, feito clarão gracioso aqueceu meus pés, aqueceu meu coração e fiquei a dormir, como se fosse alucinação...
e tão quieta fiquei na senda de Morfeu que até seu pai Hipnos, se enterneceu me deixou dormir, no meio de ébano em flor e eu cresci dentro do sonho, segredando amor!
Os aniversários (dizem) são quando se faz anos disto ou aquilo. Hoje, e para ser diferente e porque haverá por aí muita gente que provavelmente se interrogará: - será que ela escreve uma palavrita a direito, sem lá a enfeitar com a rima? - vim de forma corrida...ah, mas não prometo deixar de rimar…quando se começa, é difícil terminar! :)
E…troco pela minha rima, um sorriso aqui e ali, numa alma cansada, uma dor mal amanhada, um desafio à vida, numa lágrima perdida…enfim, quando criei este espaço, trazia na ideia o desejo de partilhar os versos, com que tanto me identifico, que escrevo quando medito, que escrevo no tempo, que já nem sei se tem tempo que não sabia escrever…sei que a maior parte dos meus visitantes compreende o que falo…digo que sei, porque muitos aprendi a respeitar pela sua maneira de ser e de se expressar…sim, porque aqui só usamos a palavra e pouco mais…e porque já diria alguém: - “em cada palavrinha escrita, deixamos um pedacito da nossa pele” - e por isso hoje decidi então deixar por aqui ao abandono da ideia, sem ter de pensar em rima para ela, a minha pura dedicação e o meu muito obrigada a todos que ao longo deste ano, foram uma companhia querida. Uns permaneceram, outros chegaram e partiram, outros resolveram apenas passar em silêncio…afinal a todos tenho de agradecer! Pouquitos mas muito bons, tenho a dizer! :)
OBRIGADA PELO CARINHO QUE ME TÊM DADO!
Ah, essa aí de cima sou eu, junto do Mar claro, podia lá ser de outra forma?!:)…o Sal tempera e como lágrimas eu deito tantas, na minha pura “lamechice”, onde melhor “enterrá-las” do que no sítio mais temperado que banha a terra num sussurro tão “poetizado”?!…e vou, que se faz tarde…e vou tentar não desapontar…afinal tudo tem um propósito...trocar poesia, pela vossa alegria e simpatia…e dar a esse espaço de troca, a Paz que temos na mão e deixamos fugir sem dar conta, aí pelos atalhos…pois que seja e fique, com muito doce no coração!
E fica meu beijo, a todos que cruzaram as portas do “baile” como uma dança de salão!...umas vezes valsa, outras tango, outras milonga…e porque não moderna, folclore, quizomba…mas sempre dançando com uma flor que deixa no ar o perfume do carinho, salpicado por amor!...seja hoje, amanhã ou quando for…seja!…um dia se terminar espero ser com uma chave de ouro, em que guardarei tudo dentro de minha arca como se se tratasse de um tesouro!!!!
Qual gotinha de cristal, se debruçavam de duas varandas que enfeitavam... - não, não tinham janelas, nem cinderelas! tinham apenas um olhar, somente delas.
Também não eram de chuva, nem fonte nem do mar sabiam o seu horizonte... eram apenas gotinhas e nada mais preciosas só na origem de seus ais.
E foi assim, que caíram devagarinho das varandas que enfeitavam em beirais um toque suave, um gemido, nada mais...
Na sua queda qual balada de mansinho como o soar de piar de belos pardais enfeitaram coração, ao som de seus ideias!
Hoje tenho frio, tanto frio desenhado que trago num robe branco enfeitado com a pura lã, feita algodão uma poção de calor entranhado num interior que me aquece o coração... Trago no meio do frio, uma vela acesa para iluminar com mestria a Natureza e afagar com carinho algum senão que ilumina o caminho da mão... E vai iluminar o meu grande desejo de levar, qual calor de puro beijo a quem está a crescer na ansiedade que vive a solidão, da qual cidade... Do mundo, tão perto e tão longe de mim que tem dias em que o frio é tanto assim que poção vem, em forma de poesia e faz nascer sentimento, na alquimia entregando ao seu destino, uma flor que passeia no frio, dentro do meu calor...
Lá no fim do nunca, no meio do faz de conta Para onde outrora, a memória reside e aponta Assistem lembranças, do carinho das crianças E na roda da ciranda bela, giram temperanças.
Não, não sei se por magia, tempo ou saudade Vêm à memória as brincadeiras da doce idade Patinam escondidas, pelos muros desta cidade Na falta da suavidade, de uma doce liberdade.
Solta-se o nosso grito, tão surdo, oculto e mudo Que trepa num aparato, feito de nada e de tudo Servindo o nosso tempo ilusão, caminhos ledos E a gente cresce, enfrentando segredos e medos.
E carregando as mágoas do amarrotado coração Vêm-se os sonhos almejados, varridos pelo chão Procurando no desespero, suavidade em doce mão E na lágrima que cai, a procura de algum perdão.
E condimentando, canto onde se esconde a magia Em regato, saltita o sangue em terra húmida e fria E esquece-se a dor, embrulhando mel, a cada dia...
Lá no fim do nunca, no meio do faz de conta Para onde um sorriso, ainda se afoita e apronta Lá, onde o nunca é quase tudo e o nada se remonta...
"Não tenhas medo, ouve: É um poema Um misto de oração e de feitiço... Sem qualquer compromisso, Ouve-o atentamente, De coração lavado. Poderás decorá-lo E rezá-lo Ao deitar, Ao levantar, Ou nas restantes horas de tristeza Na segura certeza De que mal não te faz. E pode acontecer que te dê paz..."