domingo, 18 de maio de 2014

Cidade berço





No espaço interior do ser
Acordando outro amanhecer
Respirando o ventre da essência
Que não o explica a ciência
Cada inspiração, requer expiração
Mas controlando com a emoção
Um coração pulsa devagarinho
Ao ritmo do pulmão, seu vizinho
E sopram-se ventos de procura
Da viagem que sempre não dura
E colhem-se candeias de ternura
Nos olhos brandos de claridade
Que ama e adora a sua cidade...
E bordam-se cais e rio e marés
Pontes, telhados, chaminés
Branco, verde, azul e amarelo
Colinas e ameias de castelo...
E  na tarde que morre devagarinho
Fica o vento doando seu carinho
Na Senhora do Monte que beija
A cidade, Mãe que a ti te proteja
Na Graça, que te foi concedida
Na cadeira da santa ermida...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Na esquina da minha rua




Na esquina da minha rua
Sobram silêncios amargurados
Flores que abraçando a lua
São segredos, tão magoados

Pendentes, carentes, pungentes
Que sonham dia ansiando alegria
Silêncios das mãos de gentes
Que se recolhem na noite fria

Na esquina da minha rua
Na berma do passeio que chora
De coração partido, a alma nua...

Na esquina da minha rua
Mora a saudade que continua
Que sempre foi, será e é agora!

19/04/14
(horas antes de receber a noticia
da partida da minha mãe
para a morada final...
já sentia a saudade
do que viria a ser a verdade...
que descanse em paz
e que o eterno descanso
seja suave, sereno e manso!...)

domingo, 13 de abril de 2014

Quero um beijo




Quero um beijo,
um beijo, só
que seja...
Um raio de luar
Uma nuvem no ar
Uma estrela cadente
Num toque somente
Que seja...
Um rio a desaguar
Num mar a marujar
Um marinheiro sentinela
Varanda da brisa aguarela
Que seja...
Floresta  verdejante
Pés sentidos de viajante
Numa bonita vereda
Alecrim, jasmim, flor de seda
Que seja...
Toda a ternura esquecida
Toda a paixão sentida
Na sede de corpo sedento
Refrescante como vento
Quero um beijo
um beijo, só
que seja...
E que só, somente
Seja meu coração que o veja!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Poetizar Monsaraz II

 LENDO...




Uma pequena amostra do "baptismo" do Livro Poetizar Monsaraz II que ao nascer, trás dentro de si a poesia e fotografia, daqueles que com muito carinho o fizeram acontecer!
Um muito obrigada a todos os presentes (e aos ausentes) que encantaram Monsaraz com almas tão quentes!
O meu agradecimento, por me terem deixado fazer parte do encantamento!

sexta-feira, 28 de março de 2014


Com carinho agradeço a vossa presença 
no lançamento do livro Poetizar Monsaraz II no dia 29 de Março pelas 21h30m.
                                                              Isabel Vieira
                                                                                    (baila sem peso)

sábado, 22 de março de 2014

momento sem tempo



Desafiando o sol do equinócio
Carpe diem  com sereno ócio
Porque hoje é dia, é agora
E eu teço tua luz, na memória
Com a fome do aconchego
Tendo o interior em sossego
E com pétalas de seda pura
Na suavidade da brancura
Venho apenas desfiar amor
Na quietude de simples flor...

Que me importa amanhã, meu amor
Se foi hoje que me banhei de teu suor
Que me importa que o dia se finde
Se dentro dele já está teu brinde...

Quero ser amante, luz do teu crepúsculo
Ainda que breve, sem tempo, sem hora
Quero ser leque de luz, a tua boreal aurora!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Talvez


Ao mais alto lugar da esperança, subi
O maior desejo de uma verdade pedi
Teu nome gritei, ao vento da procura
Nada se faz ouvir, nesta vontade pura.

Talvez eu não saiba o teu nome pronunciar
Talvez eu não saiba como o devo soletrar
Talvez eu esteja num outro lado, do horizonte
Talvez já bebas, mates sede numa outra fonte.

Troco vogais e consoantes, nesta vã fadiga
Já não sei porque deste querer, ando mendiga
De te chamar, por tanto vale, por tanto monte...

Ajoelho já cansada, rezo em desejo sagrado
Que um dia me ouças, venhas ao meu chamado
Talvez teu nome, seja a vida minha que conte...

(meu soneto no ex-blog Refúgio em 13/06/2006)

domingo, 29 de dezembro de 2013

Alma na noite fria





Na noite escura e fria
A alma subia, subia
Cada degrau de monotonia
Dentro da alquimia
De fim de mais um dia...
Frio, muito frio fazia
E cada sentir de fantasia
Emoldurava a magia
E fazia do sonho, a utopia
Que na escuridão desfalecia...
 
E a alma cantava, em saudosa sinfonia:
Porque padeço, porque estou tão vazia!?
E a noite: sossega! logo ouvirás o canto da cotovia
E a tua voz murmurando, será sonata, de alegria!