segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Preces




Que sensação interior
Vem no respirar do meu regaço
Que estado parado e sem cor
Tão frio, tão dormente, desenhado a fraco
compasso...
No leito da alma as noites quentes, são frias
E mesmo nas paredes de cor doce
As cobertas da cama, mesmo macias
Tanto coração pede ao menos num minuto
serenidade só, fosse...
Mas a Natureza da Vida é de ciclos
E tem momentos que trazem surpresas
E tem massacres, fins cíclicos
Deixa que seres humanos sejam
represas...
Na história dos homens tanta semelhança
E se matam ideais com ufanos punhais
Sejam armas, ou palavras de lança
O mundo inteiro está sujo e de actos de
bárbaros sinais...
Talvez eu não saiba pronunciar
Que este desamor é um espaço sem cor
O coração deixa simplesmente de pulsar
Perecendo, vira o mundo uma máquina
sem o motor do Amor...
Por favor não deixem a crueldade vingar
Por favor estendam de fraternidade as mãos
Amor única verdade, que sabe a Vida guardar!...
E na cama macia em prece aos céus, sonho meu
Um grito afogado - afaguem-se, sejam irmãos!...



(23/11/2015)

sábado, 31 de outubro de 2015

Outono





Tão sereno está o ar no movimento
Nem a brisa me toca com seu manto
Estou sonolenta sem alma em lamento
E com o outono na bainha do encanto
Vai o meu sonho bordando um corpete
Com linhas de chuva miudinha
E alinhavando o que em mim se repete
A mansidão do tecido, na ladainha
De um estar que o tempo me promete
Um aconchego de pura lã, branquinha

E reparo então que não estou sozinha
Alguém borda também a sua veste
Se encanta com o silêncio que acarinha
E chuleia a ponto cruz bainha silvestre
E vai no amarelo, o castanho misturado
Com o rosa do sonho de princesa
E se junta um azul, menino raiado
Na quietude de um som da natureza
E nas cores que o silêncio fala embriagado
Nasce cinzento, despe o corpo e é nudeza!

domingo, 27 de setembro de 2015

Depois da Vida





No ciclo da mãe em tom dourado
A folha separa-se do corpo amado
E vai serenamente pousar na seiva
Outono, que a acolhe como noiva
E na alma da cor que se solta
Vai o colorido da paz envolta
Pousando no céu feito nuvem
Espera metamorfose que vem
Depois das chuvas, luz vera
E um sopro de novo se esmera
E a folha une-se graciosa
Num novo ciclo, verde e airosa...

Assim é o amor da vida que nos enlaça
Na mudança que surge no velho Tempo
Por nós nasce, por nós vive, por nós passa...

Um dia depois da vida, outra vida
Pneuma terá de novo, outra guarida!...

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Lágrimas





Lágrimas nas minhas simples rimas
Como gosto quando tu as animas
São diamantes feitos de estrelas
Quando pela noitinha tu vens vê-las
Teus dizeres em perfumados afagos
Cachos de uvas, beijos em bagos
Lágrimas que adoças em meu colo
Em fina cambraia as enrolo
São como pérolas de orvalho
Terno pardal, pipilando em seu galho
Ai as lágrimas, só tu as sabes beber
Quando nos meus olhos as vês a nascer

E as sabes, e as sentes, e as vens enternecer
Porque tu nasceste num tempo de água
E elas são feitas de sal, de azul e de mágoa
Mas sempre rio de sol, de madrugada a nascer!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Plumas brancas




Plumas brancas em doce caminho
Lado a lado casam com a margem
E nadam suave brisa de mansinho
E como é doce paz sua mensagem

Venham tragam em pergaminho
Palavras alvas, soando coragem
Escritas com pena do vosso ninho
Venham...não façam paragem...

Como se as águas fossem de carinho
Nesse navegar entre verde folhagem
E o sol se deitasse com um passarinho

E já noite dentro muito devagarinho
Na hera, entre o fresco da aragem
Céu estrelado, cheirasse a rosmaninho