quinta-feira, 21 de abril de 2011
sábado, 16 de abril de 2011
Toque de cor

Na esquina da velhinha janela
nascia rebelde florinha singela
que bordava de suave alento
numa brisa em pluma de vento
a melancolia que dentro vivia
numa bruma cheia de fantasia
camuflando a agrura da ironia...
A saudade era gotinha de choro
no interior, onde se ouvia em coro
uma sinfonia de cor indefinida
como afinal, era toda a sua vida...
Qual será então, pequenina flor
o verdadeiro toque da tua cor?!...
nascia rebelde florinha singela
que bordava de suave alento
numa brisa em pluma de vento
a melancolia que dentro vivia
numa bruma cheia de fantasia
camuflando a agrura da ironia...
A saudade era gotinha de choro
no interior, onde se ouvia em coro
uma sinfonia de cor indefinida
como afinal, era toda a sua vida...
Qual será então, pequenina flor
o verdadeiro toque da tua cor?!...
sábado, 26 de março de 2011
Tempo...

No verde do tapete do tempo
fica um azul desenhado com verdade
pináculo humano do contratempo
desenhando caminhos de saudade...
fica um azul desenhado com verdade
pináculo humano do contratempo
desenhando caminhos de saudade...
Etiquetas:
Coração,
Palavras de silêncio,
Saudade,
Sentimentos
sexta-feira, 11 de março de 2011
Voo de asas ao luar...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Que sentimento...

Ao som de música, meu amor
vejo a tarde passar estendida
com um sol de luz estarrecida
e uma saudade não sei do quê
que me deixa em interrogação
me deixa presa ao pensamento
nas vozes de algum lamento...
que sentimento é este meu amor
que trás na melancolia
uma sentida apatia
mistura de cansaço
que não se importa com que faço
mas que brisa aconchega em seu regaço?!...
que sentimento é este meu amor
que me trás na melodia
dentro de uma sinfonia
de acordes de suave solidão
misturada de indefesa ilusão
pautas esquecidas do que a vida é, ou não?!...
e a tarde se vai escondendo
e a música se vai misturando
com a certeza da leveza
contrariando noite de escuridão
iludindo com carente sofreguidão
dando luz a meu suado chão...
que sentimento é este, diz-me coração
tantos dias me vestes de compaixão
e no interior te tornas meu senhor...
- Que sentimento é este, meu amor?
vejo a tarde passar estendida
com um sol de luz estarrecida
e uma saudade não sei do quê
que me deixa em interrogação
me deixa presa ao pensamento
nas vozes de algum lamento...
que sentimento é este meu amor
que trás na melancolia
uma sentida apatia
mistura de cansaço
que não se importa com que faço
mas que brisa aconchega em seu regaço?!...
que sentimento é este meu amor
que me trás na melodia
dentro de uma sinfonia
de acordes de suave solidão
misturada de indefesa ilusão
pautas esquecidas do que a vida é, ou não?!...
e a tarde se vai escondendo
e a música se vai misturando
com a certeza da leveza
contrariando noite de escuridão
iludindo com carente sofreguidão
dando luz a meu suado chão...
que sentimento é este, diz-me coração
tantos dias me vestes de compaixão
e no interior te tornas meu senhor...
- Que sentimento é este, meu amor?
(escrito a 06/02/11)
domingo, 30 de janeiro de 2011
Embalo

Na canção de embalar
Oiço liras harpas e violinos
Sinos de campanários
Anunciando suaves hinos
Oiço lírica de luz celeste
Entregue por mão campestre
Que faz sorrir um rio
E de carinho mata o frio...
E o chão de verde se veste
Seguindo suaves águas no seu leito
E o coração, soa baixinho ao seu jeito...
Será que a vida sossegou num tudo e nada
E tão sã e travessa, me embalou feito fada!?
Oiço liras harpas e violinos
Sinos de campanários
Anunciando suaves hinos
Oiço lírica de luz celeste
Entregue por mão campestre
Que faz sorrir um rio
E de carinho mata o frio...
E o chão de verde se veste
Seguindo suaves águas no seu leito
E o coração, soa baixinho ao seu jeito...
Será que a vida sossegou num tudo e nada
E tão sã e travessa, me embalou feito fada!?
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Mãos
Mãos estendidas, mãos cansadas, mãos carentes
São assim as mãos em clamores ardentes
Não fossem elas mãos do meio de tanta gente
Poesia de um sentir pedinte de coração quente
Possam lavar-se em mares de gratidão
Possam pisar as ternuras de terno chão
Voando com asas de ave, feito falcão
Sonhando que entrelaçadas sempre se dão
E em seus segredos de cansaços e incertezas
Possam ainda enfeitar o carinho de muitas mesas
Com a alma que vão tendo em suas certezas...
Não, não te pedem o mundo, nem o universo
Somente que haja paz em cada verso
E as suas rugas somem, todo o amor que está imerso!
São assim as mãos em clamores ardentes
Não fossem elas mãos do meio de tanta gente
Poesia de um sentir pedinte de coração quente
Possam lavar-se em mares de gratidão
Possam pisar as ternuras de terno chão
Voando com asas de ave, feito falcão
Sonhando que entrelaçadas sempre se dão
E em seus segredos de cansaços e incertezas
Possam ainda enfeitar o carinho de muitas mesas
Com a alma que vão tendo em suas certezas...
Não, não te pedem o mundo, nem o universo
Somente que haja paz em cada verso
E as suas rugas somem, todo o amor que está imerso!
(escrito a 02/01/2011)
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Ao futuro...

Vermelho sangue nas veias correndo
Com baguinhas de cor nas entranhas
Nasce assim um novo tempo crescendo
Sem saberes como na vida te amanhas
Vais secretamente bonança desejando
Com sede de beber de pura condição
Apenas com ansiedade sussurrando
Às veredas, das paredes do coração
Ah, como é incerto o tempo, o caminho
Como avistas ao longe turva ilusão
Mas a tratas mesmo assim com carinho...
Quantos tempos, quanto do teu chão
Retratas nas feituras do teu ninho
E quanto Amor entregas na tua devoção!...
Com baguinhas de cor nas entranhas
Nasce assim um novo tempo crescendo
Sem saberes como na vida te amanhas
Vais secretamente bonança desejando
Com sede de beber de pura condição
Apenas com ansiedade sussurrando
Às veredas, das paredes do coração
Ah, como é incerto o tempo, o caminho
Como avistas ao longe turva ilusão
Mas a tratas mesmo assim com carinho...
Quantos tempos, quanto do teu chão
Retratas nas feituras do teu ninho
E quanto Amor entregas na tua devoção!...
sábado, 18 de dezembro de 2010
Sonho
Naquele dia fazia tanto frio
Mas nem ele nem ela o sentiu
Caminhavam de mão dada
Dizem que pela estrada
A caminho da terra de além
Que diziam chamar-se Belém...
Não, não era Maria, nem era José
Nem importa se tinham nome até
Eram um menino e uma menina
Que sonhavam com história que ilumina
Que os fazia cegamente acreditar
A serenidade que queriam no seu lar
E no doce aconchego da memória
Ter estrelinhas luzentes em sua glória
Quando o Natal se anunciasse
Um Menino com sorriso abençoasse...
É que eles vinham do tempo sem passado
E se esse presente lhes fosse ofertado
Tinham a certeza que o Milagre se daria
E fosse João, José, Madalena ou Maria
Nunca mais no seu lar a fome entraria...
E então sim...o Bom Natal jamais faltaria!
Será que encontraram a estrelinha de Belém?
Aquela, dos Reis que o Presépio sempre tem...
Não sei...penso que não...ficava lá tããooo longe
Nem com ajuda de bastão de velhinho monge...
Por certo tanto caminharam...no caminho adormeceram
Os Anjos então farão Milagre que lhes encomendaram
Para pelo menos nascer sempre Amor no seu coração
E aqui começa ou termina, a história do meu serão!...
Caminhavam de mão dada
Dizem que pela estrada
A caminho da terra de além
Que diziam chamar-se Belém...
Não, não era Maria, nem era José
Nem importa se tinham nome até
Eram um menino e uma menina
Que sonhavam com história que ilumina
Que os fazia cegamente acreditar
A serenidade que queriam no seu lar
E no doce aconchego da memória
Ter estrelinhas luzentes em sua glória
Quando o Natal se anunciasse
Um Menino com sorriso abençoasse...
É que eles vinham do tempo sem passado
E se esse presente lhes fosse ofertado
Tinham a certeza que o Milagre se daria
E fosse João, José, Madalena ou Maria
Nunca mais no seu lar a fome entraria...
E então sim...o Bom Natal jamais faltaria!
Será que encontraram a estrelinha de Belém?
Aquela, dos Reis que o Presépio sempre tem...
Não sei...penso que não...ficava lá tããooo longe
Nem com ajuda de bastão de velhinho monge...
Por certo tanto caminharam...no caminho adormeceram
Os Anjos então farão Milagre que lhes encomendaram
Para pelo menos nascer sempre Amor no seu coração
E aqui começa ou termina, a história do meu serão!...
Serão futuros homens, os meninos em peregrinação...
Gostaram? Sim...não? Então vá, digam lá:
- Como gostariam que fosse se não houvesse gente má?
Sorrisos meus amigos, são precisos
Para aliviar da vida nossos tramados sisos! :))
Que não seja só um sonho que na mão vos ponho
Que no vosso cantinho do quentinho lar
Haja milagre hoje e sempre, que venha afagar!!
BOM NATAL e um desejado e risonho PRESENTE
Que venha alegrar o FUTURO e o ponha mais CONTENTE
PARA NO MUNDO ALBERGAR TODA A GENTE!!!!
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Tempo...
O ouro a bailar sobre tapete azul
vestiu-se de ausência
e pediu paciência...
A luz volta sempre ao seu lugar
é só saber esperar...
Quanta pode ser a demora
mas coração não chora
porque,
na sua sapiência
aguarda sempre bela aurora!...
vestiu-se de ausência
e pediu paciência...
A luz volta sempre ao seu lugar
é só saber esperar...
Quanta pode ser a demora
mas coração não chora
porque,
na sua sapiência
aguarda sempre bela aurora!...
Desculpem-me a ausência nos vossos cantinhos
Voltarei logo que consiga afagar os meus caminhos
Até lá tudo de bom para todos vós
E ficam beijinhos com lacinhos sem nós :)))
Foto tirada no céu de Novembro...tão lindo, por aqui me lembro...
Voltarei logo que consiga afagar os meus caminhos
Até lá tudo de bom para todos vós
E ficam beijinhos com lacinhos sem nós :)))
Foto tirada no céu de Novembro...tão lindo, por aqui me lembro...
sábado, 27 de novembro de 2010
Palavra...

No virar da esquina do céu
na bainha da maré com azul por véu
enfeitada por flor em serra erguida
junto ao ventre de gente querida
espreita como está o mundo
lá longe num infinito sem fundo
e num livro de sonhos escondida
dentro de uma frase esquecida
sem ter um ponto final
apenas numa vírgula pontual
numa página de livro, a passar
que leva seu tempo a virar
arejando as velas em desalento
que passeiam na brisa do vento
com alminha de velho alento
mimando-se feito palavra
só em sonho sua vida se lavra...
Aguarda com desfolhar, de sal de água
com o corpo cheio de mágoa...
Antiga varina no cais da ribeira apregoa
Ai Lisboa, Lisboa, Lisboa...
na bainha da maré com azul por véu
enfeitada por flor em serra erguida
junto ao ventre de gente querida
espreita como está o mundo
lá longe num infinito sem fundo
e num livro de sonhos escondida
dentro de uma frase esquecida
sem ter um ponto final
apenas numa vírgula pontual
numa página de livro, a passar
que leva seu tempo a virar
arejando as velas em desalento
que passeiam na brisa do vento
com alminha de velho alento
mimando-se feito palavra
só em sonho sua vida se lavra...
Aguarda com desfolhar, de sal de água
com o corpo cheio de mágoa...
Antiga varina no cais da ribeira apregoa
Ai Lisboa, Lisboa, Lisboa...
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Tum...tum...tum...
Ouves o murmúrio do silêncio enquanto pensa?
Não? Experimenta fechar os olhos na sua presença...
Agora respira fundo o cheiro de uma flor
E expira um sopro, bailando o pavio da vela
E respira de novo...um incenso de cor amarela...
Vá escuta agora o silêncio...a música em suave tambor
Cadenciada como se fora um tum...tum...tum...
Que se sente rubro calor e não faz barulho nenhum...
E experimenta usar o violeta, o azul celeste...
E todas as cores que o Universo veste...
Vês?! Não custa nada...e quanta paz de que és capaz...
Não, não te distraias...continua a cheirar a flor
Soprando algures, com a brisa a vela do teu interior
Descobre como no silêncio, a música é tão bela
E como podes rodopiar, dançando com ela...
Ah! Quem dera que pudesses ouvir todo mundo desta maneira
E com o sopro do teu silêncio, apagasses a dor da vida inteira...
Não? Experimenta fechar os olhos na sua presença...
Agora respira fundo o cheiro de uma flor
E expira um sopro, bailando o pavio da vela
E respira de novo...um incenso de cor amarela...
Vá escuta agora o silêncio...a música em suave tambor
Cadenciada como se fora um tum...tum...tum...
Que se sente rubro calor e não faz barulho nenhum...
E experimenta usar o violeta, o azul celeste...
E todas as cores que o Universo veste...
Vês?! Não custa nada...e quanta paz de que és capaz...
Não, não te distraias...continua a cheirar a flor
Soprando algures, com a brisa a vela do teu interior
Descobre como no silêncio, a música é tão bela
E como podes rodopiar, dançando com ela...
Ah! Quem dera que pudesses ouvir todo mundo desta maneira
E com o sopro do teu silêncio, apagasses a dor da vida inteira...
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Rio de quimeras

Que dia este que nasceu tão sombrio
Em que as águas calmas de um rio
Lançam ao pensar um desafio:
- Vem ver o meu curso de água
Vê por onde passa a minha mágoa
Vê como precisam de mim, alvas penas
Entre os remoinhos lembrando açucenas...
As lágrimas que me deixas quando abalas
No meu caudal são casas, sem salas
Num campo aberto de limão capim
Erva cidreira, num regato de jardim
Matam sede, matam fome
E plantinha também dorme
Deixando cheirinho bom a alecrim...
- Ah, rio em quimera na tua corrente
Falas para mim, como se foras gente
Vou dizer ao sol p`ra te vir beijar
Quero nas tuas águas contigo bailar...
E o dia tão sombrio?!
Fez-se luz connosco a brincar!
Em que as águas calmas de um rio
Lançam ao pensar um desafio:
- Vem ver o meu curso de água
Vê por onde passa a minha mágoa
Vê como precisam de mim, alvas penas
Entre os remoinhos lembrando açucenas...
As lágrimas que me deixas quando abalas
No meu caudal são casas, sem salas
Num campo aberto de limão capim
Erva cidreira, num regato de jardim
Matam sede, matam fome
E plantinha também dorme
Deixando cheirinho bom a alecrim...
- Ah, rio em quimera na tua corrente
Falas para mim, como se foras gente
Vou dizer ao sol p`ra te vir beijar
Quero nas tuas águas contigo bailar...
E o dia tão sombrio?!
Fez-se luz connosco a brincar!
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Luz no olhar

Os olhos embaciados pela manhã
tendo na luz um efeito de cor sã
num despertar meio ansioso
pelo respirar de dia caprichoso
correndo vida em ar de lenda
como se bailasse em fenda
de um vulcão em plena erupção
onde arde em lava o coração
que procura no seu caminho
a leveza do tic-tac de carinho
percorrendo na imensa multidão
o desejado calor de outra mão...
Tantos que encontras no destino
espetados pela dor de qual espinho
e por vezes esmorecem devagarinho
gelados no meio da lava, sem tino...
Ah, olhos de coração...inventas tua condição
recordas que o dia ainda agora começou
e até à noite, a luz bafejará a tua absolvição!
tendo na luz um efeito de cor sã
num despertar meio ansioso
pelo respirar de dia caprichoso
correndo vida em ar de lenda
como se bailasse em fenda
de um vulcão em plena erupção
onde arde em lava o coração
que procura no seu caminho
a leveza do tic-tac de carinho
percorrendo na imensa multidão
o desejado calor de outra mão...
Tantos que encontras no destino
espetados pela dor de qual espinho
e por vezes esmorecem devagarinho
gelados no meio da lava, sem tino...
Ah, olhos de coração...inventas tua condição
recordas que o dia ainda agora começou
e até à noite, a luz bafejará a tua absolvição!
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Azul coração

Quando os azuis falam em mim
nos folhos da minha camisola
quando olham para mim
e sentem a tristeza que me assola...
Não tenhas pena coração!
- Sente apenas que entendes
que quando na vida te prendes
se amarra o amor, enfim...
- Os violetas todos, azuis são
e são na saudade, cor carmim
vestidos de suave cetim
e com doçura te envolvem
em perfume de jasmim...
- Pssiuu...não digas nada...
guarda-te arco-íris para mim!
nos folhos da minha camisola
quando olham para mim
e sentem a tristeza que me assola...
Não tenhas pena coração!
- Sente apenas que entendes
que quando na vida te prendes
se amarra o amor, enfim...
- Os violetas todos, azuis são
e são na saudade, cor carmim
vestidos de suave cetim
e com doçura te envolvem
em perfume de jasmim...
- Pssiuu...não digas nada...
guarda-te arco-íris para mim!
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Insónias

No quarto crescente de parede negra
Uma luz brilhante passeava pela cidade
Era hora de Hipnos que alma se entrega
E meus olhos abertos na sua claridade
Não sei se por motivo se por força de sentido
O meu coração dos deuses não queria abrigo
Eu me quedava muda, ouvindo o terno gemido
Do silêncio, da luz da lua que brincava comigo
Não tinha sono, não tinha medo, não tinha nada
A barra do lençol, tocava suave a minha face
Florinhas azuis enfeitavam a minh`almofada...
Talvez o relógio dos dias, o ponteiro acertasse
Com o compasso do coração, na noite calada
E o tempo para a vida, em mim se inventasse!...
Uma luz brilhante passeava pela cidade
Era hora de Hipnos que alma se entrega
E meus olhos abertos na sua claridade
Não sei se por motivo se por força de sentido
O meu coração dos deuses não queria abrigo
Eu me quedava muda, ouvindo o terno gemido
Do silêncio, da luz da lua que brincava comigo
Não tinha sono, não tinha medo, não tinha nada
A barra do lençol, tocava suave a minha face
Florinhas azuis enfeitavam a minh`almofada...
Talvez o relógio dos dias, o ponteiro acertasse
Com o compasso do coração, na noite calada
E o tempo para a vida, em mim se inventasse!...
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Outono em mim

Com o coração rendilhado de pérolas de chuva
Ouvindo burburinho do piso molhado da cidade
Pensando em cheirinho de vindima de fresca uva
Sinto de mansinho, o sol de outono, em claridade
E oiço o regato a correr inquieto em vertente
Vejo ondas do meu mar, em seu iodo ondulante
Toco as margens do ar, afago que sinto carente
Das meigas carícias, de um chamado de amante
E com os sentidos bailando no meu peito aberto
Mesmo que na cortina do meu quarto, fechados
Sinto-te meu outono, com pés na terra molhados...
E correndo ligeirinho, no meu corpo de verbos cansados
Dou por mim a sorrir às chuvas, ternuras a descoberto
E sei em mim, teu sentir é meu sonho de ciclo coberto!
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Simplesmente...
Flor em néctar, doce e perfumado...
e com tanta naturalidade e certeza
se transformando seu todo na Natureza...
Simplesmente...
sem atropelar presente, futuro ou passado
nas asas de um Ser, em labor desenhado!...
e com tanta naturalidade e certeza
se transformando seu todo na Natureza...
Simplesmente...
sem atropelar presente, futuro ou passado
nas asas de um Ser, em labor desenhado!...
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Sonho meu

Adormeço pedindo a Morfeu
que me deixe beijo teu
em cima de almofada
com uma flor desenhada
e depois ainda a preceito
espreito a Lua a meu jeito
e vejo nela a claridade
que me dança na saudade
e canto aquela melodia
que foi tua prenda um dia
e depois, bem aconchegada
em lençóis de linho deitada
ainda em luz de efeito prata
como fitinha que se desata
na dobra da minha janela
como se fosse a cinderela
vejo-te em teu cavalo alado
solto na lua, em verde prado
e encanto a minha alquimia
num pote da branda sinfonia
que transforme em puro mel
o som do trote do teu corcel
numa plantação colorida
de flor lilás, pura em magia
e espero por ti...
oh...amado meu...
isto tudo dei eu a Morfeu
e ele se deixou afagar
e só o sonho me devolveu!
que me deixe beijo teu
em cima de almofada
com uma flor desenhada
e depois ainda a preceito
espreito a Lua a meu jeito
e vejo nela a claridade
que me dança na saudade
e canto aquela melodia
que foi tua prenda um dia
e depois, bem aconchegada
em lençóis de linho deitada
ainda em luz de efeito prata
como fitinha que se desata
na dobra da minha janela
como se fosse a cinderela
vejo-te em teu cavalo alado
solto na lua, em verde prado
e encanto a minha alquimia
num pote da branda sinfonia
que transforme em puro mel
o som do trote do teu corcel
numa plantação colorida
de flor lilás, pura em magia
e espero por ti...
oh...amado meu...
isto tudo dei eu a Morfeu
e ele se deixou afagar
e só o sonho me devolveu!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Choro do céu

Nos telhados das nossas vidas
Caem gotas de orvalho sentidas
O céu, que canta Outono em guaridas...
(Quantos cantam sorrisos, em lágrimas
que se resguardam nas suas cismas
e se escondem debaixo de suaves rimas?!...)
Céu que lavas as mágoas, da terra das gentes
Num choro tão teu, diferente do meu, diz-me:
- Porquê telhados tão tristes, outros tão contentes?
Caem gotas de orvalho sentidas
O céu, que canta Outono em guaridas...
(Quantos cantam sorrisos, em lágrimas
que se resguardam nas suas cismas
e se escondem debaixo de suaves rimas?!...)
Céu que lavas as mágoas, da terra das gentes
Num choro tão teu, diferente do meu, diz-me:
- Porquê telhados tão tristes, outros tão contentes?
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Coração na brisa
Em cada lado de uma saudade
O vai-vem de um sopro em claridade
Que finaliza o fim do Verão
Que fala por mim, assim:
- Teu afago se guarda no coração!
Bordado com a sede de sã ansiedade
Ainda que no ar somente de visita
Ande em mim, alma de pomba bendita...
Que pensa por mim, assim:
- Porque não pode o sol e a lua
Serem a medalha da face minha e tua
E andarem de mão dada na intimidade
Que é doce modelo, da suave metade?!...
- Por nada, não!...responde o eco da ilusão...
- Guarda-me no coração, carinho meu
Que na outra face do ser, já eu tenho o teu...
E ambos assim por dentro, movimento de luz
Afagaremos o caminho da vida que nos conduz...
E que mal tem?...na brisa teu doce cheiro, sempre vem...
O vai-vem de um sopro em claridade
Que finaliza o fim do Verão
Que fala por mim, assim:
- Teu afago se guarda no coração!
Bordado com a sede de sã ansiedade
Ainda que no ar somente de visita
Ande em mim, alma de pomba bendita...
Que pensa por mim, assim:
- Porque não pode o sol e a lua
Serem a medalha da face minha e tua
E andarem de mão dada na intimidade
Que é doce modelo, da suave metade?!...
- Por nada, não!...responde o eco da ilusão...
- Guarda-me no coração, carinho meu
Que na outra face do ser, já eu tenho o teu...
E ambos assim por dentro, movimento de luz
Afagaremos o caminho da vida que nos conduz...
E que mal tem?...na brisa teu doce cheiro, sempre vem...
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Plantinha

Crescendo sem medo, com alimento de terra pura
num verde esperança que é Mãe Natura
o coração bate em tom violeta sem qualquer meta...
E assim tão fresquinha, tão visosa, mimosa
ela se sente das plantinhas viva a mais completa
porque o toque de veludo, é o seu todo!
Que lhe importa se o mundo é cego, surdo ou mudo?
num verde esperança que é Mãe Natura
o coração bate em tom violeta sem qualquer meta...
E assim tão fresquinha, tão visosa, mimosa
ela se sente das plantinhas viva a mais completa
porque o toque de veludo, é o seu todo!
Que lhe importa se o mundo é cego, surdo ou mudo?
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Caminhante
Quanta beleza na verdade do caminhante
Seu passo de leveza da natureza constante
Descansa pegadas no cimo do monte errante
E reza aos céus, ser palco de música andante.
Lá no alto avista as torres, os sons, os infinitos
Borda com a voz em eco, sons de belos gritos
Suave cama verde, são seus lençóis benditos
E os sonhos repousam nos vales, sem conflitos.
Vai dolente, tão quente, tão suado, tão amante
Devorando os velhos caminhos do passado
No presente, procura a riqueza do seu achado...
Ah, caminhante de pé de bota enfeitado
Saudades levas de mim no teu coração andante
E eu te aguardo, com o meu olhar algo brilhante!
(...que a caminhada seja bela enquanto dure
eu aqui te espero, no tempo que ela perdure...)
Fotos da minha filhota, lá longe...em caminhada devota :)
Seu passo de leveza da natureza constante
Descansa pegadas no cimo do monte errante
E reza aos céus, ser palco de música andante.
Lá no alto avista as torres, os sons, os infinitos
Borda com a voz em eco, sons de belos gritos
Suave cama verde, são seus lençóis benditos
E os sonhos repousam nos vales, sem conflitos.
Vai dolente, tão quente, tão suado, tão amante
Devorando os velhos caminhos do passado
No presente, procura a riqueza do seu achado...
Ah, caminhante de pé de bota enfeitado
Saudades levas de mim no teu coração andante
E eu te aguardo, com o meu olhar algo brilhante!
(...que a caminhada seja bela enquanto dure
eu aqui te espero, no tempo que ela perdure...)
Fotos da minha filhota, lá longe...em caminhada devota :)
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Metades
Dentro do ser da vida vivida
Existem momentos e tempos
Uns são de uma tristeza sofrida
Outros de sorrisos sem lamentos...
Mas qual das metades de mim
Será a parte que ganha e olvida
Qual será a parte, enfim
Que perde por ser esquecida?!
Quantas metades temos nós
Que se dividem e completam
Enlaçadas dentro de nós
Quantas são as que vegetam?!
Talvez nem haja resposta
Talvez porque é triste e certa
Mas faz parte de mim, ser assim...
Tantas as vezes, incompleta!
Metades serão então?
Caio em contradição...
Pois as metades terão de ser iguais
Ou não? Fico então pensativa
E o meu conhecer se esquiva...
E o porquê, não procuro mais...
Porque cá dentro da minha rima
Metade existe que sempre anima!
Existem momentos e tempos
Uns são de uma tristeza sofrida
Outros de sorrisos sem lamentos...
Mas qual das metades de mim
Será a parte que ganha e olvida
Qual será a parte, enfim
Que perde por ser esquecida?!
Quantas metades temos nós
Que se dividem e completam
Enlaçadas dentro de nós
Quantas são as que vegetam?!
Talvez nem haja resposta
Talvez porque é triste e certa
Mas faz parte de mim, ser assim...
Tantas as vezes, incompleta!
Metades serão então?
Caio em contradição...
Pois as metades terão de ser iguais
Ou não? Fico então pensativa
E o meu conhecer se esquiva...
E o porquê, não procuro mais...
Porque cá dentro da minha rima
Metade existe que sempre anima!
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Simples condão



com a luz toda por sentido
numa sombra de verde entontecido
soavam-me os chilreios ao ouvido
...a branda paz, tanto de que é capaz!
Num violeta bem vermelhinho
de verde e branco salpicadinho
saltando o pólen em sabor
me beijava uma flor...
...era dádiva de sentimento em amor!
No caminho de nervura de esperança
com o corpo em botão de candura
esperava o tempo em movimento
e libertava versos de ternura...
...o nascimento do amor, como criança!
E com os pincéis da Natureza
que a tela compôs sobre o chão
recortou-se tão pura a beleza...
...que uma pétala enfeitou o meu coração!
numa sombra de verde entontecido
soavam-me os chilreios ao ouvido
...a branda paz, tanto de que é capaz!
Num violeta bem vermelhinho
de verde e branco salpicadinho
saltando o pólen em sabor
me beijava uma flor...
...era dádiva de sentimento em amor!
No caminho de nervura de esperança
com o corpo em botão de candura
esperava o tempo em movimento
e libertava versos de ternura...
...o nascimento do amor, como criança!
E com os pincéis da Natureza
que a tela compôs sobre o chão
recortou-se tão pura a beleza...
...que uma pétala enfeitou o meu coração!
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Marés de segredo



Onde vais aportar ao cais?
Onde vais tu meu bem, meu amor?
Tu não vês nas mudanças das marés
o segredo que te lava os pés?
Olho tão longe, onde ficam vendavais
olho tão perto, mas não vejo sinais
de que anda por azul teu sabor
junto dos golfinhos e algas de cor...
Mas quando vais tu ancorar
na barra da minha saia, feita de lapa de luz
que deseja ser berço de teu ninar?!
Que desassossego anda no teu apego
que nas ondas soa como fado em cruz
e se vai assim, todo o meu aconchego?!
Vem meu querido...apaga a dor desse segredo
e vamos nadar juntos nas tuas ondas sem medo!!
Onde vais tu meu bem, meu amor?
Tu não vês nas mudanças das marés
o segredo que te lava os pés?
Olho tão longe, onde ficam vendavais
olho tão perto, mas não vejo sinais
de que anda por azul teu sabor
junto dos golfinhos e algas de cor...
Mas quando vais tu ancorar
na barra da minha saia, feita de lapa de luz
que deseja ser berço de teu ninar?!
Que desassossego anda no teu apego
que nas ondas soa como fado em cruz
e se vai assim, todo o meu aconchego?!
Vem meu querido...apaga a dor desse segredo
e vamos nadar juntos nas tuas ondas sem medo!!
(25/07/2010)
(e com este calorzito, como apetece no mar um mergulhito...mas tenham cuidado que os segredos deste Amor, podem aprisionar para sempre e quem não tiver cuidado, ficará preso eternamente...)
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Diz-me

Junto a brisas de brumas salgadas
Tantas das minhas lágrimas choradas
Se misturavam com o iodo
Numa mistura de elixir de um todo
Que sarava os meus porquês
Nas palavras que tu me lês...
Diz-me porque tem de ser assim
Apartada eu de ti e tu de mim...
Diz-me que teremos a mesma varanda
Cá deste lado ou lá na outra banda
Com solfejos de maresia nas marés
Que suavizem o caminho de nossos pés...
Diz-me com carinho, com verdade
E com o teu amor mata esta saudade
Diz-me porque ando triste e sozinha
Nesta multidão que se faz tão asinha...
Diz-me...olhando no meu olhar triste
As loucuras que tu nunca mais viste
Afagando-as com a inquieta imaginação
Que povoa a varanda do teu coração...
...um dia, navegando no deambular do tempo
que eu te abraçarei sem nenhum contratempo!
Tantas das minhas lágrimas choradas
Se misturavam com o iodo
Numa mistura de elixir de um todo
Que sarava os meus porquês
Nas palavras que tu me lês...
Diz-me porque tem de ser assim
Apartada eu de ti e tu de mim...
Diz-me que teremos a mesma varanda
Cá deste lado ou lá na outra banda
Com solfejos de maresia nas marés
Que suavizem o caminho de nossos pés...
Diz-me com carinho, com verdade
E com o teu amor mata esta saudade
Diz-me porque ando triste e sozinha
Nesta multidão que se faz tão asinha...
Diz-me...olhando no meu olhar triste
As loucuras que tu nunca mais viste
Afagando-as com a inquieta imaginação
Que povoa a varanda do teu coração...
...um dia, navegando no deambular do tempo
que eu te abraçarei sem nenhum contratempo!
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Só para ti

Corrias bravio, pela cor do céu alado
Com música de violinos, feita de areias
Entoavas valsas no cimo de ameias
Soltavas taças de claras em castelo
Entontecias os meus sonhos em novelo
E vinhas ter comigo beijar meus pés
Numa barquinha dentro de seu convés...
Ai, que perfume que soltava na maresia
Teu corpo bronzeado pela doce fantasia...
E qual som, qual tom, qual toque em condição
De me teres só para ti, num verso sempre à mão!
...e senti a comoção bater dentro de teu coração...
terça-feira, 29 de junho de 2010
Na vida...

Da terra cheirando a feno e a erva, odores em perfumes
Cheiram-se ao longe da vista, silêncios em queixumes
O sol se derrama nas planícies das suas alvas e íris cores
E eu planto na profundidade do meu estar, todos os amores.
Clara visão no céu, de um sossego em paz no firmamento
Como se visse no eco do nada, uma troca de um lamento
Visto a seara mansa do tempo com a serenidade do lago
E sinto em mim a doce temperança de um delicioso afago.
E toco a brisa da amena calma, como um santo unguento
Ao paladar chega o sabor do pão, que saboreio no vento
Que me alimenta na vida, que recebo em sol feito de lume...
Paz interior, apaixonado som na pauta do vigor sentimento
Tão branda, tão suave, maré calma ela em mim se assume
A mãe de todo o meu dizer, que ao Amor na vida se resume!
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Coração cansado

Contraído, baralhado e cansado
vejo o meu coração num balão
que estando de paz alimentado
se presta a ser um pacato folião...
não sei se por destino, se por condição
o balão paira e balança no ar
talvez no bailarico da esquina
anime simplesmente uma menina
ou então, com o vento quer dançar
para se enfeitar, saindo pela ruela
qual manjerico a versejar à janela
as quadras da sua colorida prestação...
mas eu que o sinto a desfalecer
a querer brincar na paz do seu viver
tão tonto na festa que canta no seu rodopio
que trás a quietude presa por um fio
sonhar, se torna para ele um desafio...
Balãozinho de papel, segura-te bem...
acompanha as marchas do teu santo padroeiro
não rebentes, não estoires, mantém-te inteiro
como o devaneio que o coração em ti detém
dá-lhe o teu corpo cheio e ele volta a ser alguém!
vejo o meu coração num balão
que estando de paz alimentado
se presta a ser um pacato folião...
não sei se por destino, se por condição
o balão paira e balança no ar
talvez no bailarico da esquina
anime simplesmente uma menina
ou então, com o vento quer dançar
para se enfeitar, saindo pela ruela
qual manjerico a versejar à janela
as quadras da sua colorida prestação...
mas eu que o sinto a desfalecer
a querer brincar na paz do seu viver
tão tonto na festa que canta no seu rodopio
que trás a quietude presa por um fio
sonhar, se torna para ele um desafio...
Balãozinho de papel, segura-te bem...
acompanha as marchas do teu santo padroeiro
não rebentes, não estoires, mantém-te inteiro
como o devaneio que o coração em ti detém
dá-lhe o teu corpo cheio e ele volta a ser alguém!
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Meu rio

Passeando com os braços feito barbatanas
Deslizando pelo meio das canas da margem
Afagando os peixes que fazem canoagem
Jogando à bola com os seixos
Circulando na volta de onda de eixos
Escorregando por balancés de lodos
Falando a linguagem dos remoinhos todos
Albergando as dores a montante
Afogando as mágoas a jusante
Rio da minha corrente sempre elegante
Eu te navego de dia e de noite, na vertente
Naufragando na preia-mar do teu estar
Com voz de suspiros de sussuros no ar
Uma flor na foz, eu te reclamo a sorrir
Rio da minha vida, que te sei sem mentir...
Meu rio amado eu te venero, nas veias do meu fado!
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Noites de fantasia

Eram muralhas de luz, que se acendiam
Nas bermas da noite escura que surgia
Eram brios que tão cedo se escondiam
Não fosse a treva matar, o que se sentia.
Eram perguntas e tantas, sem respostas
Eram entradas e saídas, por altas portas
Era um amor a escorrer dentro do peito
Era o sonho de um ser, quase perfeito.
Mas tudo tem um fim no firmamento
Tudo se vai com o escalar da fantasia
E o que era noite passou e fez-se dia...
E a luz que na muralha teve alquimia
Em branda suavidade um só momento
Clareou com festa de rei, em novo dia!
- E a luz amarela no céu se envaideceu
no crepúsculo, sonhou ser sol e enterneceu! -
Nas bermas da noite escura que surgia
Eram brios que tão cedo se escondiam
Não fosse a treva matar, o que se sentia.
Eram perguntas e tantas, sem respostas
Eram entradas e saídas, por altas portas
Era um amor a escorrer dentro do peito
Era o sonho de um ser, quase perfeito.
Mas tudo tem um fim no firmamento
Tudo se vai com o escalar da fantasia
E o que era noite passou e fez-se dia...
E a luz que na muralha teve alquimia
Em branda suavidade um só momento
Clareou com festa de rei, em novo dia!
- E a luz amarela no céu se envaideceu
no crepúsculo, sonhou ser sol e enterneceu! -
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Descanso na luz

Na escuridão já se vestia de alva luz
Compunha seus cabelos de cor de prata
Deitava os olhos ao que na vida a seduz
Dormia acordada com seu doar, grata.
Soltei-lhe um beijo, de mãe e de filha
Na cor do sono que por mim passeava
Sonhei um descanso como serena ilha
Sabendo a pureza que me enlaçava.
Faço uma pausa, olhando a vidraça
Caiu-me uma pétala de luz negaça
Que me atraiu e com ela me fez dançar...
Já não sei se a dormir, se a acordar
Na sua protecção me senti rodopiar
E bebi do mar, da sua gentil graça!
Compunha seus cabelos de cor de prata
Deitava os olhos ao que na vida a seduz
Dormia acordada com seu doar, grata.
Soltei-lhe um beijo, de mãe e de filha
Na cor do sono que por mim passeava
Sonhei um descanso como serena ilha
Sabendo a pureza que me enlaçava.
Faço uma pausa, olhando a vidraça
Caiu-me uma pétala de luz negaça
Que me atraiu e com ela me fez dançar...
Já não sei se a dormir, se a acordar
Na sua protecção me senti rodopiar
E bebi do mar, da sua gentil graça!
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Às vezes

Numa dor que afasta todo o medo
E cinge a tua ausência num gesto preso
Sem despertar do nosso segredo...
E falo, falo sem termo nem medida
Para a solidão interior da longa avenida
Que é o recanto da alma, minha guarida...
Às vezes palmilho léguas dentro de mim
Tantas vezes presa a um frenesim
Que teço e transformo em sedoso cetim...
E conto as longas esperas, nas esferas
Labirintos em que me embrulho na saudade
E paira por dentro, naquele gesto da verdade
Que traduz a monotonia das minhas esperas...
Às vezes já não sei, se era eu que te lembrava
Se és tu, que já me esqueces e nada te recordava...
Às vezes penso, que só às vezes tenho a sensação
Que ao olhar o rosto de um estranho vazio
Encontro quase cem anos de vida, presa por um fio...
Às vezes...sabes?! Em Lisboa vejo o Tejo
Vejo as pessoas todas em sério e sombrio cortejo
Subo as calçadas das ruelas antigas
Desço jardins com janelas floridas...
E penso: (só às vezes!) onde guardaste aquele coração
Que nunca mais eu vi em nenhum corpo, desde então?!
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Chuva
Cada gotinha tua é um verso de cristal
Lavas e perfumas a terra do teu quintal
E prometes deixar tudo com ar cerimonial!
És quem abençoa a vida pelo caminho
Vou deitar-me em ti, qual lençol de linho...
Mas não demores muito a limpeza
Que o sol também quer vir na sua certeza
E eu quero sentar-me com ele à sua mesa!
Lavas e perfumas a terra do teu quintal
E prometes deixar tudo com ar cerimonial!
És quem abençoa a vida pelo caminho
Vou deitar-me em ti, qual lençol de linho...
Mas não demores muito a limpeza
Que o sol também quer vir na sua certeza
E eu quero sentar-me com ele à sua mesa!
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Asas
Pardalitos a trinar, por entre as árvores
Num som bem caprichado e tão repetido
Como se a Primavera lhes doasse ares
No seu andar tão apaixonado e cerzido
Ouvir sua sinfonia, como é certeza
Que lhes envia a apaixonada Natureza
Um passo de mansinho pelo tempo
Se ouve em balada de pedido alento
Vem pardalito, vem pousar à minha beira
Quero beber de ti esse teu rodopiar
E bordar minha vida com teu estar...
Vem que eu quero aprender a voar
Ter na asa, cantiga assim feiticeira
E namorar como tu, no trigo de uma eira!
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Cores de mim
Por vezes não sei
se o sangue é vermelho
se é da cor de espelho
que suaviza o mar...
Por vezes não sei
se o sangue é azul
cheiro em rosa de tule
que habita no ar...
Por vezes não sei
se o sangue é branco
como a neve de pranto
que a terra vem afagar...
Por vezes não sei
se o sangue é amarelo
roda de estrela em elo
que o verde faz vibrar...
Ah, mas uma coisa eu sei!
Só o sinto seiva a correr
vermelho em línquen de águas
num sal branco sem mágoas
subindo céu azul em alquimia
entoando sol, verde sinfonia
em arco-íris de paz a navegar...
fragilidade a bailar, no seu amimar
e na noite, escorrendo o silêncio
com a luz da lua, no seu bocejar!
se o sangue é vermelho
se é da cor de espelho
que suaviza o mar...
Por vezes não sei
se o sangue é azul
cheiro em rosa de tule
que habita no ar...
Por vezes não sei
se o sangue é branco
como a neve de pranto
que a terra vem afagar...
Por vezes não sei
se o sangue é amarelo
roda de estrela em elo
que o verde faz vibrar...
Ah, mas uma coisa eu sei!
Só o sinto seiva a correr
vermelho em línquen de águas
num sal branco sem mágoas
subindo céu azul em alquimia
entoando sol, verde sinfonia
em arco-íris de paz a navegar...
fragilidade a bailar, no seu amimar
e na noite, escorrendo o silêncio
com a luz da lua, no seu bocejar!
terça-feira, 20 de abril de 2010
Vida em fogo

Mergulhei na cova funda do sentido
uni com a amarra da alma a vontade
senti que estava presa na verdade
de um mundo que não tinha nascido
e todo o corpo se contorceu na ansiedade...
enrolando o meu corpo de febre a arder
abracei-me com os meus próprios braços
para fazer desaparecer aquele entristecer
que era um nada, na cabana do viver
de todos os meus derradeiros passos...
querendo apagar do rosto todos os cansaços...
morri, feito luz vermelha de feno a arder
com a cidade inteirinha por cenário
desejando acordar, num outro amanhecer...
e vi...dentro de mim, a emoção era campanário
que me abrigava de medos, que a vida fez nascer!
uni com a amarra da alma a vontade
senti que estava presa na verdade
de um mundo que não tinha nascido
e todo o corpo se contorceu na ansiedade...
enrolando o meu corpo de febre a arder
abracei-me com os meus próprios braços
para fazer desaparecer aquele entristecer
que era um nada, na cabana do viver
de todos os meus derradeiros passos...
querendo apagar do rosto todos os cansaços...
morri, feito luz vermelha de feno a arder
com a cidade inteirinha por cenário
desejando acordar, num outro amanhecer...
e vi...dentro de mim, a emoção era campanário
que me abrigava de medos, que a vida fez nascer!
terça-feira, 13 de abril de 2010
Quimera de sal

A pele sabe, a voz soa, a mente voa
No teu corpo de molhado ensejo
Navego pelas ondas sem que me doa
O mundo das dores que não desejo.
E corre em balada, som de Neptuno
Sinto-o escorrer em meu corpo a arder
Como se esse sal se fundisse uno
Ás vestes de um delfim a adormecer.
É uma harmonia de sensualidades a delirar
Quando meu corpo pelo teu, se sente tocar
Navegando entre as utopias do rochedo...
Vejo-te longe, vejo-te perto, vejo-te a medo
Não quero ir embora, quero contar-te segredo
A doce quimera a baloiçar em ti, meu desnudar!
No teu corpo de molhado ensejo
Navego pelas ondas sem que me doa
O mundo das dores que não desejo.
E corre em balada, som de Neptuno
Sinto-o escorrer em meu corpo a arder
Como se esse sal se fundisse uno
Ás vestes de um delfim a adormecer.
É uma harmonia de sensualidades a delirar
Quando meu corpo pelo teu, se sente tocar
Navegando entre as utopias do rochedo...
Vejo-te longe, vejo-te perto, vejo-te a medo
Não quero ir embora, quero contar-te segredo
A doce quimera a baloiçar em ti, meu desnudar!
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Colo
Desejo tanto e tão intensamente
de tão intensamente que desejo
que o meu intenso o consente
consentindo-o como puro beijo.
Neste andar assim insistente
insistentemente descontente
não vejo porquê este ensejo
se faz desejo, chama ardente.
Que procura em desejo imenso
no insistente descontentamento
neste andar assim como no vento...
talvez um tudo e nada que acalento
um desejo puro sal de mar, sedento
ou simplesmente...o teu colo intenso!
de tão intensamente que desejo
que o meu intenso o consente
consentindo-o como puro beijo.
Neste andar assim insistente
insistentemente descontente
não vejo porquê este ensejo
se faz desejo, chama ardente.
Que procura em desejo imenso
no insistente descontentamento
neste andar assim como no vento...
talvez um tudo e nada que acalento
um desejo puro sal de mar, sedento
ou simplesmente...o teu colo intenso!
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