quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Depressão




...já nem sei que sinto
nem se digo verdade ou se minto
esta dor que dilacera o meu peito
este andar desassossegado e contrafeito
este desamor da vida, que não tem jeito!

...tenho frio...estou sem vontade de nada...
este sentir tirou-me a vontade de tudo!
vou vagueando como se fora num cinema mudo...
e os actores são bonecos animados, sem expressão
de olhares vazios e cavados, em cenários difusos...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Porquê






Perguntei ao Menino
Porque se bordavam as marés
Porque fazia parecer um hino
Aquele vento, voando em aloés
Porque a montanha era alta
E no vale, a planície se estendia
Porque a lebre na floresta salta
E o caracol no verde se recolhia
Perguntei porque havia luar
E porque era o sol escaldante
Porque havia fontes, no rio a nadar
E porque trazia azul, o céu errante?...

Perguntei porque voavam asas
Porque golfinho tinha sonar
Porque pobres não tinham casas
E outros as tinham a sobejar...
Diz Menino, porque nasceste Tu pobre
E além a guerra se move, tão ligeira
Onde só a manta de natal a encobre
Diz porque existe o deserto e a toupeira
Porque existe pinguim, naquele frio vadio
Contrário ao calor, do gato na braseira
E tantos dançam pendurados por um fio
Porquê diz Menino, a Vida parecer desafio?...

De tanta pergunta que eu lhe fiz
Ele só ternamente olhava, sorria
E num pergaminho com a flor-de-lis
Uma aurora rendada me estendia...
E nada me disse, mas eu senti...
Na pauta escrita a letra dourada
O Coração da Vida, morava ali:
AMOR a única resposta, chave da morada
Não importa a pergunta na porta que abras
A estrela d`alva só será luzente e presente
AMOR que seja ungido nos actos, palavras
Factos, nos dias de ontem, hoje e sempre!...

Aurora, natal de pergaminho que enrolei
E debaixo do meu travesseiro deixei...
E sabem? Mais perguntas, não farei!!...

(Natal 2015)

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Preces




Que sensação interior
Vem no respirar do meu regaço
Que estado parado e sem cor
Tão frio, tão dormente, desenhado a fraco
compasso...
No leito da alma as noites quentes, são frias
E mesmo nas paredes de cor doce
As cobertas da cama, mesmo macias
Tanto coração pede ao menos num minuto
serenidade só, fosse...
Mas a Natureza da Vida é de ciclos
E tem momentos que trazem surpresas
E tem massacres, fins cíclicos
Deixa que seres humanos sejam
represas...
Na história dos homens tanta semelhança
E se matam ideais com ufanos punhais
Sejam armas, ou palavras de lança
O mundo inteiro está sujo e de actos de
bárbaros sinais...
Talvez eu não saiba pronunciar
Que este desamor é um espaço sem cor
O coração deixa simplesmente de pulsar
Perecendo, vira o mundo uma máquina
sem o motor do Amor...
Por favor não deixem a crueldade vingar
Por favor estendam de fraternidade as mãos
Amor única verdade, que sabe a Vida guardar!...
E na cama macia em prece aos céus, sonho meu
Um grito afogado - afaguem-se, sejam irmãos!...



(23/11/2015)