terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ausência


Vi a tristeza chorando num canto
Em que a alma toda estremecia
Dei-lhe meu afago por encanto
E seu estado mudança prometia

Ai, mas é tão incerta a mudança
Quando nos ventos sopra lonjura
É como acariciar uma criança
Sabendo que o sentir não dura

A solidão se junta à tristeza
E reside um bailado de leveza
Que no corpo é estranho condão...

E pelo céu com asas de falcão
Dançando em nuvens de algodão
Jaz flor, em coração de incerteza!...

sábado, 16 de julho de 2011

Lua de regaço


Balada de amor, a lua hoje canta baixinho
Lá no céu onde ela vive sozinha
De corpo de luz, com que o universo seduz
Bailando a sua velha modinha
Sorrindo às estrelas pelo caminho...

Ai lua, lua, quem dera que fosses um instante meu ninho
Me deixasses pairar em teu brilho, presa em belo cadilho
E a meu amor levasses, o mais belo e secreto recadinho...

Quem sabe se no teu regaço, eu recebia aquele meiguinho abraço?!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sei que sabes...


Sei dos teus medos em sono profundo
Sei dos teus passos no asfalto do mundo
Sei que nasceste na vida sem pai
E da mãe que tiveste com ai...
Sei meu amigo desse teu ar moribundo
Sei, amor que nasceu em ti, tão viçoso e profundo
Sei daquela saudade que nasce em ti tão capaz
E da nostalgia do dia, que querias ter sido audaz!
Mas a vida escolheu outro palco para encenares
Desenhando-te já cansado para continuares
E na tela do verbo ser de menino da tua época
Voltar atrás é melodia de sinfonia louca!...

Ai, pudera eu amar-te e proteger-te
Afagar-te em mim e merecer-te
Porque sabes? É que também sei
Aquilo que em ti já me dei...

Sei que ao partilharmos a alma
Nenhum de nós jamais sentiria a calma...

Duas quimeras perdidas no caminho
Explodiriam no êxtase do carinho
E deixariam a vida de mansinho...

Sabes? Sei que sim, que sabes...
Um dia no coração fizemos as pazes!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Tempos reais



Numa ameia cerzida, em taça de vida
Corria tempo da hera em sua guarida
Olhares se cruzavam e entrelaçavam
E a ameia reflectia os que se olhavam

Eram vozes, eram ais, eram tambores
Os tempos de dentro, outros valores
Eram suspiros e romances de rainhas
Que viram tecer façanhas e ladainhas

E vieram romanos, vieram lusitanos
Forças medievais, forenses que tais
Dotes de amor, entre seus portais...

Talvez estivessem assim como vestais...
Que se desejavam divinais sem enganos
Na origem da vida, a nobreza dos anos?!...

sábado, 28 de maio de 2011

Sonho


(Sonhos, sempre só sonhos
Não sei viver sem sonhos...)

Onde ponho meu ardor
Sempre te vejo meu amor
Na esquina de uma janela
Namoro teu corpo aguarela
Numa rua na multidão
Sempre tu no coração
Numa vaga de mar
Teus olhos a naufragar
Numa nuvem do céu
O carinho que me benzeu
Num rio as margens a verter
Sinto teus lábios me humedecer
Na loucura de fogueira acesa
Nasce chama de certeza
Na pétala de uma rosa
Me acho em ti, a mais formosa
Sobre teu manto de colina verde
Sou lua cheia que se perde...

(Sonhos, sempre só sonhos
Não sei viver sem sonhos...)

Um dia, quando tudo em mim morrer
Só tu, alado sonho, me farás renascer!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Vida...


Como safira a brilhar
como pétala de flor
como arco-íris em cor...

Como luz de astro rei
como brisa de luar
como vaga de sereno mar...

Como num tudo e nada
acordar simplesmente beijada
por nova madrugada...

Um dia, após o outro
até um entardecer
no sentir anoitecer...

Apenas e só...adormecer!
Com coração a descansar
da vida que o fez valer!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sorriso de Luz


Por trás de um corpo enlaçado
Com madeixas de sombra apetecida
És princesa de conto de fadas
Que um dia trouxe luz a uma vida!
És raio de sol, sorrindo pela manhã
Que deixa a gente encantada
E por ti, docemente afagada
Como carícia de corpinho de lã...
És vida, sempre sorriso em lema
Levezinha sempre dançando
Com o teu corpinho de açucena
Que elevas feito uma pena...

E no sol, tuas asas vais dourando...
És e sempre serás a loucura plena
Que nasceu um dia para tua mamã!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

sábado, 16 de abril de 2011

Toque de cor


Na esquina da velhinha janela
nascia rebelde florinha singela
que bordava de suave alento
numa brisa em pluma de vento
a melancolia que dentro vivia
numa bruma cheia de fantasia
camuflando a agrura da ironia...

A saudade era gotinha de choro
no interior, onde se ouvia em coro
uma sinfonia de cor indefinida
como afinal, era toda a sua vida...

Qual será então, pequenina flor
o verdadeiro toque da tua cor?!...

sábado, 26 de março de 2011

Tempo...


No verde do tapete do tempo
fica um azul desenhado com verdade
pináculo humano do contratempo
desenhando caminhos de saudade...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Voo de asas ao luar...


Vieste pela noite no teu andar
algo caprichoso, algo misterioso
em grandes vagas de carinho
pousar no meu mar, devagarinho...
Como se a luz da lua
tivesse um segredo escondido
assim tinhas tu teu olhar
meu menino querido!
Sê sempre tu, meu anjo amigo
e em cada fase do teu luar
as asas estarão sempre contigo!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Que sentimento...


Ao som de música, meu amor
vejo a tarde passar estendida
com um sol de luz estarrecida
e uma saudade não sei do quê
que me deixa em interrogação
me deixa presa ao pensamento
nas vozes de algum lamento...

que sentimento é este meu amor
que trás na melancolia
uma sentida apatia
mistura de cansaço
que não se importa com que faço
mas que brisa aconchega em seu regaço?!...

que sentimento é este meu amor
que me trás na melodia
dentro de uma sinfonia
de acordes de suave solidão
misturada de indefesa ilusão
pautas esquecidas do que a vida é, ou não?!...

e a tarde se vai escondendo
e a música se vai misturando
com a certeza da leveza
contrariando noite de escuridão
iludindo com carente sofreguidão
dando luz a meu suado chão...

que sentimento é este, diz-me coração
tantos dias me vestes de compaixão
e no interior te tornas meu senhor...
- Que sentimento é este, meu amor?

(escrito a 06/02/11)

domingo, 30 de janeiro de 2011

Embalo


Na canção de embalar
Oiço liras harpas e violinos
Sinos de campanários
Anunciando suaves hinos
Oiço lírica de luz celeste
Entregue por mão campestre
Que faz sorrir um rio
E de carinho mata o frio...

E o chão de verde se veste
Seguindo suaves águas no seu leito
E o coração, soa baixinho ao seu jeito...

Será que a vida sossegou num tudo e nada
E tão sã e travessa, me embalou feito fada!?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Mãos


Mãos estendidas, mãos cansadas, mãos carentes
São assim as mãos em clamores ardentes
Não fossem elas mãos do meio de tanta gente
Poesia de um sentir pedinte de coração quente

Possam lavar-se em mares de gratidão
Possam pisar as ternuras de terno chão
Voando com asas de ave, feito falcão
Sonhando que entrelaçadas sempre se dão

E em seus segredos de cansaços e incertezas
Possam ainda enfeitar o carinho de muitas mesas
Com a alma que vão tendo em suas certezas...

Não, não te pedem o mundo, nem o universo
Somente que haja paz em cada verso
E as suas rugas somem, todo o amor que está imerso!

(escrito a 02/01/2011)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ao futuro...


Vermelho sangue nas veias correndo
Com baguinhas de cor nas entranhas
Nasce assim um novo tempo crescendo
Sem saberes como na vida te amanhas

Vais secretamente bonança desejando
Com sede de beber de pura condição
Apenas com ansiedade sussurrando
Às veredas, das paredes do coração

Ah, como é incerto o tempo, o caminho
Como avistas ao longe turva ilusão
Mas a tratas mesmo assim com carinho...

Quantos tempos, quanto do teu chão
Retratas nas feituras do teu ninho
E quanto Amor entregas na tua devoção!...

sábado, 18 de dezembro de 2010

Sonho



Naquele dia fazia tanto frio
Mas nem ele nem ela o sentiu
Caminhavam de mão dada

Dizem que pela estrada
A caminho da terra de além

Que diziam chamar-se Belém...
Não, não era Maria, nem era José

Nem importa se tinham nome até
Eram um menino e uma menina

Que sonhavam com história que ilumina

Que os fazia cegamente acreditar

A serenidade que queriam no seu lar

E no doce aconchego da memória
Ter estrelinhas luzentes em sua glória

Quando o Natal se anunciasse

Um Menino com sorriso abençoasse...
É que eles vinham do tempo sem passado
E se esse presente lhes fosse ofertado
Tinham a certeza que o Milagre se daria
E fosse João, José, Madalena ou Maria

Nunca mais no seu lar a fome entraria...

E então sim...o Bom Natal jamais faltaria!
Será que encontraram a estrelinha de Belém?

Aquela, dos Reis que o Presépio sempre tem...

Não sei...penso que não...ficava lá tããooo longe
Nem com ajuda de bastão de velhinho monge...


Por certo tanto caminharam...no caminho adormeceram
Os Anjos então farão Milagre que lhes encomendaram

Para pelo menos nascer sempre Amor no seu coração
E aqui começa ou termina, a história do meu serão!...

Serão futuros homens, os meninos em peregrinação...

Gostaram? Sim...não? Então vá, digam lá:
- Como gostariam que fosse se não houvesse gente má?
Sorrisos
meus amigos, são precisos
Para aliviar da vida nossos tramados sisos! :))

Que não seja só um sonho que na mão vos ponho
Que no vosso cantinho do quentinho lar

Haja
milagre hoje e sempre, que venha afagar!!
BOM NATAL e um desejado e risonho PRESENTE

Que venha alegrar o FUTURO e o ponha mais CONTENTE
PARA NO MUNDO ALBERGAR TODA A GENTE!!!!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Tempo...


O ouro a bailar sobre tapete azul
vestiu-se de ausência
e pediu paciência...
A luz volta sempre ao seu lugar
é só saber esperar...
Quanta pode ser a demora
mas coração não chora
porque,
na sua sapiência
aguarda sempre bela aurora!...

Desculpem-me a ausência nos vossos cantinhos
Voltarei logo que consiga afagar os meus caminhos
Até lá tudo de bom para todos vós
E ficam beijinhos com lacinhos sem nós :)))

Foto tirada no céu de Novembro...tão lindo, por aqui me lembro...

sábado, 27 de novembro de 2010

Palavra...



No virar da esquina do céu
na bainha da maré com azul por véu
enfeitada por flor em serra erguida
junto ao ventre de gente querida
espreita como está o mundo
lá longe num infinito sem fundo
e num livro de sonhos escondida
dentro de uma frase esquecida
sem ter um ponto final
apenas numa vírgula pontual
numa página de livro, a passar
que leva seu tempo a virar
arejando as velas em desalento
que passeiam na brisa do vento
com alminha de velho alento
mimando-se feito palavra
só em sonho sua vida se lavra...

Aguarda com desfolhar, de sal de água
com o corpo cheio de mágoa...

Antiga varina no cais da ribeira apregoa
Ai Lisboa, Lisboa, Lisboa...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Tum...tum...tum...


Ouves o murmúrio do silêncio enquanto pensa?
Não? Experimenta fechar os olhos na sua presença...
Agora respira fundo o cheiro de uma flor
E expira um sopro, bailando o pavio da vela
E respira de novo...um incenso de cor amarela...
Vá escuta agora o silêncio...a música em suave tambor
Cadenciada como se fora um tum...tum...tum...
Que se sente rubro calor e não faz barulho nenhum...
E experimenta usar o violeta, o azul celeste...
E todas as cores que o Universo veste...
Vês?! Não custa nada...e quanta paz de que és capaz...
Não, não te distraias...continua a cheirar a flor
Soprando algures, com a brisa a vela do teu interior
Descobre como no silêncio, a música é tão bela
E como podes rodopiar, dançando com ela...

Ah! Quem dera que pudesses ouvir todo mundo desta maneira
E com o sopro do teu silêncio, apagasses a dor da vida inteira...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Rio de quimeras



Que dia este que nasceu tão sombrio
Em que as águas calmas de um rio
Lançam ao pensar um desafio:
- Vem ver o meu curso de água
Vê por onde passa a minha mágoa
Vê como precisam de mim, alvas penas
Entre os remoinhos lembrando açucenas...
As lágrimas que me deixas quando abalas
No meu caudal são casas, sem salas
Num campo aberto de limão capim
Erva cidreira, num regato de jardim
Matam sede, matam fome
E plantinha também dorme
Deixando cheirinho bom a alecrim...
- Ah, rio em quimera na tua corrente
Falas para mim, como se foras gente
Vou dizer ao sol p`ra te vir beijar
Quero nas tuas águas contigo bailar...
E o dia tão sombrio?!
Fez-se luz connosco a brincar!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Luz no olhar


Os olhos embaciados pela manhã
tendo na luz um efeito de cor sã
num despertar meio ansioso
pelo respirar de dia caprichoso
correndo vida em ar de lenda
como se bailasse em fenda
de um vulcão em plena erupção
onde arde em lava o coração
que procura no seu caminho
a leveza do tic-tac de carinho
percorrendo na imensa multidão
o desejado calor de outra mão...

Tantos que encontras no destino
espetados pela dor de qual espinho
e por vezes esmorecem devagarinho
gelados no meio da lava, sem tino...

Ah, olhos de coração...inventas tua condição
recordas que o dia ainda agora começou
e até à noite, a luz bafejará a tua absolvição!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Azul coração


Quando os azuis falam em mim
nos folhos da minha camisola
quando olham para mim
e sentem a tristeza que me assola...
Não tenhas pena coração!
- Sente apenas que entendes
que quando na vida te prendes
se amarra o amor, enfim...
- Os violetas todos, azuis são
e são na saudade, cor carmim
vestidos de suave cetim
e com doçura te envolvem
em perfume de jasmim...
- Pssiuu...não digas nada...
guarda-te arco-íris para mim!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Insónias


No quarto crescente de parede negra
Uma luz brilhante passeava pela cidade
Era hora de Hipnos que alma se entrega
E meus olhos abertos na sua claridade

Não sei se por motivo se por força de sentido
O meu coração dos deuses não queria abrigo
Eu me quedava muda, ouvindo o terno gemido
Do silêncio, da luz da lua que brincava comigo

Não tinha sono, não tinha medo, não tinha nada
A barra do lençol, tocava suave a minha face
Florinhas azuis enfeitavam a minh`almofada...

Talvez o relógio dos dias, o ponteiro acertasse
Com o compasso do coração, na noite calada
E o tempo para a vida, em mim se inventasse!...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Outono em mim


Com o coração rendilhado de pérolas de chuva
Ouvindo burburinho do piso molhado da cidade
Pensando em cheirinho de vindima de fresca uva
Sinto de mansinho, o sol de outono, em claridade

E oiço o regato a correr inquieto em vertente
Vejo ondas do meu mar, em seu iodo ondulante
Toco as margens do ar, afago que sinto carente
Das meigas carícias, de um chamado de amante

E com os sentidos bailando no meu peito aberto
Mesmo que na cortina do meu quarto, fechados
Sinto-te meu outono, com pés na terra molhados...

E correndo ligeirinho, no meu corpo de verbos cansados
Dou por mim a sorrir às chuvas, ternuras a descoberto
E sei em mim, teu sentir é meu sonho de ciclo coberto!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Simplesmente...

Pintei tanta ternura na conjugação do verbo ser...
será que desenhei afago certo, no verbo entender?

Flor em néctar, doce e perfumado...
e com tanta naturalidade e certeza
se transformando seu todo na Natureza...

Simplesmente...
sem atropelar presente, futuro ou passado
nas asas de um Ser, em labor desenhado!...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sonho meu


Adormeço pedindo a Morfeu
que me deixe beijo teu
em cima de almofada
com uma flor desenhada
e depois ainda a preceito
espreito a Lua a meu jeito
e vejo nela a claridade
que me dança na saudade
e canto aquela melodia
que foi tua prenda um dia
e depois, bem aconchegada
em lençóis de linho deitada
ainda em luz de efeito prata
como fitinha que se desata
na dobra da minha janela
como se fosse a cinderela
vejo-te em teu cavalo alado
solto na lua, em verde prado
e encanto a minha alquimia
num pote da branda sinfonia
que transforme em puro mel
o som do trote do teu corcel
numa plantação colorida
de flor lilás, pura em magia
e espero por ti...
oh...amado meu...
isto tudo dei eu a Morfeu
e ele se deixou afagar
e só o sonho me devolveu!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Choro do céu



Nos telhados das nossas vidas
Caem gotas de orvalho sentidas
O céu, que canta Outono em guaridas...

(Quantos cantam sorrisos, em lágrimas
que se resguardam nas suas cismas

e se escondem debaixo de suaves rimas?!...)


Céu que lavas as mágoas, da terra das gentes
Num choro tão teu, diferente do meu, diz-me:
- Porquê telhados tão tristes, outros tão contentes?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Coração na brisa

Acrílico em tela
Em cada lado de uma saudade
O vai-vem de um sopro em claridade
Que finaliza o fim do Verão
Que fala por mim, assim:
- Teu afago se guarda no coração!
Bordado com a sede de sã ansiedade
Ainda que no ar somente de visita
Ande em mim, alma de pomba bendita...
Que pensa por mim, assim:
- Porque não pode o sol e a lua
Serem a medalha da face minha e tua
E andarem de mão dada na intimidade
Que é doce modelo, da suave metade?!...

- Por nada, não!...responde o eco da ilusão...
- Guarda-me no coração, carinho meu
Que na outra face do ser, já eu tenho o teu...

E ambos assim por dentro, movimento de luz
Afagaremos o caminho da vida que nos conduz...

E que mal tem?...na brisa teu doce cheiro, sempre vem...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Plantinha


Crescendo sem medo, com alimento de terra pura
num verde esperança que é Mãe Natura
o coração bate em tom violeta sem qualquer meta...

E assim tão fresquinha, tão visosa, mimosa
ela se sente das plantinhas viva a mais completa
porque o toque de veludo, é o seu todo!

Que lhe importa se o mundo é cego, surdo ou mudo?

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Caminhante



Quanta beleza na verdade do caminhante
Seu passo de leveza da natureza constante
Descansa pegadas no cimo do monte errante
E reza aos céus, ser palco de música andante.

Lá no alto avista as torres, os sons, os infinitos
Borda com a voz em eco, sons de belos gritos
Suave cama verde, são seus lençóis benditos
E os sonhos repousam nos vales, sem conflitos.

Vai dolente, tão quente, tão suado, tão amante
Devorando os velhos caminhos do passado
No presente, procura a riqueza do seu achado...

Ah, caminhante de pé de bota enfeitado
Saudades levas de mim no teu coração andante
E eu te aguardo, com o meu olhar algo brilhante!

(...que a caminhada seja bela enquanto dure
eu aqui te espero, no tempo que ela perdure...)

Fotos da minha filhota, lá longe...em caminhada devota :)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Metades


Dentro do ser da vida vivida
Existem momentos e tempos
Uns são de uma tristeza sofrida
Outros de sorrisos sem lamentos...
Mas qual das metades de mim
Será a parte que ganha e olvida
Qual será a parte, enfim
Que perde por ser esquecida?!
Quantas metades temos nós
Que se dividem e completam
Enlaçadas dentro de nós
Quantas são as que vegetam?!
Talvez nem haja resposta
Talvez porque é triste e certa
Mas faz parte de mim, ser assim...
Tantas as vezes, incompleta!
Metades serão então?
Caio em contradição...
Pois as metades terão de ser iguais
Ou não? Fico então pensativa
E o meu conhecer se esquiva...

E o porquê, não procuro mais...
Porque cá dentro da minha rima
Metade existe que sempre anima!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Simples condão





com a luz toda por sentido
numa sombra de verde entontecido
soavam-me os chilreios ao ouvido

...a branda paz, tanto de que é capaz!

Num violeta bem vermelhinho
de verde e branco salpicadinho
saltando o pólen em sabor
me beijava uma flor...

...era dádiva de sentimento em amor!

No caminho de nervura de esperança
com o corpo em botão de candura
esperava o tempo em movimento
e libertava versos de ternura...

...o nascimento do amor, como criança!

E com os pincéis da Natureza
que a tela compôs sobre o chão
recortou-se tão pura a beleza...

...que uma pétala enfeitou o meu coração!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Marés de segredo




Onde vais aportar ao cais?
Onde vais tu meu bem, meu amor?
Tu não vês nas mudanças das marés
o segredo que te lava os pés?
Olho tão longe, onde ficam vendavais
olho tão perto, mas não vejo sinais
de que anda por azul teu sabor
junto dos golfinhos e algas de cor...
Mas quando vais tu ancorar
na barra da minha saia, feita de lapa de luz
que deseja ser berço de teu ninar?!
Que desassossego anda no teu apego
que nas ondas soa como fado em cruz
e se vai assim, todo o meu aconchego?!

Vem meu querido...apaga a dor desse segredo
e vamos nadar juntos nas tuas ondas sem medo!!
(25/07/2010)

(e com este calorzito, como apetece no mar um mergulhito...mas tenham cuidado que os segredos deste Amor, podem aprisionar para sempre e quem não tiver cuidado, ficará preso eternamente...)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Diz-me


Junto a brisas de brumas salgadas
Tantas das minhas lágrimas choradas
Se misturavam com o iodo
Numa mistura de elixir de um todo
Que sarava os meus porquês
Nas palavras que tu me lês...
Diz-me porque tem de ser assim
Apartada eu de ti e tu de mim...
Diz-me que teremos a mesma varanda
Cá deste lado ou lá na outra banda
Com solfejos de maresia nas marés
Que suavizem o caminho de nossos pés...
Diz-me com carinho, com verdade
E com o teu amor mata esta saudade
Diz-me porque ando triste e sozinha
Nesta multidão que se faz tão asinha...

Diz-me...olhando no meu olhar triste
As loucuras que tu nunca mais viste
Afagando-as com a inquieta imaginação
Que povoa a varanda do teu coração...

...um dia, navegando no deambular do tempo
que eu te abraçarei sem nenhum contratempo!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Só para ti



Branco e salgado, verde e temperado
Corrias bravio, pela cor do céu alado
Com música de violinos, feita de areias
Entoavas valsas no cimo de ameias
Soltavas taças de claras em castelo
Entontecias os meus sonhos em novelo
E vinhas ter comigo beijar meus pés
Numa barquinha dentro de seu convés...

Ai, que perfume que soltava na maresia
Teu corpo bronzeado pela doce fantasia...

E qual som, qual tom, qual toque em condição
De me teres só para ti, num verso sempre à mão!

...e senti a comoção bater dentro de teu coração...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Na vida...



Da terra cheirando a feno e a erva, odores em perfumes
Cheiram-se ao longe da vista, silêncios em queixumes
O sol se derrama nas planícies das suas alvas e íris cores
E eu planto na profundidade do meu estar, todos os amores.

Clara visão no céu, de um sossego em paz no firmamento
Como se visse no eco do nada, uma troca de um lamento
Visto a seara mansa do tempo com a serenidade do lago
E sinto em mim a doce temperança de um delicioso afago.

E toco a brisa da amena calma, como um santo unguento
Ao paladar chega o sabor do pão, que saboreio no vento
Que me alimenta na vida, que recebo em sol feito de lume...

Paz interior, apaixonado som na pauta do vigor sentimento
Tão branda, tão suave, maré calma ela em mim se assume
A mãe de todo o meu dizer, que ao Amor na vida se resume!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Coração cansado


Contraído, baralhado e cansado
vejo o meu coração num balão
que estando de paz alimentado
se presta a ser um pacato folião...
não sei se por destino, se por condição
o balão paira e balança no ar
talvez no bailarico da esquina
anime simplesmente uma menina
ou então, com o vento quer dançar
para se enfeitar, saindo pela ruela
qual manjerico a versejar à janela
as quadras da sua colorida prestação...
mas eu que o sinto a desfalecer
a querer brincar na paz do seu viver
tão tonto na festa que canta no seu rodopio
que trás a quietude presa por um fio
sonhar, se torna para ele um desafio...

Balãozinho de papel, segura-te bem...
acompanha as marchas do teu santo padroeiro
não rebentes, não estoires, mantém-te inteiro
como o devaneio que o coração em ti detém
dá-lhe o teu corpo cheio e ele volta a ser alguém!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Meu rio



Junto ao fundo do teu leito sem preconceito
Passeando com os braços feito barbatanas
Deslizando pelo meio das canas da margem
Afagando os peixes que fazem canoagem
Jogando à bola com os seixos
Circulando na volta de onda de eixos
Escorregando por balancés de lodos
Falando a linguagem dos remoinhos todos
Albergando as dores a montante
Afogando as mágoas a jusante
Rio da minha corrente sempre elegante
Eu te navego de dia e de noite, na vertente
Naufragando na preia-mar do teu estar
Com voz de suspiros de sussuros no ar
Uma flor na foz, eu te reclamo a sorrir
Rio da minha vida, que te sei sem mentir...

Meu rio amado eu te venero, nas veias do meu fado!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Noites de fantasia


Eram muralhas de luz, que se acendiam
Nas bermas da noite escura que surgia
Eram brios que tão cedo se escondiam
Não fosse a treva matar, o que se sentia.

Eram perguntas e tantas, sem respostas
Eram entradas e saídas, por altas portas
Era um amor a escorrer dentro do peito
Era o sonho de um ser, quase perfeito.

Mas tudo tem um fim no firmamento
Tudo se vai com o escalar da fantasia
E o que era noite passou e fez-se dia...

E a luz que na muralha teve alquimia
Em branda suavidade um só momento
Clareou com festa de rei, em novo dia!


- E a luz amarela no céu se envaideceu
no crepúsculo, sonhou ser sol e enterneceu! -