quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Lá...faz de conta


Lá no fim do nunca, no meio do faz de conta
Para onde outrora, a memória reside e aponta
Assistem lembranças, do carinho das crianças
E na roda da ciranda bela, giram temperanças.

Não, não sei se por magia, tempo ou saudade
Vêm à memória as brincadeiras da doce idade
Patinam escondidas, pelos muros desta cidade
Na falta da suavidade, de uma doce liberdade.

Solta-se o nosso grito, tão surdo, oculto e mudo
Que trepa num aparato, feito de nada e de tudo
Servindo o nosso tempo ilusão, caminhos ledos
E a gente cresce, enfrentando segredos e medos.

E carregando as mágoas do amarrotado coração
Vêm-se os sonhos almejados, varridos pelo chão
Procurando no desespero, suavidade em doce mão
E na lágrima que cai, a procura de algum perdão.

E condimentando, canto onde se esconde a magia
Em regato, saltita o sangue em terra húmida e fria
E esquece-se a dor, embrulhando mel, a cada dia...

Lá no fim do nunca, no meio do faz de conta
Para onde um sorriso, ainda se afoita e apronta
Lá, onde o nunca é quase tudo e o nada se remonta...

Lá...o faz de conta num coração de poesia!

12 comentários:

Maria disse...

Lá, no faz de conta, pode existir tudo o que nós quisermos. É a nossa capacidade de sonhar e viver o sonho...

Um beijo

Vieira Calado disse...

O poema está muito bem conseguido.

Boa métrica e sonoridade.

Cumprimentos meus.

Teresa Durães disse...

Mais uma vez um poema cheio de vida e esperança. Só tu!

clic disse...

Num coração de poesia
A ilha do faz de conta
Se pudesse até que ia
Mas não tenho a mala pronta

:)))

Cátia disse...

"Lá no fim do nunca, no meio do faz de conta"
Sabes que para mim todos os teus poemas são especiais, mas este teve um gostinho a mais :)
Bjinhos gandes

Áurea disse...

Puramente lindo
O poema teu
Fiquei sem palavras
P´ra comentar! Eu.

Que grande poeta
Que grande talento
Eu te admiro
Muito em pensamento

"Lá no fim do nunca
no meio do faz de conta"
Pode haver sorrindo
A história que aponta

Que ponta com o dedo
Que te trás magia
Que às vezes desponta
Quando já é dia

Continua linda
Sempre a escrever
Esses teus poemas
Que eu adoro ler.

Beijo
Áurea

poetaeusou . . . disse...

*
no coração da poesia
eu grito
não, não estou aflito
canto os segredos
sem os medos
da saudade
enfrentando a realidade
do dia a dia . . .
,
conchinhas,
da terra do sim . . .
,
*

Baila sem peso disse...

Maria

Lá no “faz-de-conta” como diríamos em criança
Tudo roda, tudo gira, tudo é um sim de confiança!
Agora resta sonhar...de olhos abertos de preferência :)
E beijo teu dizer, com capacidade de tua crença!

Vieira Calado

Muito obrigada pela apreciação de poeta
Tento naturalmente seguir a métrica
Tento a sonoridade...mas acima de tudo
Fica coração a querer mandar, sobretudo :)

Meu beijo de agradecimento

Teresa Durães

Só eu??!! Não...procura bem no espaço
Outros há que giram no mesmo abraço...
Só que a escrita deles, pode conter mais dor
E não se perceber da sua vida em esperança e amor
E não se perceber do coração, o interior...

Obrigada no entanto...e um beijo no entretanto :)

clic

Não tens a mala pronta
Nem precisas para nada
Que a ilha do “faz-de-conta”
Só precisa de ti...mai`nada! :))))

Beijo na viagem pela estrada :)

Cátia

Tua visita tão bonita, minha filhita
Foi surpresa tão boa, princesita!
Este foi especial...porque será afinal?
Tu entendes sempre a roda do meu ser
ou não fosses tu, uma razão de meu viver...

Bjitos gandes, da mãezita
Que agradece comovida a visita

Áurea

Como sempre tuas palavras
Vão encontrar um obrigada meu
É com carinho que falas
Com suavidade de coração teu
E fico sem graça, na verdade
Ao pensar: como agradeço eu? :)

Um beijo no teu trajecto, que acho lindo
Quando deixas, todos pela estrada sorrindo
(e têm corrido bem teus “sorrisos”
pelos tantos lugares precisos?)

poetaeusou

Eu sei meu amigo poeta
Que trazes no teu fado o sim
De bordares segredos e medos
Enfrentando na realidade
O “faz-de-conta” em verdade
Navegando com suavidade

Meu carinho vai voando, vai nadando
Leva-te um beijo pedido, a anjo serafim
Entregar-to, na tua “terra-do-sim” :)

e a todos que passaram na terra do faz-de-conta
deixo meu sorriso e meu beijo por conta :)

juvenal disse...

A memória é isso, é um paraíso do qual ninguém nos pode afastar!

juvenal

Baila sem peso disse...

juvenal

A memória é isso sim...em certos cantinhos
em que passearam alguns pézinhos...
é uma canção por vezes triste também
que só o coração canta como ninguém!

fica meu beijo no paraíso muito bem!:)

Coralina disse...

Deixo aqui um poema que não é meu, mas é de um dos melhores poetas portugueses (pelo menos na minha opinião). Chama-se "A um ti que eu inventei" e o seu autor é António Gedeão.

"Pensar em ti é coisa delicada.
É um diluír de tinta espessa e farta
e o passá-la em finíssima aguada
com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em mínima balança
um armar de arames cauteloso e atento,
um proteger a chama contra o vento,
pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,
um correr sobre lã que ninguém saiba e oiça,
um planar de gaivota como um lábio a sorrir,

Penso em ti com tamanha ternura
como se fosses vidro ou película de louça
que apenas como o pensar te pudesses partir."

Baila sem peso disse...

Coralina

Obrigada pelo Grande Poeta Gedeão
o soneto que deixaste é um docinho
um amor tão delicado em puro algodão
que nos passeia tão suave pela mão!

deixo-te um beijo com sorrisinho
com a amizade envolta em linho :D