segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Cinzento


Perfil de vermelho armado na luz de dor em cinza
Um rio que convida, num esperar de curta viagem
Um cinzento brumoso, as nuas árvores agoniza
Conversando igual, com vozes doutra margem.

Pára a vida, numa chuvinha que alumia
Uma tarde que parece um texto de sono
Rodando, o barulho do piso é sinfonia
Que se ouve, em lamento de abandono.

E passam fios, passam ventos, passam cinzentos
Passam frios bem entrelaçados dentro do peito
E a tarde se deita, com vontade da noite em jeito...

E corre na velocidade aquele brilho tão perfeito
De uma lágrima que enfeita a chuva em lamentos
E o Tempo diz: - cinza tem também seus momentos!

13 comentários:

Maria disse...

Apetece-me dizer que este poema é dos mais bonitos que já li aqui. A fotografia, igualmente bela. Será do tempo frio e chuvosa que traz melancolia ou os teus momentoe e lamentos em abandono cobrem-me como segunda pele...

Beijo.

Bartolomeu disse...

«cinza tem também seus momentos!»

Ler os teus poemas e as tuas reflexões, são momentos muito saborosos que nos fazem sentir como que... bailando sem peso!

clic disse...

Também tem os seus momentos
Uma lágrima que chove
Parecem sempre tão lentos
E que mais nada os move

:)

Eduardo Aleixo disse...

É um belissimo poema, de cor, de movimento, de suavidade, de muita beleza. A linguagem poética é diáfana, subtil. A foto, linda e de acordo com a poesia. Gostei muito.Parabéns

Áurea disse...

É verdade minha amiga
Tal foto, tal poesia
P´ra mim um pouco cinzenta
E até um pouquinho fria

Como sempre tem talento
Magia, amor e paixão
Mas quero-te mais alegre
Nunca entregue à solidão

Tal como o "Pricepezinho"
Cativar, me conseguiste
Quero-te muito bem
Receio que estivesses triste

E se estás tenta sair
P´ra onde te sintas bem
Se não conseguires dar a "volta"
Pede ajuda a alguém

Estou eu p´rá qui a falar
E de certo erradamente
Porque sabes muito bem
Levar a vida p´rá frente

BJO Do tamanho da ponte da foto.
áurea

Teresa Durães disse...

lindo poema como tantas vezes nos dás. Melancólico, o que sempre estranho em ti, mas todos nós temos direito a essas alturas. Não há perfeição.

Este tempo não ajuda em nada, somos portugueses, gente de sol!

Felizmente estou numa fase mais optimista mas até há uns dias, tantas preocupações que me levaram a afastar-me um pouco daqui dos blogs. Por vezes parece que tudo cai em cima de nós apesar de os sintomas serem antigos. Talvez um choque, o que tive. Agora recuperado.

Devagarinho vamos ultrapassando e há coisas difíceis de aceitar

DE-PROPOSITO disse...

E o Tempo diz:
-------
O tempo diz-nos, e ensina-nos tantas coisas.
------
Fica bem.
E a felicidade por aí.
Manuel

notyet disse...

Poeta que se preze tem por força de ser melancólico, mesmo pintasse de arco iris aquela foto.

poetaeusou . . . disse...

*
o odor cinzento
desnuda os lamentos
na lágrima contente
prevendo a Primavera,
,
conchinhas, deixo.
,
*

Vieira Calado disse...

Gostei do seu soneto.

E olhe que não é fácil escrevê-los bem.

Saudações poéticas.

Baila sem peso disse...

Maria

O cinza é um momento de melancolia...
Realmente aqui no baile falta não fazia :)
Mas todos temos assim como que uma dança
Um pouco mais triste...que sempre existe...
Espero que a dança hoje, no teu interior
Seja num pouquito mais de cor!
E agradeço as palavras de calor :)

Meu beijo, cinza clarinho

Bartolomeu

Obrigada pelas tuas palavras tão bonitas
Fico toda “inchada” com o teu expressar
São momentos de leveza, com tristeza
Que aos olhos de outros terão sua beleza
E nos meus, encontrarão sua grandeza :))

Meu beijo, cinza levezinho

clic

Que mais nada os move dizes bem
Mas tenho de ir teimando
Outras cores também arranjar
Que a Primavera está a chegar
E não me pode encontrar chorando :))

Meu beijo, cinza teimosinho

Eduardo Aleixo

E que vou eu agora dizer aqui?
Que tudo me deixou sem jeito?!...
Com tanto predicado que li
Meu amigo, que calor de seu leito!
Obrigada do fundo de meu peito! :))

Meu beijo, cinza envergonhadito

Áurea

Tu e o teu dizer, minha amiga
Fazem-me acreditar que tens condão
De adivinhar, nas minhas palavras
Os dias, que menos bons vão...
Mas não te preocupes, não
A água que passa pela ponte
Já não volta a trás, pois não?!
E logo que o sol possa sorrir
É como tudo afinal na vida
Vamos a semente recolhendo
Umas vezes chorando outras sorrindo
Mas sempre na luz da Força
De uma Flor ver surgindo! :)

Meu beijo, cinza comovido

Teresa Durães

Melancolia também é uma das minhas faces
Ainda que faça por não transparecer aqui
Como dizes e bem, ninguém é perfeito...
Quanto ao teu estado...clima de enlaces
Entre quem deseja e protege e teme
Quem cresce, desconhece e não esmorece
Luta talvez de gerações, que são doridas...
Mesmo nas dores, temos de limpar as feridas
E ainda que penses que não tem saídas
Um dia vais perceber...na aceitação
Da luta interior...se constrói forte coração!
Sim...”dava pano para mangas”
Mas agora que te sentes bem...
Toca a fugir às “zangas”!!! :))

Meu beijo, cinza enternecido

DE-PROPOSITO

Tens toda a razão, meu amigo!!
O Tempo passa a Vida a ensinar
Nós é que fechamos os olhos
Porque não o queremos escutar!
Mas vem um dia que no cinza do lamento
Também nasce algum contentamento :)

Meu beijo, cinza levado pelo Tempo

notyet

O poeta é igualzinho a toda a gente
Tanto sente a melancolia, como a alegria...
Mas porque será que na tristeza ou dor
A alma se exprime com mais ardor?
E continuo a dizer que poetisa não sou
Apenas a brincar com as rimas
Que herdei, da ternura de meu avô! :)

Meu beijo, cinza com a cor da rima

poetaeusou

Ah...amigo, quem dera...
que depressa nos venha
e traga mil encantos
que à lágrima convenha!
E pode ser que nos lamentos
O cinza seja cor serena! :))

Meu beijo, cinza na Primavera desejada

Vieira Calado

Vindo de quem vem este dizer
Meu sentir fica agradecido!
Não sei se é bem conseguido
Mas me vem sempre do coração
As horas mais tristes lhe dão atenção :)

Meu beijo, cinza de saudações agradecidas

e a todos que passaram no cinzento
com pézinhos de silêncio, vai meu agradecimento

tinta permanente disse...

Não é fácil fazer um verso ao cinzento; bem mais difícil é dedicar-lhe um belo soneto!...
abraços!

Baila sem peso disse...

tinta permanente

Ainda bem que gostaste do soneto
O cinzento não deixa de sentir seus quês
É bem verdade que com ele me comprometo
Vou sentindo...as cores e seus porquês

Deixo-te um abracinho cinza apertadinho :)