sábado, 31 de outubro de 2015

Outono





Tão sereno está o ar no movimento
Nem a brisa me toca com seu manto
Estou sonolenta sem alma em lamento
E com o outono na bainha do encanto
Vai o meu sonho bordando um corpete
Com linhas de chuva miudinha
E alinhavando o que em mim se repete
A mansidão do tecido, na ladainha
De um estar que o tempo me promete
Um aconchego de pura lã, branquinha

E reparo então que não estou sozinha
Alguém borda também a sua veste
Se encanta com o silêncio que acarinha
E chuleia a ponto cruz bainha silvestre
E vai no amarelo, o castanho misturado
Com o rosa do sonho de princesa
E se junta um azul, menino raiado
Na quietude de um som da natureza
E nas cores que o silêncio fala embriagado
Nasce cinzento, despe o corpo e é nudeza!

5 comentários:

heretico disse...

belo tricot de palavras ...

gostei de verdade.

beijo

Teresa Durães disse...

Lindo, para variar, claro!

Parapeito disse...

Tão lindo tao sereno.
Adorei e a foto está uma ternura.
Brisas doces nina *

jorge esteves disse...

Eu sei, de experiência feita, que o Outono é assim uma quase batota para quem tem sensibilidade nos sentido. Quero dizer, quem olha e volta a olhar, quando os outros já não olham. E, nesse caso, quem mais se aproveita - e, daí, quem mais nos faz derreter os olhos - são esses seres, que das palavras fazem flores, e das flores fazem bebedeiras aos sentidos. Coomo tu, poeta feita de dentro e fora que enches, cheios, os que te lêem!...
Um beijo, amiga!

Baila sem peso disse...

heretico

Tricot feito de Outono
Com o corpo em abandono...:)

Gosto que tenhas gostado!
Beijos

Teresa Durães

Bondade a tua, minha amiga!!
Cheio de bom recheio é o teu meio :)

Obrigada por tua presença na minha longa ausência
Beijos

Parapeito

Obrigada nina azulinha
A minha Layla enroscadinha
Tal qual a sua dona
Quando do Outono..
E quiçá também outro tempo
Em que o corpo tem sono
E hiberna como bichinho
Que de sossego anda sedento :)

Brisas docinhas lobita**

jorge esteves

Eu já nem sei que dizer!!!
Fazes o meu sentir todo, se derreter...
Pois eu bem sei porque me falas assim...
Também esse teu sentir doce, chega até mim.
É assim uma bebedeira de cavalo alado azul
Como sonho de carinho, envolto em véu de tule

Um beijo meu querido amigo e OBRIGADA
Tu sabes como é importante tua palavra...